SeixalVALE MAIS TARDE DO QUE NUNCA
Por Fonseca Gil
Por Jornal Rostos
A gestão comunista do nosso município anda desorientada.
Ao longo destes anos não se tem preocupado em gerir os recursos numa perspectiva de saber acautelar o futuro. Se precisava de dinheiro para distribuir benesses, bastava aprovar umas quantas operações de loteamento que o dinheiro aparecia e a “loba” tudo engolia.
O “polvo” está a crescer e, cada vez mais, precisa de alimento.
O balão tem vindo a encher e está prestes a rebentar porque o sopro constante e crescente é imparável.
No auge da tormenta, o comandante, desesperado, vai gritando para os seus marujos “quero oxigénio, estou com falta de ar” e estes, sempre subservientes lá vão alimentando com fotografia, ora de perfil, ora no púlpito, para que o “jornalinho” possa continuar a informar que o timoneiro ainda vai ao leme.
Nada de intrusos porque a nau é só nossa – grita o “imediato”, de binóculo em punho.
O Boletim Municipal “é nosso muito nosso, não queremos partilha-lo com ninguém” – gritam os comunistas da nossa praça.
Nós percebemos.
Pararam no tempo e os ventos gélidos siberianos continuam a fustigar, mesmo quando estão 40º à sombra, razão porque não compartilham a capa com ninguém.
Andam para aí uns tipos que se dizem oposição. Que raio de palavrão é esse?
- Aqui só conhecemos duas realidades, ou são dos nossos ou tomam o comboio transiberiano.
- É pá… ainda te lembras daqueles desfiles da Praça Vermelha com os mísseis todos virados para o horizonte sempre prontos a partir em defesa da camarada Presidente?
- Se lembro!... Tenho andado a pensar se o camarada lá da península coreana não nos emprestaria uns lança mísseis, uns uniformes, umas baionetas e, um dia destes, fazíamos um desfile aqui junto á Baia, com os “scud” virados para Lisboa. Se calhar podia ser uma boa maneira de nos terem mais respeito.
- Então já reparas-te que agora, quando ordenamos uma greve, há por aí uns amarelos que têm o desplante de não nos obedecer?
- Cuidado com os furas, são piores que caruncho, o barco já mete água…
Isto é pura ficção, porque a realidade não se escreve, sente-se e vive-se.
Na nossa autarquia não há democracia.
Há coação sobre quem entende pensar diferente.
É preciso arranjar dinheiro a todo o custo porque o recebido actualmente já não dá para apagar tantos fogos. Os tentáculos cresceram, é preciso alimentá-los e, vai daí, toca de criar mais uma taxa para suportar os custos das aparências, num estado de desespero visivelmente incontrolado.
Na Assembleia Municipal inventam-se passatempos com moções para que as questões que dizem respeito á gestão comunista da Câmara se discutam pela madrugada dentro. Foi o que aconteceu com a recente aprovação da taxa de efluentes.
Os comunistas resolveram “brindar” a Assembleia com quase uma dezena de moções e claro, o Bloco de Esquerda sempre preocupado em mostrar que também existe, lá se encarregou de ajudar na festa, apresentando mais umas moções e, o PSD, que não é lá muito de ferir as susceptibilidades de quem manda no Município, ajudou no ramalhete com mais umas intervenções contra o seu adversário de estima, o Governo. Ainda continuam com azia pela derrota que lhes infringiu o José Sócrates e, como têm mau perder, lá se juntam ao coro dos comunistas na Assembleia. Estes agradecem, porque enquanto se votam moções anti-governo, não se questiona a gestão do município. Resultado, os comunistas, pela calada da madrugada, aprovaram uma taxa que vai custar aos munícipes mais 50% do valor da água consumida.
Pois é.
Mas quem tem lido as crónicas mais recentes, publicadas num jornal local, do mais alto responsável do PSD no concelho, até parece que este Partido esteve desde a primeira hora na linha da frente contra a taxa de efluentes com que os comunistas nos brindaram recentemente.
Parece. Mas não é verdade.
Quando esta taxa foi discutida em Sessão de Câmara em finais de Novembro de 2006, logo o Partido Socialista votou contra, mas o PSD absteve-se.
Mera distracção de momento? Nada disso. O Partido Socialista, em Dezembro de 2006, apresentou uma moção, nas Assembleias de Freguesia, contra a aprovação desta taxa e o PSD absteve-se em todas as votações feitas nas diversas freguesias.
Mais conscientes estiveram os comunistas na Assembleia de Freguesia de Corroios que também se abstiveram e permitiram que a moção aí fosse aprovada. Vamos lá ver se não vamos assistir em breve a umas expulsões do Partido, porque os soldados devem sempre obediência cega…
E no PSD? Convicção ou disciplina partidária?
Afinal se já os Vereadores do PSD se tinham abstido, porque haveriam os Membros das Assembleias de Freguesia de se preocupar com esta “pequena” taxa?
Além do mais, os comunistas até iam dizendo que andaram a gastar muito dinheiro com o tratamento dos esgotos e por isso precisavam agora dele para outras coisas… porque não acreditar que isso era verdade?
A população agitou-se, uma onda de repúdio foi crescendo contra a previsível aprovação da taxa; circula um abaixo-assinado, ouvem-se vozes que a população não quer engolir mais este sapo que os comunistas lhes querem impingir e, tocou finalmente uma trompeta nas hostes do PSD.
Alerta! Não nos podemos abster, que chatice…temos que votar contra a taxa porque senão podemos sair mal deste filme.
E, depois de se ter abstido 6 vezes lá teve o PSD de mudar de agulha e votar contra a aprovação da taxa de efluentes na Assembleia Municipal.
VALE MAIS TARDE DO QUE NUNCA.
A queda dos comunistas no poder há 32 anos teima em ser tardia, mas VALE MAIS TARDE DO QUE NUNCA. Essa queda já esteve mais distante.
Fonseca Gil
Advogado
Membro da Assembleia Municipal
Presidente da Concelhia do Partido Socialista do Seixal














