Nomeação de Bruno Vitorino para a Agência Local de Energia Barreiro – MoitaPor António Pires Amado
Por Jornal Rostos
Foi com grande satisfação mas também com pesar, que ontem, dia 17 de Maio, tive a oportunidade de ler um artigo no Rostos On Line, leitura obrigatória desde o seu surgimento, em que se deu conta que em reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, realizada dia 16 deste mesmo mês, em Coina, o Vereador Bruno Vitorino, foi nomeado e ratificada a sua nomeação, para o exercício do cargo de representante da Câmara Municipal do Barreiro, na Agência Local de Energia Barreiro-Moita.
Enquanto companheiro político de Bruno Vitorino não podia ter ficado mais contente, pois a sua competência para o exercício dessa ou de quaisquer outras funções que se lhe possam deparar na sua vida político-profissional, nunca foi nem poderá ser questionada. Um homem, em cargos públicos, vale pelo trabalho que apresenta e o trabalho que Bruno Vitorino tem vindo a desenvolver no âmbito da sua actividade politica e do seu pelouro camarário em particular, fala por si mesmo.
Quem me conhece, sabe que sou uma pessoa de princípios e pauto a minha actuação na vida civil barreirense, dentro dos parâmetros daquilo em que acredito e quando me foi proposto aderir a uma causa que visava o desenvolvimento e o bem estar da população barreirense, através da representação possível no executivo camarário, não questionei nem por um momento, o projecto e a pessoa que o encabeçava e que me convidou para lutar a seu lado.
Por isso, foi com tristeza que tomei conhecimento do episódio que rodeou a nomeação mencionada, pois não obstante a mesma se revestir de uma responsabilidade para a qual sei estar o Vereador Bruno Vitorino mais do que apto e capacitado para o seu desempenho, o mesmo artigo noticioso, tal como prescrevem os cânones do bom jornalismo, fez questão de mencionar a votação efectuada, que supostamente sendo secreta, se tornou pública e personalizada. Tal situação não seria de todo incompreensível, não fosse o facto de após o anuncio dos resultados da votação, Amílcar Romano, Vereador eleito pelos votantes do Partido Socialista, ter feito questão de tornar público que o voto contra registado, tinha sido o seu voto.
Não vou questionar a posição politica do Vereador Amílcar Romano. Não me arrogo esse direito nem tão pouco da presunção de poder julgar, mesmo que de forma indelével, posições políticas pessoais com as quais não concordo. Estaria a actuar da mesma forma que o senhor Vereador mencionado. No entanto, senti-me no direito de escrever estas poucas linhas para, de forma directa, e enquanto cidadão do Barreiro, poder dar conta do porquê da minha tristeza.
Não são atitudes de “Votos contra” ou “votos a favor” que devemos questionar. A liberdade é a expressão máxima dessa prerrogativa. Além de que a política é mesmo assim e contra isso não seremos nós que nos iremos insurgir. O que eu questiono, e esse direito ninguém me pode negar, é a atitude de querer tornar público uma tomada de posição que supostamente se pautaria pelo secretismo, e cujo conhecimento geral nada mais teve de profícuo do que contribuir para “alimentar” uma luta pessoal e particular, fomentando simultaneamente a propagação de um continuo mau estar camarário entre iguais.
A Politica pode ser muita coisa, mas o Barreiro é bem mais importante do que quaisquer lutas particulares pelo poder ou afrontas públicas, noticiadas com vista a denegrir a imagem de alguém, que supostamente está a ganhar protagonismo “apenas por estar a trabalhar”.
Não é isto que eu espero da política e penso que, certamente, não serão atitudes desta natureza que os Barreirenses esperarão dos seus eleitos locais. Há muito por que lutar e questionar nas acções do executivo camarário. Há muito que fazer pelo Barreiro. Não utilizemos o palco da política para tentando denegrir terceiros, fazer sobressair um nome ou uma pessoa que em termos práticos e de acção politica, já nada faz nem nada tem feito para se destacar na luta dos direitos dos cidadãos barreirenses. Que os barreirenses tenham consciência disso na próxima vez que lhes pedirem para votar conscientemente.
Tive ainda ocasião para ler no Rostos On Line, uma frase inclusa nos pensamentos do dia, a que António Sousa Pereira já nos habituou, que retrata fielmente o episódio narrado e que foi, na sua essência, o “leitmotive” que me levou a escrever este texto.
Os políticos do nosso concelho, do país, e quiçá, do mundo, deveriam sempre pautar a sua actuação nunca esquecendo o conteúdo da mesma:
“A fama é fumo, a popularidade um acidente, as riquezas ganham asas. Apenas um coisa perdura: o carácter”
Horace Greeley – Político e Escritor
Que o carácter de cada um seja o espelho da sua acção politica quotidiana. Se isto vier a acontecer, se os senhores vereadores pautarem a sua actuação tendo em conta a ideia basilar da social democracia contida nesta simples frase, e não esquecerem a essência do seu conteúdo, então sim, estaremos no bom caminho para lutar por uma sociedade mais justa onde o objectivo é comum a todas as forças politicas – desenvolvimento e crescimento económico do concelho que dizemos defender-, e onde episódios como o sucedido no passado dia 16 deixarão de fazer sentido porque, acima de tudo, perdurará o carácter das pessoa que elegemos.
António Pires Amado
Militante do PSD














