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Quotidianos

A PENÍNSULA DE SETÚBALPor Miguel P. Amado
Presidente do PSD -Barreiro

Nesta altura em que se luta por demonstrar ao governo central que os investimentos estruturantes para o desenvolvimento do país têm de passar pelo nosso distrito de Setúbal, temos que nos juntar e articular posições fundamentadas e credíveis por forma a por todos serem aceites e assumidas como desígnio comum.

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A PENÍNSULA DE SETÚBAL Por Miguel P. Amado Presidente do PSD -Barreiro

Por Jornal Rostos

Tendo dado o relativo valor às palavras do ministro deste governo socialista o qual considera a margem sul do Tejo um deserto, todos, após análise das mesmas palavras conseguimos, sem excepção, chegar a uma conclusão. O Senhor Ministro não sabe do que fala!.
É um facto que não tem só esse protagonista neste governo, antes pelo contrário é secundado por um conjunto de actores que pelo seu silêncio concordante o apoiam.
Mas, porque da península de Setúbal este governo tem uma noção errada talvez fosse oportuno recordar que já hoje somos mais de 800.000 pessoas, que fazemos parte do conjunto dos distritos que mais impostos paga no contexto nacional e que possuímos um território de elevado potencial natural e humano que se impõe não menosprezar.

Não deixa, por outro lado, de ser verdade que os investimentos que o governo central tem viabilizado para a península se arrastam no tempo e não têm conseguido dinamizar toda uma região cujas capacidades próprias que possui urge explorar de forma sustentável.
Os investimentos infraestruturantes continuam por desenvolver ou a pautar-se por ritmo lento, caso das acessibilidades - com a nova travessia do Tejo e as alternativas de ponte ou túnel, da mobilidade interna da península – com a conclusão do IC 32, o nó da Quinta do Conde e a conclusão do projecto do Metro Sul do Tejo com extensão até à Moita, e de sectores tão básicos como a gestão das reservas estratégicas de água. Por outro lado, a dinâmica da própria península, das suas gentes e das suas iniciativas têm dado a conhecer o potencial de desenvolvimento intrínseco que, só não surge mais rápido apenas devido ao travão que o poder central coloca às suas estratégias.

Os diversos sectores de actividade que hoje actuam na península como, a área da electrónica, do automóvel, do papel, dos adubos, do turismo, da agricultura, de logística e da pesca, necessitam de infra-estruturas cuja responsabilidade de desenvolvimento cabe à iniciativa do poder central. Estes sectores deparam-se com problemas ambientais decorrentes da ausência dessas infra-estruturas em tempo útil e essenciais à sua correspondente contrapartida na criação de emprego e de valor acrescentado para o próprio País. Entre estes sectores hoje também essenciais à região estão as suiniculturas, a vinha, a aquacultura, a floricultura, a bovinicultura e a queijaria entre outros.
O sector do tratamento dos efluentes das águas residuais avança veloz com base num calendário apertado, mas é urgente que os restantes sectores o sigam. A necessidade de uma rede de gestão e distribuição eficiente de água, o tratamento dos efluentes das suiniculturas (sector este em que o país importa mais de 50% da carne de porco que se consome), a agricultura e a floricultura com a sua quota de responsabilidade na contaminação dos aquíferos, são tudo urgências para as quais os actores com responsabilidade na península têm consciência da premência de intervenção e reclamam apoios.

Por outro lado, apesar de existirem tantas urgências não nos podemos esquecer dos problemas ambientais herdados cujo passivo importa solucionar como sejam as áreas da Lisnave, da Siderurgia e da Quimiparque bem como os inúmeros parques de sucatas espalhados por toda a península, a par com os problemas não herdados e que reiteradamente à península querem impor como a situação da Co-incineração no Parque Natural da Arrábida.
Contudo e porque no meio de tantas potencialidades surgem sempre campos para a rejeição de oportunidades por falta de estruturação ou de suporte político adequado. Sinal disto mesmo é a ausência de uma entidade de gestão territorial capaz, aberta e verdadeiramente participada que desenvolvesse de forma estruturada e sistematizada plano estratégico do qual fosse visível as diferentes prioridades e faseamentos de investimentos de modo a constituir caderno de acção integrado e acordado por todas as entidades políticas, públicas e privadas da região, tanto mais que o calendário da atribuição das verbas do QREN se avizinha e as divisões a ninguém beneficiam.

Nesta altura em que se luta por demonstrar ao governo central que os investimentos estruturantes para o desenvolvimento do país têm de passar pelo nosso distrito de Setúbal, temos que nos juntar e articular posições fundamentadas e credíveis por forma a por todos serem aceites e assumidas como desígnio comum.
O Presidente da República deu o mote neste dia 10 de Junho de 2007 em Setúbal, não podemos perder tempo.
A presença representativa na capital de distrito do Presidente da República é um sinal da necessidade de se dirigirem investimentos para a região, há pois que unir e estruturar esforços para uma acção conjunta vitoriosa.

Miguel P. Amado
Presidente do PSD-Barreiro

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