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Quotidianos

TRABALHADORES NÃO SÃO DESCARTÁVEISPor Daniel Bernardino

Os senhores que pretendem que os trabalhadores sejam tratados da forma como se apresenta o documento tornado público , "Posição Comum das Confederações Patronais sobre o Quadro de Revisão do Código do Trabalho e respectiva Regulamentação" , não pretendem o desenvolvimento do País, mas sim o seu retrocesso!

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TRABALHADORES NÃO SÃO DESCARTÁVEIS Por Daniel Bernardino

Por Jornal Rostos

A CAP - Confederação dos Agricultores de Portugal, a CCP - Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, a CIP - Confederação da Indústria Portuguesa e a CTP - Confederação do Turismo Português tornaram pública uma posição conjunta, intitulada " Posição Comum das Confederações Patronais sobre o Quadro de Revisão do Código do Trabalho e respectiva Regulamentação".

Esta posição das associações patronais, que certamente se enquadra nos Países em que os trabalhadores laboram de sol a sol , sem direitos ou regalias sociais, que servem apenas para enriquecer os grandes capitalistas e enfraquecer o desenvolvimento dos Países e dos seus trabalhadores, não nos serve!

Os senhores que pretendem que os trabalhadores sejam tratados da forma como se apresenta o documento tornado público , "Posição Comum das Confederações Patronais sobre o Quadro de Revisão do Código do Trabalho e respectiva Regulamentação" , não pretendem o desenvolvimento do País, mas sim o seu retrocesso!

No que diz respeito aos representantes dos trabalhadores que são essenciais numa sociedade democrática em que se quer cada vez mais o diálogo e a participação no desenvolvimento dos trabalhadores e das empresas, considero um erro estratégico afirmar que devem ser limitados os direitos das Comissões de Trabalhadores(CT) , parecendo as empresas que o seu desenvolvimento não acontece pelo facto de os trabalhadores serem representados pelas CT´s e pelos direitos que estas exercem.

Se olharmos às boas práticas das empresas multinacionais, que preferem a existência de Códigos de Ética à conflitualidade, pois com estas medidas que defendem as associações patronais deixam vulneráveis trabalhadores e empresas ao conflito, podemos depreender que nos Códigos de Ética onde estas multinacionais que defendem:
A participação dos representantes dos trabalhadores, o diálogo e a manutenção ou obtenção de acordos que satisfaçam ambas as partes, os objectivos destas associações Portuguesas deixam muito a desejar e comprometem o futuro do País, que muito têm a aprender com a gestão destas multinacionais que por vezes fazem excelente gestão com as leis que temos em Portugal.

O futuro das empresas Portuguesas não passa pela mudança da legislação laboral, mas pelo investimento na formação dos seus trabalhadores, no investimento em novas tecnologias e não em trabalhadores precários tal como assistimos no que se passa em algumas empresas , um pouco por todo o País, mas principalmente no Centro e Norte do País com elevadíssimos índices de precariedade que atrasam o desenvolvimento de empresas e trabalhadores que ficam para trás na concorrência global utilizando os trabalhadores como se estes fossem descartáveis.

Será que estas associações Patronais já se questionaram sobre as diferenças que existem no know how entre cada zona do nosso País e porque são as diferenças muito acentuadas ? Talvez porque o investimento na formação faz parte da gestão destas empresas que fazem equipa com os trabalhadores e se colocam ao lado deles com um compromisso de uma equipa que joga para um único objectivo, o de vencer a competitividade.

Daniel Bernardino
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia
Parque Industrial Autoeuropa

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