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Quotidianos

De Mercado proscrito a …Por Humberto Candeias

A Câmara ao reconhecer a importância social cultural e económica do mercado para a cidade, deveria assumir-se como um catalizador da sua dinamização envolvendo necessariamente as pessoas e as entidades com interesse directo no processo.

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De Mercado proscrito a … Por Humberto Candeias

Por Jornal Rostos

A sessão da Assembleia Municipal do Barreiro do passado dia 31 de Julho, foi formalmente e de facto uma sessão extraordinária. Pela primeira vez neste mandato tivemos uma sessão da A.M. muito participada pelos cidadãos, questionando a justiça de uma decisão da sua Câmara Municipal, a da extinção do Mercado da Verderena.

A simplicidade, o respeito e a dignidade com que expuseram os seus dramas pessoais constituiu uma lição de civismo para a comunidade. Os seus argumentos, melhor do que quaisquer outros, mostram a barbaridade da decisão da Câmara Municipal.
A Câmara ao decidir pela extinção do Mercado e pela cessação da condição de vendedor ambulante dos seus vendedores, sem qualquer planeamento ou preparação de uma alternativa, não apenas se demitiu de uma responsabilidade legal que a Lei das Autarquias lhe atribui como revelou a maior das insensibilidades sociais, dado muitas das pessoas que ali vendem têm aí a sua forma de subsistência.
Uma cidade coesa, inclusiva e pacífica faz-se também com a coexistência de diferentes tipos de mercado, integrando no espaço público todas as pessoas, de todas as etnias e de todos os estratos sociais.

O mercado semanal de levante no Barreiro tem vindo a ser um mercado mal-querido, desterrado e esta última decisão constitui o corolário de uma atitude política geral de desinvestimento e meramente reactiva.
De mercado proscrito, o mercado de levante no Barreiro passou a inscrito, depois da A.M. de 31 de Julho de 2007. Jamais será possível apagar a importância dos testemunhos das famílias e utentes que vivem o mercado.
Sobre o pedido de convocação desta Assembleia pelo Bloco de Esquerda e Partido Socialista há a salientar o mérito de terem compreendido a dimensão do problema criado pela extinção do mercado. Por esta via encontrou-se uma forma de discutir democraticamente com todas as forças políticas e os cidadãos, quer os directamente envolvidos no mercado, quer outros, o que estava verdadeiramente em causa, contribuindo para a correcção desta flagrante injustiça. A participação das pessoas na vida da cidade, deve acontecer quando é importante para elas e não apenas quando a CMB decide marcar as suas sessões das opções participadas com os temas que entende convenientes.

As reacções políticas da área do PCP/CDU a esta assembleia mostra que não entenderam a dimensão do problema e de forma automática e acrítica persistem na defesa da decisão da Câmara, veiculando mesmo informações não verdadeiras, como a de que a Câmara tinha a obrigação imediata de cumprir o solicitado pelo F.C.Barreirense. Falam de chicana política e outros mimos quando assistimos a um raro momento de encontro entre cidadãos com um problema grave e os órgãos que os devem representar.
Melhor seria que o PCP e a CDU ajudassem a CMB a perceber que lhe compete liderar o processo da modernização do mercado, de melhorar as suas condições sanitárias e também a sua relocalização. E liderar não significa fazer e muito menos assumir uma responsabilidade exclusiva. A Câmara ao reconhecer a importância social cultural e económica do mercado para a cidade, deveria assumir-se como um catalizador da sua dinamização envolvendo necessariamente as pessoas e as entidades com interesse directo no processo.

Humberto Candeias
Bloco de Esquerda Barreiro

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