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Quotidianos

OS CUSTOS DA ENERGIA E AS DESLOCAÇÕES PARA O TRABALHOPor José Bastos

Percorrer dezenas de kilómetros por dia, custa pelo menos um ordenado mínimo e daqui por algum tempo o custo poderá tornar-se incomportável mesmo para as classes médias com ordenados razoáveis. Não será oportuno que o planeamento das zonas urbanas preveja que as famílias tem que residir perto do local de trabalho.

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OS CUSTOS DA ENERGIA E AS DESLOCAÇÕES PARA O TRABALHO Por José Bastos

Por Jornal Rostos

A generalidade das populações não faz a ligação do bem estar que usufruímos, a partir da primeira metade do século XX, com a existência de energias baratas, disponíveis, especialmente das fósseis.

Se pensarmos bem, verificamos, que é pelo facto de termos energia em quantidade que possuímos bens que tornaram a nossa vida muito facilitada. Se olharmos à nossa volta percebemos que quase tudo o que nos rodeia está dependente de energia.

O povo costuma dizer que o que é bom acaba depressa, mas mesmo assim a minha geração assistiu a todo o progresso proporcionado pelas energias baratas durante muitas décadas.

O primeiro sinal de que as coisas iam mudar foi o choque petrolífero de 1973, provocando um grande aumento dos combustíveis fósseis.

A economia mundial abanou ,a inflação nos países ricos da Europa subiu para 25%, em 1974, o mundo desenvolvido ficou muito preocupado na altura, mas depois o preço do petróleo voltou a baixar e continuámos a gastar energia sem nenhuma preocupação em reduzirmos os consumos ou investirmos nas energias renováveis.

Pensamos sempre que os problemas se resolvem e muitos nem sequer acreditam que as reservas de petróleo estão a baixar todos os dias. A maior parte das pessoas que são entrevistadas pelas televisões nos postos de combustíveis, invariavelmente dizem que isto é uma vergonha e que o povo não aguenta mais aumentos.

Os ambientalistas, movimentos da minha simpatia, lutam contra a construção de barragens e contra a energia nuclear. Também já tenho lido que as torres para produção de energia eólica prejudicam a paisagem. Tudo bem, os movimentos são importantes para defenderem determinados interesses, acredito até que no limite se possa viver com muito menos energia, mas têm que dizer às pessoas que vão passar a andar de burro e mesmo assim este não pode ser muito gordo, porque as rações serão muito menos; temos que tirar a água a balde, mas o aquífero primário já está contaminado com nitratos e os poços não podem ter 200metros; temos que lavar roupa e a loiça à mão. E iluminação? E o ar condicionado? E os computadores? E as televisões? E os bens alimentares em quantidade? E os aviões? E os motores de rega? E todo o tipo de máquinas que o homem utiliza? E as roupas e o calçado em quantidade? Enfim toda a nossa vida individual e colectiva depende da energia que está a reduzir todos os dias,

Todos sabemos que os homens e as nações disputaram sempre os bens raros e por issso muito caros. A história diz-nos que nunca ninguém facilita a vida ao outro, para ceder produto raro, se este não for muito bem pago. O que é raro é sempre muito caro!

As reservas de petróleo diminuem constantemente e como é habitual nestas circunstâncias o preço sobe na mesma proporção. Isto é quanto mais reduzidas forem as reservas maior é o preço do barril. Hoje está a 100 dólares o barril. Se a procura continuar a crescer para o ano pode estar a 150 ou 200 dólares.

O grande capitalismo internacional é insaciável e é quem tem estes negócios na mão. É gente que está sempre disponível para tudo, desde que eles dominem o mundo.

Apesar de tudo o que se está a passar com o aumento dos combustíveis, centenas de milhares de trabalhadores continuam a deslocar-se para o seu local de trabalho de automóvel, muitas vezes percorrendo dezenas de kilómetros para irem trabalhar.

Percorrer dezenas de kilómetros por dia, custa pelo menos um ordenado mínimo e daqui por algum tempo o custo poderá tornar-se incomportável mesmo para as classes médias com ordenados razoáveis. Não será oportuno que o planeamento das zonas urbanas preveja que as famílias tem que residir perto do local de trabalho.

Os transportes públicos têm melhorado e são actualmente a solução de recurso e os automobilistas que utilizam o veículo para ir para o trabalho, têm que se habituar à ideia
que dentro de pouco tempo têm que os utilizar. Embora os transportes públicos também funcionem a energia, custam de facto muito menos.

As comunidades locais têm que se organizar por forma a que os munícipes tenham possibilidade de trabalhar e morar no local onde vivem.

O planeamento de cada concelho tem que prever postos de trabalho igual ao número de residentes em idade de trabalhar.

Só pensando no futuro e nas alterações que a redução das reservas de petróleo no mundo provocam, os municípios podem ser competitivos entre si. Aqueles que não se precaverem para estas alterações, bastante previsíveis, e não criarem condições para o investimento e criação de emprego, correm o risco de ver diminuir drasticamente o número de habitantes.

José Bastos
Presidente da Comissão Política Concelhia do PS Montijo

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