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Quotidianos

Um novo aeroporto quase (?) perfeitoPor Joaquim EscovaL

E finalmente mas talvez o mais importante, não é verdade que será muito mais económico ao país efectuar as obras necessárias para adaptar o aeroporto de Beja a um aeroporto alternativo a Lisboa e a Faro do que fazer um aeroporto de raíz ainda por cima com os problemas que se levantam ás outras soluções até agora avançadas?

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Por Jornal Rostos

Numa época em que apertar o cinto surge como palavra de ordem fundamental o país prepara-se para assumir o compromisso de construir um novo aeroporto que envolverá custos enormes.
Da necessidade de encontrar soluções para os aeroportos de Lisboa e Faro cujas capacidades de ampliação estão praticamente esgotadas ninguém duvida.
Da ameaça de muitos clientes dos aeroportos nacionais serem captados pelo aeroporto de Badajoz que bem junto da fronteira se prepara para ser largamente beneficiado também não restam dúvidas.
Que o destino de muitos dos passageiros que demandam os aeroportos de Lisboa e Faro são o litoral alentejano e o Algarve e que esses destinos a sul serão ampliados com o empreendimento de Tróia e ao que se anunciam para a região da barragem de Alqueva também é claro.
O norte de Portugal está servido pelo aeroporto de Sá Carneiro.

Facilmente constatável também é a possibilidade de atingir primeiro o centro de Lisboa vindo do Sul através das três pontes que atravessam o Tejo( sendo que a terceira, Barreiro-Chelas está quase em inicio de construção e que ainda poderá contemplar a travessia rodoviária) do que vindo do norte .
Do debate público gerado em Portugal em torno da construção do novo aeroporto ressaltam ainda as constatações evidentes:
-os problemas ambientais que se colocam quer por causa do lençol aquífero onde assenta Rio Frio e as Faias que pelo abate de grande numero de sobreiros que esta solução iria acarretar.
-as limitações de ampliação e os encarecimento bastante acentuado da solução OTA em virtude do terreno pantanoso onde se pretende erigir esta nova infra estrutura o que obrigará a grandes deslocações de terras.

O ministro Mário Lino afirmou publica e recentemente que estaria disposto a encarar outras soluções que não a OTA e mas que isso seria um milagre acrescentando que não acredita em milagres.
Em declarações aos órgãos de informação, (Diário Económico de 19/4/07) o mesmo ministro admite a construção de um segundo aeroporto se a Portela esgotar antes da OTA estar construído e “ se aparecer uma coisa aceitável (alternativa) perfeita, perfeita, terei de encará-la”.
Não queremos abordar a qualidade dos estudos que agora justificam a possibilidade da construção de um segundo aeroporto nem as verbas a acrescer à construção do aeroporto da OTA que isso acarreta necessariamente.

Sobre isso manifestamos por agora sómente a nossa perplexidade.
Cabe assim tentar ajudar ao milagre de facultar uma solução mais rápida , mais eficiente e mais , muito mais barata ao país do que as duas que colocam diariamente á consideração dos portugueses.
Não é verdade que BEJA já tem um aeroporto construído pelos alemães e que agora está destinado a fins civis?
Não é verdade que esse aeroporto tem capacidades ilimitadas de ampliação e não levanta problemas ambientais?
Não é verdade que, como nenhuma outra solução, este aeroporto está melhor situado para combater a concorrência do aeroporto de Badajoz?
Não é verdade ainda que como nenhuma outra solução o aeroporto de Beja está mais perto dos grandes destinos turísticos para onde vão os passageiros de Lisboa e Faro?
Não é verdade ainda que apesar da distancia que medeia Beja de Lisboa os acessos quer pela rodovia existente, quer pela ferrovia que também serve Beja, não tornam muito diferentes os tempos de deslocação comparados com os aeroportos que servem as outras capitais europeias?

E finalmente mas talvez o mais importante, não é verdade que será muito mais económico ao país efectuar as obras necessárias para adaptar o aeroporto de Beja a um aeroporto alternativo a Lisboa e a Faro do que fazer um aeroporto de raíz ainda por cima com os problemas que se levantam ás outras soluções até agora avançadas?
Claro que forças muito poderosas se movem em torno deste problema sejam as que tentam viabilizar os investimentos em terrenos que efectuaram, quer sejam as construtoras que querem aumentar a facturação das suas empresas e manter os postos de trabalho quer ainda de algumas autarquias que vêem na construção de um aeroporto nas suas proximidades a oportunidade de evolução que até agora o poder lhes tem negado.

Mas sendo legítimos todos estes desejos há um valor muito maior a conjugar .o interesse nacional e este pode apontar par aproveitar o aeroporto de Beja disponibilizando recursos para a satisfação dos anseios das povo português.
Há em Portugal uma imensidão de tarefas que requerem apoios: hospitais , centros de saúde, escolas, prisões, esquadras e estradas a construir ou recuperar e muita gente a formar e educar.
Não vivemos tempos que nos deixem permitir aos nossos governantes esbanjar as verbas que tanto nos custam a pagar no final de cada mês ou de cada transacção.
È possível o milagre de que fala o ministro Mário Lino e ele pode acontecer em Beja.

Joaquim Escoval

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