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Fórum da Juventude e o futuro Conselho da JuventudePor Tiago Cabanas

Também esquecido no actual Fórum da Juventude é o facto de existirem, entre os jovens barreirenses, estruturas organizadas (associações de estudantes, associações juvenis, juventudes partidárias e grupos informais de jovens).

São instituições juvenis que merecem ser respeitadas e dignificadas no diálogo com os representantes autárquicos.

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Fórum da Juventude e o futuro Conselho da Juventude Por Tiago Cabanas

Por Jornal Rostos

O Fórum da Juventude do Barreiro reuniu na semana passada. Louvo a iniciativa deste executivo de dar voz à juventude barreirense, de modo a que os jovens estejam em contacto directo com o poder autárquico. Não obstante, este primeiro passo, há que avaliar os resultados obtidos e o que podemos melhorar para alcançar ainda mais e melhores resultados para defesa dos interesses da juventude barreirense.
A verdade é que o Fórum da Juventude, nos moldes actuais, sofre de alguns vícios que poderão ser minorados, em grande medida, com uma maior institucionalização e estabilização deste mecanismo de aconselhamento da actividade autárquica.

Primeiramente, os jovens barreirenses reúnem com uma periodicidade demasiado distante no tempo, ou seja, o Fórum da Juventude reúne apenas uma vez por ano. Defendo que a juventude barreirense, certamente, sente necessidade de dialogar com o poder autárquico mais que uma vez por ano. Por um lado, uma maior periodicidade das reuniões trará uma maior atenção dos jovens à realidade da sua cidade, bem como será mais fácil ao executivo camarário conhecer as várias sensibilidades dos jovens e decidir de uma forma mais profícua.

Outro dos problemas que se nota a olho nu, no actual Fórum, é falta de previsão da possibilidade de serem os jovens barreirenses a chamar os órgãos autárquicos à discussão. Este espaço está dependente da iniciativa do executivo, ao passo, que penso que há que prever uma possibilidade de serem os jovens barreirenses a ter a iniciativa da reunião. Em suma, nem o executivo, nem a juventude, fica refém da vontade de ninguém, ambos têm capacidade e legitimidade para provocar a discussão e o diálogo.

Também esquecido no actual Fórum da Juventude é o facto de existirem, entre os jovens barreirenses, estruturas organizadas (associações de estudantes, associações juvenis, juventudes partidárias e grupos informais de jovens). São instituições juvenis que merecem ser respeitadas e dignificadas no diálogo com os representantes autárquicos. Naturalmente, penso que, também entre os jovens existem representantes e representados e é nesse sentido que deve o Fórum da Juventude deve respeitar essa legitimidade democrática na eleição dos representantes, de cada instituição juvenil. Olvidar essa representação é o mesmo que admitir o seguinte: existindo uma Reunião Geral de Alunos, em qualquer Escola, cabe à Direcção da Associação de Estudantes ser a voz da posição maioritária dos estudantes (por isso teriam assento no Fórum da Juventude); actualmente o que aconteceria era que o grupo alunos que não representam a posição maioritária da escola (discutida internamente) pode negar todo o efeito à Reunião Geral de Alunos e fazer valer essa posição minoritária junto dos órgãos autárquicos, uma vez que também eles podem participar no Fórum da Juventude. A verdade é que é fundamental respeitar as instituições juvenis e entender que os dirigentes dessas instituições representam todos os jovens a que a elas pertencem. Desta forma se promove a organização da própria juventude, os valores da representação e da democracia, bem como a independência de cada instituição perante os órgãos autárquicos.

Aplicando esta dicotomia, entre representantes e representados, consegue-se ainda que os representantes sejam responsabilizados pela defesa dos interesses dos jovens que os elegeram. Em suma, os próprios participantes do Fórum da Juventude têm uma responsabilidade maior, o que os levará necessariamente a uma maior preparação dos temas que chegam ao Fórum da Juventude. Conseguindo maior preparação dos jovens e maior informação sobre os diversos temas consegue-se efectivamente chegar mais perto de uma democracia participativa e esclarecida. Em suma, não só consegue o executivo camarário dinamizar a própria vida interna das instituições juvenis (que elegeram o seu representante no Fórum da Juventude), como consegue uma juventude mais interessada no devir da sua cidade.

Para além de todas as vantagens já enlencadas, através de uma mudança nos moldes do Fórum da Juventude, passando a ter: 1- capacidade de espicaçar os órgãos autárquicos (forçando ao diálogo); e, 2 – maior preparação e informação, dos jovens, para preparar os debates, em matéria de juventude. A juventude do Barreiro alcançará a maior vantagem que passa por termos uma efectiva política de juventude, na nossa cidade, que em 32 anos de democracia foi ignorada.

Tiago Cabanas Alves

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