O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE É UMA DAS MAIORES CONQUISTAS DO 25 DE ABRILPor José Bastos
Por Jornal Rostos
Antes da tomada de posse do governo de José Sócrates as contas do SNS tinham um deficie de mais de mil milhões de euros que não estavam orçamentados e que passavam directamente para a dívida pública.
O Hospital de Montijo apresentava anualmente uma diferença entre as receitas e as despesas de 1 750 000 de euros. Por aqui se pode perceber as dívidas dos grandes hospitais nacionais.
Este governo em 2006., já conseguiu equilibrar as contas do orçamento do SNS, o que para mim foi uma grande vitória e uma derrota para aqueles que só pensam em fazer negócio com a saúde.
O nosso ministro da saúde é um defensor do SNS e uma pessoa muito competente
na matéria que tem dedicado a sua vida ao estudo e ao ensino da saúde do nosso país.
Reconheço que o ministro na questão da rede de urgências hospitalares a instalar no país, teve algumas intervenções políticas polémicas.. Não tenho dúvidas que a forma como actuou politicamente apressou as coisas e deu origem a protestos das populações, mas o ministro disse sempre desde a primeira hora que o relatório era técnico mas a decisão era política e que ele estava disponível para o diálogo, o que tem vindo a acontecer por todo o país. Quanto a mim o Ministro não teve em conta as emoções provocadas pela insegurança psicológica das populações e foi confrontado com manifestações em alguns pontos do país e na nossa Terra também.
Não chega só dizer que a saúde não é um negócio e que o governo está a seguir uma política economicista na saúde. A minha já longa vida ensinou-me que tudo se destrói quando as despesas são superiores às receitas. É assim nas famílias, nas empresas, nas associações e por uma grande maioria de razões no SNS que tem sempre o grande capital financeiro à espreita para se servir dele.
Sou daqueles que aceito a ideia que há mais vida para além do deficie, mas sei bem que se não o controlarmos acabamos de mão estendida .
Veja-se o que está a acontecer nos últimos anos com a televisão pública. Com a administração rigorosa do Dr. Almerindo Marques passou de uma situação de falência técnica para finanças controladas o que tem contribuído para a sua credibilização e competitividade na programação sendo motivo mais que suficiente para já não se falar em privatização
Quando qualquer área de gestão do estado que está com dificuldades financeiras por má administração a solução deve ser reformar e encontrar gestores honestos, rigorosos nas contas e defensores da causa pública e não entregar aos privados para gerirem. Se forem admitidos gestores públicos que não acreditam na gestão do estado, pessoas que defendem menos estado e melhor estado, então, estamos a viver com o inimigo numa casa que é de todos .
Vem tudo isto a propósito de a oposição no Montijo, com excepção do Bloco de Esquerda, continuar a exigir um hospital novo e uma urgência médico cirúrgica. Todos queríamos um hospital novo, quando pensávamos que existia dinheiro para a obra, apesar do deficie, mas nas actuais circunstâncias, em que o país passa por dificuldades financeiras, conhecida de todos, temos que nos contentar com o que temos que não é nada mau. Já estive internado no nosso hospital duas vezes e por isso sei do que estou a falar. Já pensaram quantas urgências medico cirúrgicas seriam necessárias para o país se cada uma servisse 60 000 habitantes? E o custo? E o pessoal médico especializado?
O nosso hospital não é velho pois todos os seus edifícios têm menos de trinta e cinco anos, com excepção do prédio onde se encontra instalada a administração e uma urgência básica com dois médicos e dois enfermeiros é suficiente para os concelhos de Montijo e Alcochete, pedir mais é contribuir de uma forma irresponsável para a despesa do SNS.
A capacidade do hospital de Montijo não está a ser totalmente aproveitada, uma parte foi desactivada num edifício moderno onde existia uma enfermaria para sessenta camas. É o espaço onde funciona provisoriamente o Centro de Saúde de Montijo, porque passaram para ali os serviços, enquanto o edifício onde se encontra instalado, na Avenida Luís de Camões estiver em obras.
Hoje, os acessos são bons pois as ambulâncias chegam com facilidade à circular, dado que o trânsito da cidade que passa junto ao hospital é muito diminuto durante quase todo o dia e de noite não é nenhum.
As sessenta camas vagas no nosso hospital e mais as cento e cinquenta camas que também estão vagas no hospital do Barreiro não podem de forma alguma continuar desactivadas e devem ser a primeira preocupação da nova administração do centro hospitalar Barreiro/Montijo.
Pelo que fica exposto se compreende perfeitamente que a médio prazo temos instalações que cheguem, não temos é médicos especialistas, equipamentos modernos e organização. Exigir um hospital novo nestas condições é fazer figura de novo rico com dívidas à banca, num país que passa por uma crise financeira. Quem procede assim contribui para desequilibrar as finanças do SNS e sem pensar está a colaborar com aqueles que pretendem a sua destruição.
As pessoas com espírito solidário têm que perceber que nenhum projecto colectivo poderá ter êxito se não tiver sustentabilidade financeira, rigor nas contas e uma organização disciplinada que tenha a dirigi-lo defensores da causa pública. Se assim não acontecer tudo acabará nas mãos dos grupos financeiros que têm sempre peões e inocentes úteis em todos os lados para defenderem os seus interesses.
José Bastos














