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Quotidianos

“Um olhar, o meu olhar…”Por Paulo Calhau

Confesso que não tenho particular prazer neste sucedâneo de especulações e insinuações que têm contemplado o principal responsável da governação.
Porque não aceito um primeiro-ministro do meu país fragilizado na sua credibilidade e seriedade.
Porque o PS, por razões que “entendo” numa perspectiva de luta política e partidária, se tem resguardado o quanto baste, não transmitindo qualquer sinal exterior de incómodo.

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“Um olhar, o meu olhar…” Por Paulo Calhau

Por Jornal Rostos

1. Não me arrependo, pelo menos até hoje, do que escrevi em 1 de Abril último, em Rostos Online, a propósito da “trapalhada” em que está envolvido o nosso primeiro-ministro, acerca da sua graduação universitária.
Os factos conhecidos nos dias subsequentes parece darem-me alguma dose de razão, no que se refere a um conjunto − infelizmente crescente e quase diariamente renovado − de dúvidas e suspeições, que José Sócrates teima em não esclarecer e clarificar.

Estranho que vozes e rostos tão relevantes da opinião pública, que leio e oiço com regularidade, pareçam desvalorizar a importância que este “folhetim” vem assumindo.
Admito estar errado e a ser excessivo na minha apreciação.
Mas agradeço que me apresentem argumentos mais substantivos e convincentes, para que eu possa, eventualmente, vir a rever a minha postura.

Confesso que não tenho particular prazer neste sucedâneo de especulações e insinuações que têm contemplado o principal responsável da governação.
Porque não aceito um primeiro-ministro do meu país fragilizado na sua credibilidade e seriedade.
Porque o PS, por razões que “entendo” numa perspectiva de luta política e partidária, se tem resguardado o quanto baste, não transmitindo qualquer sinal exterior de incómodo.
Porque o PS é um dos partidos mais importantes e fundamentais do arco governativo português. E estou convicto que para além da perda inevitável (?) de popularidade do primeiro-ministro, outras consequências − certamente mais gravosas para o PS e para a actual estabilidade governativa − poderão daí decorrer.

2. Continuando a navegar em águas do PS, lamento não ter podido estar presente, por razões desta vez estritamente profissionais, na sessão que a sua Comissão Política Concelhia promoveu no passado dia 13 no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro enquadrada no “Fórum Cidade” e subordinada ao Tema “Desenvolvimento Económico”.

É que nessa noite, a visita − mais uma − do Prof. António Câmara era razão naturalmente forte e apelativa para a minha presença, dada a sua excelência intelectual e invulgar capacidade comunicativa.
Retenho, da sinopse da sessão efectuada pelo ROSTOS Online, a afirmação do Prof. António Câmara de que o Desporto − “o princípio de uma indústria” − poderá ser um dos eixos de desenvolvimento do Barreiro e a referência ao Basquetebol do Barreirense como uma “marca”.

Palavras inegavelmente interessantes, mas cujo alcance não consigo entender em toda sua dimensão, por desconhecer o contexto em que foram proferidas.
Que consequências dessas palavras?
- um programa eleitoral do PS nas próximas eleições autárquicas com um enfoque renovado e renovador no que concerne ao papel do Desporto e do Barreirense na vida da Cidade?
- um outro empenhamento do Prof. António Câmara e da sua “Y Dreams” no projecto moderno, jovem, criativo e ambicioso do Barreirense Basket, afinal o paradigma da sua bem tão bem sucedida intervenção empresarial?

3. Na sua intervenção, o Prof. António Câmara terá ainda considerado que a música pode ser outra vertente de desenvolvimento económico do Barreiro, apostando em “transformar o Barreiro na Capital da Música ao vivo”.

Por falar de música, aplaudo, a excelente iniciativa do diário PÚBLICO, que tem vindo a editar um magnífico conjunto de CDs, numa colectânea de alguns dos mais importantes momentos e protagonistas da música portuguesa.
José Mário Branco é um dos protagonistas que me continua a fascinar, por razões umas vezes racionais, outras de contornos mais emocionais.
Disponho da totalidade da sua discografia, produzida antes e depois da Revolução de Abril, o que atesta o significado que as suas palavras e as suas músicas representam no meu gosto musical.
E os seu dois concertos, que nos últimos anos tive o prazer de assistir no Teatro Camões e no Coliseu de Lisboa, foram momentos que guardo na memória, pelo rigor, profissionalismo e competência demonstrados, apesar do tom panfletário que aqui e ali não consegue (não quer) deixar de expressar.

