Ambiente, de verdadePor Nuno Cavaco

Por Jornal Rostos
O Dia Mundial do Ambiente é comemorado a 5 de Junho e nesta ocasião inúmeras actividades são realizadas. As comunidades esforçam-se por incutir nos mais novos valores ambientais que certamente irão dar frutos no amanhã.
O Ambiente está no centro da agenda política e é uma das maiores preocupações dos governantes a nível mundial. Nos últimos anos foram realizados milhares de estudos sobre esta temática o que muito contribuiu para um melhor conhecimento da nossa casa, o planeta Terra mas que, também originou novas dúvidas.
Estando o ambiente no centro da discussão é normal e louvável que a comunicação social lhe dedique atenção. O estranho é muitas conclusões de alguns dos estudos realizados não sejam difundidas e só apenas algumas, dentro de uma tendência, sejam agraciadas com esta dedicação. Refiro-me por exemplo ao Clima. Hoje em dia ninguém no seu perfeito juízo nega que existem variações climáticas na Terra. O Clima da Terra é dinâmico, por exemplo, na Idade Média ocorreu um período, o chamado Óptimo Medieval, em que as temperaturas eram mais elevadas do que na actualidade, e mais tarde, por volta de 1700, registou-se um episódio climático, a Pequena Idade do Gelo, em que as temperaturas eram inferiores às que hoje registamos. O Rio Tamisa gelava.
A esta variabilidade climática alia-se um grande problema humano. O homem ainda hoje não consegue compreender na integra o sistema climático porque este é influenciado por inúmeros factores, alguns internos como as correntes marinhas e outros externos como a actividade solar. Ora isto não impede que alguns, mesmo sem terem certezas, passem uma mensagem catastrófica.
Fala-se muito em aquecimento global mas se perguntarmos a muitos dos que falam qual o valor de aquecimento registado, ficaremos a saber que a grande maioria não o conhece. O valor de aquecimento de que tanto falam é 0,6ºC 0,2ºC, ou seja entre 0,4 e 0,8ºC num período de cerca de 140 anos, de 1860 a 2000.
Se entrarmos em linha de conta com os dados recolhidos com recurso a novas técnicas de medição de temperatura (aparelhos de medição em satélites) estes dados não são confirmados.
No entanto estas dúvidas não impediram que o anunciado aquecimento global não fosse constantemente noticiado. Hoje sabemos quando um mês é o mais quente dos últimos 5 anos! Apesar disso, não sabemos porque não se difunde, que o registo da temperatura oceânica na Califórnia é excepcionalmente baixo, isto é a temperatura da água nessa região é este ano anormalmente baixa.
Ao mesmo tempo que isto acontece os governos gastam milhões em campanhas de sensibilização e aprovam taxas que fazem recair no contribuinte. Querem-nos fazer acreditar que somos os responsáveis pela degradação do ambiente. Somos TODOS responsáveis e TODOS temos um papel na preservação do ambiente, mas não somos TODOS os maiores responsáveis. Sabemos que os recursos do planeta são finitos e também sabemos que hoje em dia consumimos demais apesar de uma grande parte da humanidade não os consumir. Um melhor ambiente passa por dizer a verdade às pessoas e a verdade é que nós nos países considerados desenvolvidos consumimos demais; a verdade é que nos países sub-desenvolvidos se consome de menos; a verdade é que produzimos demais e a forma como produzimos não é a mais correcta. Colocar o peso da degradação ambiental sobre cada um de nós, meros cidadãos, é tudo menos sério. Temos de ter consciência que os problemas ambientais têm uma raiz e essa assenta nas bases do capitalismo. A consciência de que cada um de nós pode fazer um melhor ambiente passa por exigir aos governos e aos senhores do capital que eles também o façam. Que assumam que as diminuições de consumo são o caminho, que os métodos de produção parasitários não são o caminho num planeta em que os recursos são finitos.
Enfim há que exigir a verdade, por um bom ambiente de todos e para todos.
Nuno Cavaco
Membro da Direcção Regional
de Organização de Setúbal
do Partido Comunista Português














