O di(prob)lemaEm quem confiar?
Por Paulo Calhau
Quando a verdade é dita com esta crueza e esta transparência…
António Barreto remata: “Pobre país em que se pode confiar mais no fisco e na polícia do que no Governo e na justiça! Mas se alguns políticos e magistrados quisessem…”

Por Jornal Rostos
Com António Barreto ― excelente colunista do magnífico e renovado “Público” ― também eu, simples cidadão barreirense ― como ele politicamente de esquerda mas partidariamente desalinhado ― estou particularmente atento e preocupado com o combate à corrupção em Portugal.
Na sua domingueira análise “Retrato da Semana”, o sociólogo-investigador, interroga-se hoje, mais uma vez: “Em quem se pode confiar para limitar e reprimir a corrupção?
Descrente do poder político e do sistema judicial, António Barreto considera que “ o fisco e a polícia podem ser a divisão avançada nesta luta”.
Corajosamente, e com a lucidez e frontalidade que o caracterizam, António Barreto põe o dedo na ferida, noutra ferida, numa ferida que nos custa admitir e reconhecer, desmascarar e combater ― a responsabilidade da sociedade civil.
Escreve o colunista: “Quanto aos cidadãos, além de impotentes, vivem bem com a corrupção. Condenam a dos outros, mas acarinham a sua. Criticam a dos partidos, mas não se privam de cunhas nos concursos. Perdoam os autarcas que cometem irregularidades para bem dos seus eleitores, mas são severos perante o ilícito de que não vêm benefícios.”
Comentários para quê?
Quando a verdade é dita com esta crueza e esta transparência…
António Barreto remata: “Pobre país em que se pode confiar mais no fisco e na polícia do que no Governo e na justiça! Mas se alguns políticos e magistrados quisessem…”
Leiam, por favor…
Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)














