POLÍTICAS DE ESQUERDAPor José Bastos
A maioria de esquerda existente no distrito, desde o 25 Abril, nunca se preocupou com este problema de grande dimensão social e tem tido sempre uma actuação que em nada difere da actuação política da direita noutras cidades e regiões.
Por Jornal Rostos
A exclusão social e o abandono escolar, nas Áreas Metropolitanas, tem raízes profundas na forma como foi ocupado o espaço urbano nas últimas décadas.
Até hoje, no distrito de Setúbal, com excepção do Montijo, nenhuma Câmara se preocupou com a integração urbana das classes mais desfavorecidas e proibiu os condomínios privados.
A maioria de esquerda existente no distrito, desde o 25 Abril, nunca se preocupou com este problema de grande dimensão social e tem tido sempre uma actuação que em nada difere da actuação política da direita noutras cidades e regiões.
Aqui está uma área importante da sociedade em que o Partido Socialista poderá propor políticas muito diferentes daquelas que têm sido propostas pelo PCP e PSD, para integrar os mais carenciados no espaço urbano, evitando a exclusão social, melhorando o abandono escolar e aumentando a segurança.
Não é preciso ser comunista ou socialista para perceber isto. As políticas de urbanismo seguidas até agora conduziram a um beco sem saída, por isso há cada vez mais excluídos e mais insegurança.
Está provado que, só integrando os vários extractos populacionais, é possível melhorar a segurança de todos e evitar os estigmas e a exclusão sociais.
A mudança de mentalidade individualista não é fácil de ultrapassar, mas com vontade política e tempo tudo se pode conseguir. A estratégia passa por obrigar a incluir nos novos loteamentos uma percentagem de fogos para habitação social. Por outro lado o Governo devia financiar as Câmaras para que estas adquiram casas velhas, lotes abandonados, andares usados para recuperação nos centros históricos, para ir alojando pessoas mais carenciadas.
Como existem hoje no mercado muitas casas usadas para venda, algumas a preços acessíveis, a Caixa Geral de Depósito, empresa de capitais públicos e as outras empresas suas associadas deviam comprar andares para os porem no mercado de arrendamento a preços razoáveis. Integravam-se famílias da classe média baixa nas cidades e ajudávamos a economia com a saída do mercado de milhares de andares, numa altura em que a construção de habitação está em crise.
É um problema de fundo, que só se resolve com muita vontade política e participação de toda a população, pois se continuarmos a construir ghettos, por mais polícias que sejam admitidos, haverá sempre mais ladrões, excluídos, traficantes e toda a espécie de delinquentes.
A grande oferta que existe no mercado de condomínios privados, construídos com a colaboração das câmaras municipais e a construção na periferia das cidades, de habitações para os mais desfavorecidos, é uma situação que a não ser invertida, divide as cidades em ricos e pobres e não contribui em nada para a coesão social que os socialistas tem obrigação de defender. Levado ao extremo, como alguns querem, esta situação tornar-se-á explosiva a médio/longo prazo.
Sei, por experiência vivida, que existirão sempre problemas sociais, mas também sei que uma estratégia de integração dos diversos extractos sociais contribui para que os jovens sejam amigos, pessoas honestas e trabalhadoras e capazes de participarem em conjunto na comunidade onde residem. Crescerão mais solidários uns com os outros.
José Bastos
Presidente da Comissão Política Concelhia do PS Montijo














