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Quotidianos

Potencial Turístico de SetúbalPor João Afonso Luz

Compreendo a necessidade que os dirigentes da JS e do PS têm de, para definir os seus líderes e candidatos, demonstrar que são mais anticomunistas do que os outros, demonstrar que já não se recordam dos 16 anos que estiveram à frente da Câmara Municipal, demonstrar que conseguem exigir de outros em meia dúzia de anos aquilo que em quase três dúzias não ousaram sequer sonhar, importa, contudo, relembrar que Setúbal tem memória, conhece o projecto do PS, sente na pele os efeitos das decisões do Governo PS para Setúbal e não aceita que o seu desenvolvimento e as suas perspectivas de futuro sejam tratadas como mero entretenimento partidário

6 min de leitura

Por Jornal Rostos

Tendo em consideração o artigo de opinião escrito pelo Sr. António Caracol, Coordenador da Concelhia de Setúbal da JS, publicado na edição online do Diário Digital Rostos, no dia 6 de Fevereiro, importa tecer os seguintes comentários:
A Juventude Socialista, no concelho de Setúbal, promoveu um debate de âmbito partidário sobre o «Potencial Turístico de Setúbal», tema muito interessantes e de grande complexidade face aos modelos de desenvolvimento propostos para o concelho e a região.
Concordando com o autor do texto sobre a urgência da reflexão sobre o sector do turismo, considero que essa reflexão tem de ser feita de forma séria, estudando-se constrangimentos e oportunidades, responsabilizando quem cometeu e comete erros, traçando as linhas centrais de acção para suprir insuficiências e promover o real progresso do sector.
Daquilo que a imprensa e o texto de opinião em causa permitem conhecer do referido debate, ele limitou-se a ser mais uma peça na estratégia pré-eleitoral de um certo sector do Partido Socialista e a abordagem ao sector do turismo ficou-se por meia dúzia de frases feitas e gastas sobre a gestão CDU na Câmara Municipal de Setúbal e o terrível PCP que teima em impedir o desenvolvimento do concelho.

De ideias, propostas e soluções, nada se disse, o que aliás é compreensível, tendo em consideração que os dirigentes do PS não conseguem esconder os 16 anos da sua gestão em Setúbal e as consequências do tal modelo de desenvolvimento que dizem defender para o concelho.
É neste contexto que se podem ler as palavras do Presidente da Câmara Municipal de Grândola mais preocupado em ofender a população, os agentes económicos, sociais e culturais e as instituições de Setúbal acusando-os de marasmo e de permitirem a degradação do concelho do que com os profundos impactos que os projectos turísticos anunciados irão ter em Grândola, o que por si só revela o entendimento que tem do cargo e do papel institucional que desempenha.
É neste contexto que se podem ler as palavras de uma ex-Governadora Civil e ex-Vereadora da Câmara Municipal de Setúbal cujo projecto de desenvolvimento do concelho deixou marcas bem significativas na cidade e no concelho de Setúbal, não me recordando de qualquer medida ou acção que tivessem beneficiado o turismo, antes pelo contrário.
É, também, neste contexto que se podem ler as palavras de um Secretário de Estado do Turismo que a única medida de fundo que se conhece é a da extinção das Regiões de Turismo e a transformação destas em meros serviços desconcentrados da Administração Central, rejeitando um património de trabalho realizado, de afirmação de marcas, de actuação conjunta de diferentes entidades, de trabalho junto das próprias comunidades e de valorização das potencialidades existentes.

Como podem os dirigentes do PS ou da JS vir falar da Escola de Hotelaria e Turismo para o Quartel do 11, quando é o próprio PS que tem sistematicamente inviabilizado tais soluções.
Veja-se o indecoroso comportamento do Governo PS, através de uma baça empresa pública de nome «Estamo», relativo ao Quartel do 11, celebrando um contrato de compra e venda que obrigou a Câmara Municipal num prazo de 10 dias a exercer o Direito de Preferência.
E sobre a Escola de Hotelaria e Turismo, o Sr. Secretário de Estado não disse nada no debate? Não terá tido a oportunidade de esclarecer sobre as diligências da Câmara Municipal no sentido da concretização desse projecto? E do Núcleo da Escola de Hotelaria e Turismo a funcionar em instalações da Câmara Municipal, no Jardim do Bonfim, cujas inscrições têm vindo a aumentar significativamente, nem uma palavra?
E sobre o Polis, que o Sr. Caracol considera «uma oportunidade perdida pelos executivos comunistas», não é dita nem uma palavra sobre as propostas do PS de eliminação dos corredores bus e de transportes públicos ou de eliminação da ciclovia prevista para a Avenida Luísa Todi; não é dita uma palavra sobre a origem do Polis em Setúbal e de como a gestão PS negociou um projecto sub-financiado, dependente de vontades da Administração Portuária e de particulares, desarticulado da cidade e em especial da baixa e da zona histórica?

Para terminar, o Sr. Caracol diz, entre outras coisas, que são «pela aposta na valorização do nosso património gastronómico e pelo aproveitamento real das zonas protegidas» e a pergunta que se faz ao coordenador da JS e ao PS é a de sabermos se o real aproveitamento das zonas protegidas passa pela instalação nestas áreas de actividades industriais ou de queima de resíduos industriais perigosos, como fez o Governo PS com a Co-incineração no Parque Natural da Arrábida.
Compreendo a necessidade que os dirigentes da JS e do PS têm de, para definir os seus líderes e candidatos, demonstrar que são mais anticomunistas do que os outros, demonstrar que já não se recordam dos 16 anos que estiveram à frente da Câmara Municipal, demonstrar que conseguem exigir de outros em meia dúzia de anos aquilo que em quase três dúzias não ousaram sequer sonhar, importa, contudo, relembrar que Setúbal tem memória, conhece o projecto do PS, sente na pele os efeitos das decisões do Governo PS para Setúbal e não aceita que o seu desenvolvimento e as suas perspectivas de futuro sejam tratadas como mero entretenimento partidário.
Talvez seja por isso que as populações de Setúbal e da Região confiem maioritariamente na CDU e no projecto de desenvolvimento traçado pelos Municípios em conjunto com os agentes económicos, sociais e culturais.

08.Fevereiro.2008

João Afonso Luz
Membro da Comissão Concelhia de Setúbal do Partido Comunista Português

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