”Parabéns, Pompidou”Por Paulo Calhau

Por Jornal Rostos
Corria o ano de 1979.
Era Outubro.
Prestes a iniciar o penúltimo ano da minha licenciatura, rumei à Cidade-Luz.
Era a minha primeira aventura em Paris.
Um bom amigo acompanhou-me na descoberta do Sena, da Torre Eiffel, do Quartier Latin, de Montmartre, do… deslumbramento.
Em Beaubourg, a surpresa…
Um edifício estranho e belo, ousado e fracturante, surgiu inesperado, num momento arrepiante, misto de espanto e encanto, sedução e inquietação.
A descoberta da “coisa” foi indescritível.
Jamais esquecerei as sensações, vividas nesse dia único.
Recordando Sérgio Godinho, senti que a Liberdade estava a passar por ali…
À saída, numa das várias livrarias da praça fronteiriça, deliciei-me com as obras ali expostas.
O dinheiro escasseava, as compras foram parcas, mas uma perdura ainda hoje com particular significado na minha modesta biblioteca: uma fotoreportagem do Maio de 68, autoria de Patrick Poivre D´Arvor.
Ali estava o olhar de Daniel Cohn-Bendit, singular e eterno.
O franco-alemão, “cabelo de cenoura” e olhos azuis, fora, 11 anos antes, um dos protagonistas de ilusões e utopias, que a História vergou, de forma bruta e inapelável.
O Centro Pompidou ― dos arquitectos Renzo Piano e Richard Rogers ― e que hoje festeja o 30º aniversário foi, aos meus olhos, um exemplo de ousadia e modernidade, numa França conservadora e chauvinista, mas pluralista e democrática.
Paulo Calhau
Barreiro, 31 de Janeiro de 2007
(paulocalhau@netcabo.pt)














