CGTP – Tudo ou, quase tudo na mesmaPor António Chora

Por Jornal Rostos
Em jeito de balanço do congresso podemos concluir que as novidades são poucas. Este congresso não melhorou a democracia interna, não deu os sinais necessários a um maior alargamento com vista a ampliar as lutas, regrediu na exigência da revogação do Código Bagão, ficando-se pela revogação das normas mais gravosas (quais?) e, não clarificou o seu posicionamento internacional, mantendo um pé na FSM (Federação sindical que canta loas à liberdade sindical em Cuba e na China) e outro na CSI.
Quem esteve lá dentro e quem não esteve, (mas acompanhou de fora por opção ou exclusão), sentiu que “dar mais força aos sindicatos” queria dizer para muitos delegados “ dar mais força ao PCP”. O PCP saiu reforçado deste Congresso, o espaço da CGTP por este caminho tende a fechar-se progressivamente, ficaram a perder os trabalhadores
Algumas notas:
Os delegados ao congresso salvo muito poucas excepções não foram eleitos, foram nomeados pelas direcções sindicais recaindo a participação nos dirigentes a tempo inteiro
Os documentos aprovados seguem uma linha de continuidade: - O programa de acção refere que é preciso exigir a revogação das normas mais gravosas do Código Bagão e, mantém a linha da não filiação em nenhuma organização internacional; Os estatutos não foram alterados; a carta reivindicativa embora referindo as principais questões que afectam os trabalhadores e a população, continua na linha da exigência apenas das normas mais gravosas do Código e faz um elenco exaustivo de matérias, sem priorizar reivindicações ou eleger questões principais em torno das quais se deve alargar e intensificar a luta pela melhoria das condições de vida e de trabalho, pois essa parte fica para servir o calendário politico dos mesmos de sempre, o PCP.
O Programa de Acção foi aprovado com 90 abstenções. Na especialidade o Capitulo 5 – alterações sobre a União Europeia. – apresentado por 7 sindicatos reuniu o apoio de 66 delegados. Sobre o Capítulo 6 onde estava integrado a proposta de adesão à Confederação Sindical Internacional (CSI),, o apoio reunido foi de 9 sindicatos, ou seja os anteriores mais o SPGL, os Pescadores e 112 delegados.
O Conselho Nacional mantém a composição (em termos de correntes de opinião) do anterior, embora tenham entrado 47 novos membros. Dos 147 que compõem o CN, dois terços pertencem à corrente do PCP. Realce-se que houve sindicatos como o SINTTAV que diminuiu a sua representação de 2 para 1 e o SINTAV ficou sem qualquer representante só porque o elemento, a ser proposto e eleito por unanimidade pelo seu Sindicato, não pertence ao PCP.
As intervenções de delegados foram feitas como sempre. Falaram os representantes dos sindicatos que tinham propostas de alterações e para outras intervenções a Mesa do congresso fez a triagem do costume. Assim resultou que tiveram prioridade as intervenções encomendadas pelo Conselho Nacional, pelas Uniões de Sindicatos, pelas Federações e pelos Sindicatos ficando sem possibilidade de falar um número significativo de delegados.
No decorrer do Congresso foi anunciado a constituição de uma nova tendência sindical ao que dizem os seus fundadores apartidária, liderada Ulisses Garrido, António Avelãs e João Lourenço.
Carvalho da Silva para já contínua, mas muito mais “policiado”, e admite a realização de um congresso extraordinário a meio do mandato.
Se alguma coisa resulta deste Congresso, é a necessidade de levar à prática o que muitos defendem cada vez mais em voz alta: a necessidade de aprofundar a discussão sindical a nível sectorial e nacional para criar um sindicalismo alternativo no seio da CGTP, e colocar esta o mais rapidamente possível ao serviço exclusivamente dos Trabalhadores.
António Chora
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da VW Autoeuropa
Delegado Sindical do STIMMS














