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Quotidianos

“Um dia depois…”Por Paulo Calhau

Com muita pena e grande mágoa, vejo desaparecer alguém que fez muito pelo Futebol Clube Barreirense, nosso clube de sempre.
Luís Mestre foi, anos a fio, um intrépido, competente e incansável director do futebol de formação.

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“Um dia depois…” Por Paulo Calhau

Por Jornal Rostos

Razões profissionais impediram-me de acompanhar ontem o meu amigo Luís Mestre à sua última morada.
Acabo de visitá-lo.
Coberto por uma imensidão de flores ainda viçosas e coloridas, molhadas pelas gotas desta manhã chuvosa de 12 de Fevereiro.

Com muita pena e grande mágoa, vejo desaparecer alguém que fez muito pelo Futebol Clube Barreirense, nosso clube de sempre.
Luís Mestre foi, anos a fio, um intrépido, competente e incansável director do futebol de formação.

Com João Paulo Prates e outros companheiros, o Barreirense, em condições materiais muito precárias ― e que ainda hoje persistem imutáveis ― deu um salto qualitativo notável nesse estratégico sector de actividade do clube.

Simples no trato, forte no carácter, distante de vaidades, desinteressado da ribalta, Luís Mestre foi exemplar no empenhamento dedicado á causa do “futebol juvenil”.

Em 2000, numa tarde de sábado muito chuvosa, Luís Mestre esteve comigo no Pavilhão Rosa Mota, com o meu Ricardo e com o meu grande amigo José Manuel Sousa (então residente em Leça da Palmeira) numa vitória fantástica do Barreirense sobre o FC Porto, em Basquetebol, perante uma plateia incrédula com a prestação e a superioridade da nossa equipa.
No final, abraçámo-nos, imensamente felizes.
Jamais esquecerei esse dia…

Há dois anos, na tarde da nossa subida à Divisão de Honra, vi o Luís Mestre nos balneários do “Manuel de Mello”, emocionado, lacrimejante, encharcado pelo banho com que fora presenteado.

O nosso último encontro ocorreu numa noite de domingo, há cerca de quatro meses, num restaurante local.
Acompanhado pelo seu (meu) grande amigo João Paulo Prates, Luís Mestre, mostrou-se mais uma vez preocupado pela situação presente do Barreirense e disponível para a reflexão que eu propusera em texto publicado dias antes no Jornal do Barreiro e que lera com respeitosa e interessada atenção.

Luis Mestre foi assim…
Um Barreirense dos sete costados!
Um Barreirense a sério!

Luís Mestre foi consequente…
Por um Barreirense sem reis nem senhores!
Por um Barreirense uno e indivisível!

Partiu cedo…
Estupidamente cedo!
Injustamente cedo!

Recebe um abraço eterno deste teu amigo.

Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)

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