OS PROGRESSOS NO TRATAMENTO DO ESPAÇO PÚBLICO PELOS MUNICÍPIOS NO ÚLTIMO SÉCULOPor José Bastos
Por Jornal Rostos
O Montijo que na última década iniciou um novo ciclo que coincidiu com a vitória do Partido Socialista em 1997 e a inauguração da Ponte Vasco da Gama em 1998, tem conseguido um concelho ambientalmente sustentável e com uma qualidade de infra-estruturas de que muito nos orgulhamos.
Este ano inauguramos na zona ribeirinha uma bacia de retenção das águas das chuvas na altura de maré cheia. Na zona nova da cidade temos estado a manter a principal linha de água aberta e com margens para evitar que as cheias não atinjam os prédios que ali estão a ser construídos. Temos um plano que já se iniciou com a obra da zona ribeirinha com construção de condutas para a saída das águas das chuvas para rio pela superfície. Em 2008 vamos inaugurar estações de tratamento de esgotos para todas as freguesias. As nossas preocupações em relação ao futuro estão muito avançadas quando as comparamos com o que passa nos outros municípios.
Tudo isto só foi possível com uma grande convicção política dos nossos autarcas, uma grande entrega à causa pública, uma gestão financeira rigorosa e os fundos comunitários.
Nunca nos disseram na escola primária e na secundária por onde andámos como era a vida dos trabalhadores e dos mais carenciados ao longo da nossa história. Também não nos contavam como eram as infra-estruturas do espaço público de utilização colectiva. Só nos falavam da vida dos reis e dos fidalgos, dos escritores e poetas, da igreja e dos ricos da época. Os ricos viviam em palácios e os trabalhadores onde viviam? E as infra-estruturas das cidades como eram? E as doenças?
António Barreto e Filomena Mónica escreveram um livro em que retrataram a Lisboa popular em 1900 e entre outras coisas concluíram o seguinte:
“Enquanto em muitos dos bairros antigos – Sé, Lapa e Mercês – ricos e pobres viviam lado a lado, sem embaraço nem revolta, algumas partes da cidade nascem estratificadas. As chamadas “avenidas novas” eram homogeneamente burguesas como homogeneamente proletários eram alguns dos subúrbios – Xabregas, Beato e Alcântara. A cidade começa assim a ter os seus “bairros vermelhos”, feios aglomerados desordenadamente crescendo no termo da cidade. As reportagens sobre estes locais, se abundantes, não dão muitas informações concretas, impregnadas que estão num halo de horror e indignação. As casas eram geralmente velhas, húmidas, superlotadas. Alguns palácios, cujos donos se haviam arruinado, tinham sido divididos internamente em múltiplas “colmeias” onda promiscuamente viviam dezenas de famílias. Outros apinhavam-se em partes de casa e quartos alugados. Outras ainda em velhos pátios escondidos. O mobiliário limitava-se ao estritamente necessário. Ou nem isso. Muitos dormiam no chão, os filhos amontoados em enxergas.
O frio no Inverno era horrível. Não tinham dinheiro para braseiras ou fogões. Aqueciam-se como podiam, isto é, mal. Com traseiras, quintais apinhados com animais de toda a espécie, as casas estavam muitas vezes infestadas de parasitas. Poucos tinham água canalizada, pias ou esgotos. Em alguns bairros, os despejos eram atirados directamente para a rua. A higiene era assim deplorável. As epidemias e doenças proliferavam.
A rua estava entregue à arraia-miúda. Logo que o tempo permitia, as gentes de Lisboa deixavam, com alívio, as suas pouco confortáveis casas. Na rua assavam-se as sardinhas, lavavam-se os catraios, namorava-se, intrigava-se, lutava-se. Com uma vigilância policial relativamente ineficaz, ladrões a marginais manobravam com algum à vontade. Nem toda a gente se aventurava a entrar, depois do sol posto, no Bairro Alto ou na Mouraria.
O município não possuía serviços de limpeza eficientes. Uns vagos varredores, utilizando rudimentares vassouras e carrocinhas primitivas, tentavam, com pouco zelo, limpar as piores imundices. Apenas por altura das grandes procissões o percurso por onde elas deveriam passar era varrido.”
No Montijo em 1945/50 as ruas ficavam cheias de excrementos de suínos, cavalos, burros, bois e muares. Poucas casas tinham água canalizada e electricidade, existia o chamado porto da lama onde eram depositados lixos de Lisboa, as casas eram de terra batida e muito frias. Muitas pessoas tinham frieiras. Os despejos eram colocados numa tigela da casa que era recolhida pela pipa da Câmara, os rapazes pobres andavam descalços e haviam muitos parasitas. Enfim, era melhor que a Lisboa de 1900, mas ainda era muito mau.
Há munícipes no Montijo que muitas vezes dizem que a cidade está pior e que antigamente é que era bom. Quero dizer aos jovens da nossa Terra, que as condições em que aqui vivemos, têm vindo sempre a melhorar e que nos últimos dez anos demos um salto qualitativo nas nossas infra-estruturas que não encontra paralelo em nenhum período da nossa história.
José Bastos














