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Quotidianos

SOBRE A OPINIÃO DO MINISTRO MÁRIO LINO ACERCA DA MARGEM SULDA TEORIA DO DESERTO … À TEORIA DA PARVOÍCE !
Por Rui Ferrugem

Tal falta de humildade, tal sobranceria, só pôde encontrar eco no persuasivo comentário do Presidente do PS, Dr. Almeida Santos, que, reconhecendo, é certo, algum exagero, apressou-se a justificar que o “mal” (!) do Sul são as “pontes” (!) e que com os “atentados” (!) que hoje em dia podem ocorrer, se, porventura, se “dinamitasse” (!) uma ponte, o país ficaria “partido” (!), etc, etc..

Na verdade, depois da Teoria do Deserto …. A Teoria da Parvoíce !

4 min de leitura

Por Jornal Rostos

As declarações do Ministro Mário Lino, profusamente divulgadas pela comunicação social, causaram uma evidente onda de indignação e protesto por parte de quem, seja simples munícipe ou represente entidades de todo o cariz político, autárquico, cultural, desportivo, etc. tenha raízes profundas no universo que alguém, um dia, apelidou de Margem Sul ou a “Outra Banda”.

Não vou realçá-las (não merece a pena), antes, prefiro equacionar como um político com evidentes responsabilidades governamentais, revela, na “cegueira” da defesa de um projecto, a ausência de respeito pelo todo nacional, estigmatizando uma zona ou zonas do território, na qual evidencia a sua opção pessoal pela dispensa da necessidade imperiosa de investimentos de grande vulto – “é um deserto, não tem pessoas, não tem cidades, nem hospitais, etc., etc..”

A Margem Sul é uma das zonas do país, onde após o 25 de Abril, maiores índices de desenvolvimento se conheceram, não só ao nível básico (cobertura de saneamento e de fornecimentos de água e de energia eléctrica), como de equipamentos educativos, desportivos, recreativos, culturais e de lazer, tudo isto mesclado por um vasto movimento associativo, que ainda hoje se mantém – o que não se manteve foi o nível de emprego, sendo hoje uma das regiões que, em termos relativos, maior taxa de desemprego evidencia. E quanto ao PIDDAC, é ver as significativas reduções dos últimos anos !

Sou economista, interessando-me, sobretudo, pela microeconomia, mas não deixei, quer nos tempos de estudante, quer, mais tarde, nos diferentes percursos profissionais, de ponderar sobre estratégias, planeamento, políticas, programas, enfim, de concretizar opções que conduzissem e conduzam ao desenvolvimento, entendido como o conjunto das melhores soluções que se traduzem na elevação dos níveis da qualidade de vida de todos.

Não creio estar sozinho nesta análise; muito, mas mesmo muito antes, já outros em diferentes zonas do globo, defenderam e concretizaram investimentos para zonas carenciadas – mesmo literalmente desertos – para implementarem dinâmicas de crescimento, esbaterem desigualdades territoriais e sociais, promoverem maior equidade de oportunidades entre regiões, beneficiando com isso o todo dos seus respectivos países.

Exageros como este, nos governos de países em que os políticos têm pudor e alguma dose de vergonha, não passariam em claro e se estivesse no lugar do 1º Ministro de Portugal … obviamente demitiria um Ministro que demonstrasse tanta ausência de capacidade de considerar um país como um todo e o confessasse como argumentação justificativa.

No mínimo obrigá-lo-ia, politicamente, a pedir humildemente desculpa pelos despautérios proferidos !

Só que tal, em Portugal, destes governantes, é improvável esperar !

Pelo contrário, a justificação seguinte foi ainda e, novamente, o insulto – não perceberam o que disse; as referências do Sr. Ministro, não foram acerca da Margem Sul, mas … um pouco mais abaixo (Rio Frio, Poceirão e/ou Faias) e quem se indignou apenas revela que não tem argumentos face à Ota !

A ideia é clara; acerca da oratória ofensiva não se pede desculpa – os outros é que não percebem, não alcançam !

Tal falta de humildade, tal sobranceria, só pôde encontrar eco no persuasivo comentário do Presidente do PS, Dr. Almeida Santos, que, reconhecendo, é certo, algum exagero, apressou-se a justificar que o “mal” (!) do Sul são as “pontes” (!) e que com os “atentados” (!) que hoje em dia podem ocorrer, se, porventura, se “dinamitasse” (!) uma ponte, o país ficaria “partido” (!), etc, etc..

Na verdade, depois da Teoria do Deserto …. A Teoria da Parvoíce !
Só nos faltava mais esta !
Por favor, demitam-se e deixem-nos em paz !

Rui Ferrugem
Economista e Deputado Municipal (CDU)

Nota Final » já agora, aproveitam as Feiras do Livro e leiam qualquer coisa sobre Estratégia e Planeamento Integrado e também sobre … Boas Maneiras !

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