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Quotidianos

A FUTURA PONTE CHELAS-BARREIROSÓ VAI SER FERROVIÁRIA ?
VISÃO ESTRATÉGICA … OU …PROVINCIANISMO !
Por Rui Ferrugem

Mas a 3ª Travessia do Tejo, Chelas-Barreiro, significa mobilidade dos cidadãos, mais e melhor qualidade de vida e não se poderá quedar, tal como em 1966, pela ausência de visão estratégica … ou pelo provincianismo de deixar as tomadas de decisão incompletas … à espera de mais umas quantas décadas, para que as realidades voltem a impor as soluções que em tempo útil já se deveriam ter tomado !

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Por Jornal Rostos

Ainda a propósito do Debate promovido pelo DN / TSF, em Almada, no Fórum Romeu Correia, sobre Mobilidade, Transportes e Qualidade de Vida, na e da “Outra Banda”, com a participação dos Presidentes das Câmaras Municipais de Almada, Seixal e Barreiro, este também na qualidade de Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa, para além de representantes das Administrações da Fertagus e Transtejo.

Como convidada de honra, a Sra Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, deixou perplexa grande parte da assistência quando, na intervenção final, enunciou, com grande grau de probabilidade, que a futura travessia Chelas-Barreiro se limitaria a ter apenas o modo ferroviário como valência única, não devendo comportar a componente rodoviária.

Em jeito de antecipação a eventuais questões futuras, lá foi questionando se tal opção não equivaleria a trazer para dentro de Lisboa, mais viaturas, maiores emanações de CO2, agravamento do efeito de estufa, etc., etc..

Não comentando os aspectos ligados ao modo ferroviário, com TGV e fecho da malha ferroviária Norte-Sul, tanto para passageiros como para mercadorias, opção com que concordo, importa analisar a mais que previsível “nega” ao modo rodoviário, por parte do actual executivo governamental.

De imediato me vem à memória a inauguração, em 1966, da então Ponte Salazar, posteriormente Ponte 25 de Abril.

Nesse tempo, a concretização desse investimento previu um túnel do lado sul, na “outra banda”, para o modo ferroviário, mas a decisão superior de quem então governava, limitou-se a apenas garantir o modo rodoviário de travessia entre as duas margens do rio Tejo.

Só passadas décadas se impôs, pela mais que óbvia pressão das realidades demográficas e sociais e sua mobilidade, a indispensabilidade de dotar a Ponte 25 de Abril de comboio, necessidade que o próprio desenvolvimento e valorização das urbes satélites de Almada e Seixal exigiam.

Nessa altura, em 1966, não houve o golpe de asa de uma visão estratégica (planeamento integrado, ordenamento do território, preocupações ambientais, não eram sequer temas – apenas as grandes obras emblemáticas do Estado Novo e para sua glorificação, interessavam).

Agora, corre-se de novo o risco, de se ficar nas encolhas e não se querer perspectivar de forma abrangente e integrada a realidade.

Para quem vive na “outra banda” e trabalha na “banda de cá” (como os “alfacinhas” sempre gostaram de apelidar) é óbvia e natural a indispensabilidade da resolução dos congestionamentos de tráfego na A2 (sem saídas alternativas há única existente, no caso do concelho do Seixal), na hora/hora e meia de demora matinal para alcançar a capital (para quem vem do Barreiro) e na mais do que necessária redistribuição do tráfego que a Ponte Vasco da Gama não veio resolver.

A questão de mais ou menos carros a entrar em Lisboa, é uma outra discussão mais ampla que não pode nem deve coartar o desejo crescente de mobilidade dos cidadãos.

Com aquele argumento governamental, então não se construiriam mais nenhumas pontes onde quer que fosse, por esse mundo fora, porque tal equivaleria a fazer transportar para o outro lado da ligação … mais viaturas, mais CO2, etc. !

Mas, para que não fique em branco a referência à outra dita discussão mais ampla, tem a mesma a ver com a maneira como se perspectivam as cidades e/ou as áreas metropolitanas servidas por um mesmo rio – a tal noção de uma cidade de duas margens – e a forma claramente desequilibrada como se fizeram concentrar, ao longo dos anos, numa só margem, os poderes públicos, os departamento governamentais, os institutos, os laboratórios, as universidades, etc., etc. – é da regionalização e de um desenvolvimento integrado e harmonioso do território que me estou a referir.

Nessa situação não seriam obrigatórios tantos e tantos movimentos pendulares para entrar na “cidade-trabalho” e para dela voltar para as cidades da “outra banda”, ao fim de cada dia !

Mas a 3ª Travessia do Tejo, Chelas-Barreiro, significa mobilidade dos cidadãos, mais e melhor qualidade de vida e não se poderá quedar, tal como em 1966, pela ausência de visão estratégica … ou pelo provincianismo de deixar as tomadas de decisão incompletas … à espera de mais umas quantas décadas, para que as realidades voltem a impor as soluções que em tempo útil já se deveriam ter tomado !

Não é uma questão de competência técnica, mas de incapacidade política para antever o futuro, mesmo quando a solução está bem ali à sua frente …!

A cidade das 2 margens, a Grande Área Metropolitana de Lisboa, polinucleada, mais equilibrada do ponto de vista da distribuição do emprego e dos departamentos públicos, é possível e desejável …

Mas para tal há que ter vontade política ! A ver vamos !

Rui Ferrugem
Economista / Deputado Municipal (CDU)

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