Descontentamento da sociedade civil para com a classe políticaPor Tiago Cabanas

Por Jornal Rostos
O descontentamento da sociedade civil para com a classe política é uma realidade que se faz sentir, sem que se consiga inverter essa verdade inegável. Manuel Alegre, na sua candidatura à Presidência da República, como independente, foi o expoente máximo do descontentamento da política, nos moldes em que a temos vivido, não obstante ser incoerente que Manuel Alegre se tenha candidatado como independente quando esteve a toda a sua vida próximo do aparelho partidário do Partido Socialista.
Quando analisado em termos sectoriais o descontentamento e afastamento dos cidadão é ainda mais gritante. A juventude vive hoje, efectivamente, distante da participação cívica e olha essa participação com desconfiança. A verdade é que os jovens que hoje se dedicam a participar activamente na vida da sua faculdade, cidade ou em qualquer outra área, criam desde logo sobre si “um peso negativo sobre os ombros”, perante a sociedade civil; como bem o escreveu o meu caro amigo André Baptista.
Recuso-me a cruzar os braços perante esta realidade. Até porque sinto que quando os jovens são chamados a pronunciar-se e a tomar posição eles respondem “presente” e unem-se numa postura construtiva e dinâmica. Além do mais sinto e sei que os jovens são dos sectores mais organizados da nossa sociedade: em Associação de Estudantes ou juvenis, bem como em Juventudes Partidárias. Ainda assim, a verdade é que por existir essa organização os mesmos jovens que elegem representantes, em todos os modelos associativos, demitem-se da vida da própria associação até que considerem que os seus direitos são postos em causa.
Em suma, são os representantes associativos que, por um lado, são olhados como “tachistas”, mas, por outro, têm a legitimidade e o dever de efectivarem a participação de todos os que representam. Não obstante, a verdade é que a juventude mostra a sua energia, vontade e ambição quando é chamada a faze-lo.
A verdade é que actualmente a o sector da juventude está órfão do poder político em todas as suas manifestações. O mesmo é dizer que o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto está mais preocupado com o “Apito Dourado” do que com a juventude; o Ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior é um vulto académico da Ciência portuguesa, mas que sobre Ensino Superior apenas se pronuncia a custo e fora de tempo (veja-se os casos do Processo Bolonha e mais recentemente a situação da Universidade Independente). Ao nível do poder autárquico, no Barreiro, a juventude continua órfã da atenção do poder autárquico, que houve os jovens anualmente, na quinzena da juventude (tendo-o feito no dia 28 de Março nos últimos dois anos).
Caros representantes políticos a juventude quer participar mas precisa de espaços para o fazer; a juventude merece e quer mais atenção do poder autárquico. Não porque somos o futuro da cidade, mas porque somos o seu presente e temos a garra, a ambição e a imparcialidade, em face dos interesses instalados.
Por isso, queremos a criação de um Conselho Municipal da Juventude, ao exemplo do que se pratica em várias autarquias. Mas um Conselho Municipal da Juventude com regras que permitam um bom desenvolvimento das discussões, bem como uma institucionalização do mesmo para que se assaquem responsabilidades e se conheçam as posições das várias instituições juvenis que existem no nosso Concelho.
Tiago Cabanas
(Vice-Presidente da JP Barreiro)
P.S. – Continuarei este tema em próximas colunas de opinião.
Tal como lanço o repto aos jovens a participar e opinar em