No passado 8 de Abril, após a compra matinal que sempre faço do PÚBLICO, ouvi a “Ronda do Soldadinho” (letra e música de José Mário Branco, 1969), produzida e editada no seu exílio por terras de França.
E lembrei-me, com emoção, da sua participação, logo após a sua chegada de Paris, num programa televisivo (julgo que num início de tarde de sábado de Maio de 1974). Nesse dia, José Mário Branco tocou e cantou a “Ronda do Soldadinho”, magnífica peça contra a Guerra Colonial.
Em entrevista ao PÚBLICO, José Mário Branco lembrou esse programa em que foi entrevistado, segundo disse, por Luís Filipe Costa.
E eu que pensava ter sido o Fernando Assis Pacheco…
Parafraseando o cantautor “houve aqui alguém que se enganou”…

4. Ainda a propósito do PÚBLICO, apetece-me saudar o regresso do Prof. Eduardo Prado Coelho, excelente intelectual que me habituei a ler e a respeitar, pela simplicidade da sua escrita e pela multiplicidade de temas abordados, quando no formato de crónica jornalística.
Bem sei que os comunistas não suportam a sua saída do PCP − após passagem efémera − como de resto sempre aconteceu com todos quantos renegaram a sua ideologia e praxis políticas.
Bem sei que o Prof. Eduardo Prado Coelho teve, noutros momentos já posteriores, oscilações no seu pensamento que alguns foram interpretando como oportunistas e levianas.
Mas para mim, importa sobretudo a figura do intelectual, do pensador e do escritor, que na esteira de seu pai, cultiva um pensamento livre e libertador.
Aparentemente recuperado da sua incómoda doença, Eduardo Prado Coelho está de regresso ao nosso convívio.
Para seu bem. E para meu consolo…

5. Aparentemente mais influente na opinião pública, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa prossegue na comunicação social escrita e televisiva, a sua prolífica intervenção, geralmente considerada muito brilhante, pela retórica, acutilância e dialéctica que imprime às suas participações.

No passado domingo, nos diálogos com a jornalista Maria Flor Pedroso (RTP 1) e a propósito das eleições presidenciais gaulesas, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa exprimiu a ideia de que até gostaria de votar em Ségolène Royal, candidata oficial do PSF, não fora a sua suposta pobreza de ideias e os disparates que a candidata foi, na opinião do Professor, acumulando.

Sinceramente… Prof. Marcelo!
O senhor, que assume com tanta clareza a sua legítima e fundamentada posição ideológica de direita, poderia alguma vez colocar-se, numa disputa com as características da eleição presidencial francesa e do país França, no campo da esquerda socialista, que tão jocosamente apelida de jacobina?

Não percebo.
E mais… não acho sério!

6. Com seriedade, mas pouca criatividade, decorreu, completa-se esta noite uma semana, a sessão solene do 96º aniversário do FC Barreirense.
Alguma comunicação social, da forma politicamente correcta que eu antevi em textos publicados em ROSTOS Online, preferiu destacar a participação de Daúto Faquirá (ex-treinador de futebol sénior do clube nas épocas de 2003/4 e 2004/5).

Estou de acordo que a sua passagem pelo meu clube se revestiu de inegáveis sinais de profissionalismo e competência e que a sua figura permanecerá para sempre respeitada no seio da massa adepta Barreirense.
Mas considerar, como foi feito por alguns, a presença de Daúto Faquirá o “momento da noite” é escamotear a realidade, falsear a verdade, atirar com poeira para olhos mais desatentos.
Olhos desatentos que julgo não serem os meus.
E por isso, não posso deixar de sublinhar, que em contraponto a intervenções menos adequadas e ajustadas à circunstância, coube ao Presidente da Assembleia Geral do FC Barreirense, Dr. António Sardinha, a intervenção mais importante, mais brilhante e mais profunda da noite de 11 de Abril.
Tentarei explicar porquê, em momento oportuno.

Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)

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