Salários que não esticamPor Nuno Miguel Fialho Cavaco

Por Jornal Rostos
Segundo dados publicados no mês de Maio pelo Gabinete de Estatística Europeu (EUROSTAT), os trabalhadores portugueses, no ano de 2006, tiveram uma redução média do seu poder de compra de 0,9 %, a maior nos últimos 22 anos. Só em 1984, é que se observou uma perda superior. Nesse ano os salários foram reduzidos 5,6 %. Encontrávamo-nos novamente sobre a égide de um governo socialista.
No entanto esta perda de poder de compra não é alastrada a todos os sectores da sociedade portuguesa. Se compararmos a evolução da desigualdade na distribuição do rendimento em Portugal e na União Europeia, no período compreendido entre 1995 a 2005, verificamos que na União Europeia, a diferença entre os salários mais altos e mais baixos baixou de 5,1 vezes para 4,8 vezes ao passo que em Portugal esta diferença aumentou dos 7,4 para as 8,2 vezes. Ou seja, no nosso país a justiça salarial diminuiu e bastante nos últimos anos apesar dos discursos optimistas e de na Europa a situação registada ser inversa.
Ao mesmo tempo que isto acontece aumentam também os preços dos bens essenciais como a habitação, o calçado, os combustíveis, os transportes, a electricidade e o pão, e com subidas muito superiores à inflação média, agravando ainda mais a situação das famílias com menos recursos. Alguns, muito poucos por sinal, poderão justificar estes aumentos com o funcionamento do mercado mas, na realidade, a maior parte deles são indicados ou directamente influenciados pelas políticas seguidas pelo governo.
Alguns, muito poucos por sinal e com interesses duvidosos, justificam esta situação com o estado do país, que afirmam viver acima das possibilidades. Mas esses, comentam os lucros brutais das maiores empresas do país de uma forma ligeira ao passo que registam a diminuição dos salários como um facto aceitável e imprescindível, distorcendo os sinais, confundido o enriquecimento de outros poucos e o empobrecimento de muitos com o desenvolvimento do país, que é de todos e não de meia dúzia.
Para além destas contemplações salariais, este governo que se diz socialista, presenteia os portugueses com a oferta da desregulamentação das leis laborais, com uma lei da mobilidade e dos disponíveis, visando pôr fim à segurança no emprego cujo o último ataque é camuflado com a palavra segurança, flexigurança, que mais não significa que despedimentos sem justa causa ao mesmo tempo que limita a capacidade reivindicativa e de resistência dos trabalhadores com alterações legislativas à actividade sindical, dificultando e impedindo até em algumas situações o trabalho dos sindicatos, contrariando a nossa Lei Fundamental, a Constituição da República Portuguesa.
A expressão cauda da Europa aplica-se neste contexto como uma luva. A situação a que os trabalhadores portugueses estão remetidos, por escolhas governamentais, não só deste governo mas de outros que o antecederam, é assim imposta por políticas discriminatórias e injustas para quem trabalha.
É urgente mudar de políticas.
Basta de Injustiças!
Os salários não esticam.
Nuno Miguel Fialho Cavaco
Membro da DORS do PCP














