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Quotidianos

A POLITICA LOCALPor José Bastos

A cunha está institucionalizada em todo o país e os autarcas estão sempre a ser pressionados com cunhas de amigos de sempre e daqueles que se fazem amigos de última hora.

Quem é eleito para as Câmaras, Presidentes ou Vereadores, toma posse sob compromisso de honra para servir as populações e não para favorecer os amigos.

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Por Jornal Rostos

Não é fácil ser-se membro de uma Câmara onde se nasceu ou se reside desde criança, principalmente, se, se quiser defender a causa pública, que é para isso que os autarcas são eleitos.

Os autarcas têm amigos e familiares em todo o concelho. Ou por isto ou por aquilo, toda a gente se conhece.

Há primos e primas por todo o lado, colegas de escola primária e da secundária, vizinhos de hoje e de sempre, colegas de trabalho, membros de Partido.

A cunha está institucionalizada em todo o país e os autarcas estão sempre a ser pressionados com cunhas de amigos de sempre e daqueles que se fazem amigos de última hora.

Quem é eleito para as Câmaras, Presidentes ou Vereadores, toma posse sob compromisso de honra para servir as populações e não para favorecer os amigos.

Os interesses em jogo nos municípios, foram sempre muito grandes. Problemas de emprego de munícipes que pretendem trabalhar na Câmara, disputas entre senhorios e inquilinos com problemas, que na maior parte dos casos ambos têm razão, problemas de distribuição de casas de habitação social.

Existe em todas as Câmaras um Plano Director Municipal que define o uso dos terrenos e há muitos terrenos cujo uso foi destinado a construção. Há sempre um amigo que tem um terreno numa reserva agrícola ou numa reserva ecológica. Isto vale pouco mais que zero, quando por vezes, o vizinho do terreno ao lado ficou rico.

E em relação à construção que se pode fazer no respectivo terreno, a luta é outra cada um procura construir o mais que pode, sendo por vezes um crítico do betão em relação aos outros.

Se um amigo de sempre de um Vereador propuser construir um prédio de cinco pisos, e se este não for aceite e em troca avançada a construção de três pisos, o autarca perde inevitavelmente uma amizade.

Se o que se passa com um prédio acontece com uma grande urbanização, amigos passam logo a inimigos.

Esta cultura de utilizar as amizades para daí tirar proveitos contra o interesse da comunidade, tem que acabar. Os autarcas são eleitos para defender o interesse público e os amigos têm que compreender isso.

José Bastos

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