O custo de vida aumenta, o povo não aguentaPor Nuno Cavaco

Por Jornal Rostos
As palavras que constituem o título deste artigo de opinião espelham o sentimento da maioria dos portugueses face à situação económica vivida hoje em Portugal e são, por isso, palavras de ordem nas manifestações.
Um dos factores que explicam o aumento do custo de vida é a inflação, cujo valor estimado é sempre inferior ao real, contribuindo assim para que os salários, as pensões e reformas sejam actualizados “em baixa”. A inflação, ou seja, a subida generalizada e sustentada do preço dos bens e serviços, serve de base de actualização dos rendimentos da maioria dos portugueses e como é calculada “por baixo”, resulta na diminuição do poder de compra desses mesmos portugueses.
Em Portugal, a subida dos preços de bens e serviços nos últimos 5 anos tem sido muito acentuada. Considerando o aumento do preço de bens e serviços essenciais, como a educação, saúde, habitação e transportes, constata-se que a vida da maior parte dos portugueses está cada vez mais difícil. Nos últimos 5 anos as despesas com a educação aumentaram 38%, mais do dobro da inflação média. Também nos últimos 5 anos, na saúde, os serviços hospitalares aumentaram 20,1%. Nestes dois exemplos, estamos perante uma linha política que se define por não cumprir a Constituição da República e isto, com o consentimento e aval do Presidente da República, que jurou cumprir e fazer cumprir essa mesma Constituição, porque não impede ou tenta impedir o governo de transferir para os utentes os custos destes serviços, que deveriam ser um direito e como tal tendencialmente gratuitos. Na habitação, só no ano de 2006, 35% das famílias portuguesas “sofreram” um agravamento de 12%, ou seja, 4 vezes a inflação média. Por último, mas não o restante porque poderia apresentar mais exemplos, os transportes registaram aumentos muito consideráveis, fruto de uma subida do preço dos combustíveis mas também de aumentos nos impostos sobre os mesmos.
Mas o aumento do custo de vida sente-se mais pelos desempregados. Enquanto escrevia este artigo ouvia o Sr. Belmiro de Azevedo dizendo, “… quem quer trabalhar e é competente tem sempre emprego…” e ouvia também o Sr. Manuel Fernandes, também empresário, no programa Prós e Contras, afirmando que não gosta de utilizar a palavra despedimento porque esta tem uma carga revolucionária. Ora bem, para estes senhores, só está desempregado quem quer ou quem é incompetente e o desemprego não é nenhum drama. Pois, na posição confortável em que estão, são eles que definem quem é ou não competente e tem emprego e nunca vão sentir o desemprego, afinal são eles que despedem. Para os Senhores Belmiros deste país o custo de vida não aumenta, os sacrifícios não existem mas, o país não é composto de Senhores Belmiros é composto por muitos trabalhadores, pensionistas e reformados que viram o seu poder de compra diminuir, que tem dificuldades em pagar a educação dos filhos, os medicamentos e a sua prestação da casa. O país também é composto por desempregados, na sua maioria pessoas que querem trabalhar e tem competência para isso, que se vêm alheados de um direito porque o governo e alguns senhores com poder de decisão não consideram dramático não ter capacidade financeira para usufruir de bens e serviços essenciais à dignidade humana. A verdade é que o custo de uma vida que depende do trabalho, da pensão ou da reforma, não é controlado por essa mesma vida, mas sim por vidas que não conhecem os seus problemas.
Nuno Miguel Fialho Cavaco
Membro da Comissão Concelhia
da Moita do Partido Comunista Português














