Ranking das escolasPor Luis Pedro Gonçalves
No caso dos privados... é simplesmente o caminho para arranjar mais clientes.

Por Jornal Rostos
A recente divulgação de um estudo em que se fazia um ranking das escolas do país com melhores resultados em exames nacionais, trouxe a terreiro um debate interessante sobre o ensino publico e privado, e sobre uma eventual superioridade (em termos de resultados) do ensino privado.
Ora, mediante uma pequena pesquisa consegui aceder ao ranking feito pelo JN, aqui:
http://www.jn2.sapo.pt/rankingescolas.xls
Antes de mais é fácil verificar que dos primeiros 20 estabelecimentos apenas 3 são públicos (8º,17º e 20º); contudo não é menos verdade que se percorrermos a tabela, e olharmos para os 60 primeiros, 32 dos estabelecimentos são públicos; ou seja... não estaremos perante uma reinvenção da pólvora por parte dos privados...
Aliás, na mesma pesquisa acabei por aceder a um documento de 2004, do jornal Publico de teor semelhante, e que pode ser visto aqui:
http://static.publico.clix.pt/docs/educacao/rankingEscolas2004.pdf
Neste documento, é por exemplo citado o caso de uma escola em que:
“dos nove alunos que frequentaram o 12º ano, apenas três fizeram exames de Português B, conseguindo uma média final de 13,4 valores”
Esta filtragem será boa para o posicionamento da escola no ranking... mas o chumbo de dois terços da turma não deveria ser tido em conta?
Estar-se-á apenas a contornar o problema para ter um resultado mais “apresentável”.
Mas focando mais directamente a comparação publico/privado, acho necessário reconhecer antes de mais a especificidade de cada caso.
É verdade que as escolas privadas têm geralmente mais fundos para infra-estruturas (são pagas...), têm muitas vezes um quadro docente que não se altera (contratam quem querem e como querem), e que acaba por dar mais estabilidade, e por vezes, um ambiente diferente à escola. Isto facilita algumas iniciativas como estudo acompanhado, ou turmas mais pequenas e, diria eu, um ambiente de estudo e trabalho mais controlado. Se a isto somarmos a possibilidade de rejeitar alunos problemáticos... tem vantagens.
No entanto, também há estabelecimento privados, em que apesar do dinheiro, estas condições não são oferecidas, e a qualidade do ensino é medíocre...
Será uma questão da gestão da escola, dos fundos disponíveis para a mesma; e claro, da postura e ambiente que se consiga criar.
Quanto ás disparidades no ranking (independentemente de serem escolas privadas ou publicas)... bom, a verdade é que uma boa classificação será sempre o tipo de publicidade que, para uma escola será benéfica, na medida em que os melhores alunos, que geralmente têm pais mais preocupados e informados, tendem a escolhe-las, e assim acabam por lhes oferecer a possibilidade de escolher a matéria-prima (alunos) sobre a qual trabalham. No caso dos privados... é simplesmente o caminho para arranjar mais clientes.
O caminho a seguir?
O que todos sabemos. Continuar a tentar melhorar, e a investir na escola publica, primeiro impulsionador para uma igualdade real.
Luis Pedro Gonçalves














