Sarkozy, SócraziPor António Chora

Por Jornal Rostos
Costuma-se dizer que cada povo tem o que merece, eu não acredito nisso, mas a verdade é que em França, o ataque à Segurança Social, à escola publica, aos imigrantes e aos trabalhadores da função publica, tem um nome, e chama-se Sarkozy, alguém que afirma ser admirador de Sócrates .
Este homem, neo-liberal, ao que parece neo-racista e adepto da politica da guerra preventiva, chegou ao poder graças ao descalabro da esquerda em França ( o PCF que chegou a ter 25% dos votos teve nesta ultima eleição pouco mais de 1,4%) bem como a falta de uma clara alternativa de esquerda em termos partidários, que representasse a esquerda social que desde sempre existiu em França. Na falta de um partido que represente esta esquerda social, as eleições presidenciais foram disputadas essencialmente por dois candidatos do neo-liberalismo, entendendo o povo, que para não ser enganado, mais valia eleger logo o que se assumia sem mentir como defensor do neo-liberalismo.
Em Portugal as ultimas eleições foram disputadas entre um palyboy de centro direita e um candidato socialista, que efectivamente logo que chegado ao poder se mostrou um Socrazy neo-liberal, que tem levado ao descrédito a politica pelas contradições entre o prometido e o efectivamente feito, e o que até hoje tem feito em termos de governação tem colocado o PSD e o próprio CDS numa posição complicada por falta ideias, visto serem todos os dias ultrapassados pela direita pelo governo Socrazy.
No momento em que este Sócrazy e o Partido Socialista a reboque dele, aprovam sózinhos na especialidade, (graças à disciplina de voto), um dos orçamentos mais restritivos dos últimos anos da democracia portuguesa, orçamento à medida deste governo, um orçamento de mentira, um orçamento que começa com uma enorme ilegalidade e cambalhota desorçamental, que é a preparação da privatização das Estradas de Portugal, coisa que este país não via desde o tempo do inicio da monarquia, onde os monarcas entregavam terras e deixavam cobrar o direito de passagens aos Condes e outros portadores de sangue “azul”, mas nessa altura, tais direitos eram dados a troco de protecção e defesa do território, agora com as Estradas de Portugal o que se pretende é apenas encher os bolsos dos que já tem mais dinheiro sozinhos que 20% dos portugueses todos juntos.
No futuro com a mais que provável privatização, os senhores que se apropriarão das estradas e dos 11 biliões de euros em impostos que serão cobrados a todos os automobilistas, irão aplicar portagens qual Condes do século IX enriquecendo ainda mais.
Isto só tem comparação com as politicas dos Governos do PSD quando Joaquim Ferreira do Amaral enquanto ministro das obras publicas dos governos de Cavaco Silva assinou um acordo com a Lusoponte que permitia a esta uma compensação paga pelos governos, por cada carro que venha a atravessar uma nova ponte sobre o Tejo, hoje é presidente da Lusoponte, e sabe que gerir empresas assim é não correr nunca riscos de exploração e é essencialmente engrossar os lucros.
É a aposta neste lucro fácil, que o PSD e o PS, sozinhos, aliados, ou com o CDS à mistura tem doutrinado, que faz com que Portugal tenha 2 milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza, 17% dos portugueses com trabalho a considerados pobres por causa dos baixos salários. Com o governo chefiado pelo Sócrazi atingimos a maior percentagem de desempregados dos últimos 20 anos, e o numero de desempregados com formação superior é também ele o maior de sempre.
Mas não tenhamos duvidas, Sócrazy domina o aparelho do PS e leva os deputados a baterem com a mão no peito, defendendo a redução do défice para os 3%, esquecendo que o Pacto de Estabilidade e Crescimento obriga a uma redução para os 0,4%, o que significa que temos que reduzir quase tanto nos próximos dois anos, como reduzimos nestes últimos 4 (2005 a 2008), e isto vai significar mais privatizações, mais sacrifícios para os mesmos de sempre, e mais lucros também para os do costume.
È necessário continuar a denunciar esta política e arranjar para as eleições de 2009 alternativas de esquerda ao governo Sócrazy, e essas alternativas tem que romper com a esquerda tradicional e esquizofrénica, e apontar o caminho de uma verdadeira política Democrática, Socialista e Ecologista, uma alternativa que una sem vanguardismos a esquerda plural e social que despontou em Portugal em 1999 e os grupos e movimentos que querem ser alternativa de esquerda à politica do partido do Sócrazy.
António Chora
Deputado do Bloco de Esquerda














