Saltar para o conteúdo
Quotidianos

A IMPORTÃNCIA DO AQUÍFERO DA MARGEM SUL NO SÉCULO XXIPor José Bastos

Não sou um especialista na matéria mas tenho os conhecimentos suficientes para perceber que os terrenos agrícolas da nossa região e o aquífero nos vão fazer enorme falta no século XXI se as reservas de combustíveis fosseis continuarem a diminuir e as alterações climáticas com secas prolongadas alternando com chuvas torrenciais.

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

Sempre se falou pouco do aquífero da nossa região e só ultimamente a propósito da localização do novo aeroporto na margem sul do Tejo se tem discutido a sua importância para o nosso viver colectivo. Existem dois aquíferos: o superior 10m a 50m de profundidade e o inferior a mais de 200 m.

Antes de haver água canalizada para abastecimento público, captávamos este precioso líquido no aquífero superior, com abertura de poços de profundidade 6m a 20m para consumo humano e utilização agrícola. Havia poços públicos e nos quintais. Muitas vezes o poço era aberto em cima da partilha de dois quintais para servir duas famílias.

Os primeiros furos para abastecimento de água ao Montijo, captaram água no aquífero superior a cerca de 40m.

Presentemente o aquífero superior está contaminado com azotos/nitratos da actividade humana, especialmente da agricultura e pecuária intensivas. A água deste aquífero está imprópria para consumo humano mas pode ser utilizada na agricultura. A maior parte dos poços secaram devido à abertura de muitos furos e às secas prolongadas.

A Câmara de Montijo, hoje, vai captar a água para consumo humano no aquífero inferior a uma profundidade de 230m, onde obtém cerca de 50/60 litros de água por segundo, de muito boa qualidade,

A água do aquífero da nossa região é de importância estratégica no século XXI parra toda a Área Metropolitana de Lisboa. Esta grande quantidade de água subterrânea que existe aqui vai ser de importância vital para consumo humano e uso agrícola num tempo em que existem grandes alterações climáticas e as reservas de combustíveis fosseis estão a diminuir todos os dias.

As energias deixaram de ser baratas para passarem a ser caras. Com o aumento do consumo dos combustíveis fósseis, na Índia e na China e a guerra no Médio Oriente é fácil de prever que a médio prazo vamos ter outro choque petrolífero de grandes dimensões na economia, com o consequente aumento dos produtos derivados do petróleo para preços impossíveis de prever.

O aumento dos combustíveis vai encarecer os transportes de tal forma que não é possível andar a transportar produções agrícolas de uns países para os outros. Penso que cada região terá que produzir os produtos que consome e nós temos aqui todas as condições para os produzir: água em quantidade, muitos milhares de hectares de solos aráveis e um mercado junto à produção de milhões de pessoas que podem comprar produtos agrícolas e frutas frescas de qualidade. Também a pecuária em pastagens ou intensiva nos poderá fornecer carnes de qualidade.

Não sou um especialista na matéria mas tenho os conhecimentos suficientes para perceber que os terrenos agrícolas da nossa região e o aquífero nos vão fazer enorme falta no século XXI se as reservas de combustíveis fosseis continuarem a diminuir e as alterações climáticas com secas prolongadas alternando com chuvas torrenciais.

O Governo, as autarquias e a população em geral, apoiados em técnicos especialistas acima de toda a suspeita, têm que gerir o nosso território baseados num grande conhecimento do que se passa com o nosso aquífero, dada a importância que ele vai ter nas gerações futuras.

José Bastos

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção