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Quotidianos

A importância do Scirocco para a AutoeuropaPor Antonio Chora

Na Autoeuropa, o emprego já começou a crescer, mas a nível nacional outras batalhas se seguirão, como a necessidade da introdução de mais fornecedores nacionais na produção deste e do(s) outros carros que no futuro iremos de certo produzir.

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A importância do Scirocco para a Autoeuropa Por Antonio Chora

Por Jornal Rostos

Quando o futuro nos passa à mão temos normalmente duas opções, ou o ignoramos ou o agarramos. Em Setembro de 2005 a VW Autoeuropa, não tinha produtos para além dum MPV cuja produção já tinha 10 anos, e o EOS estava a dar os primeiros passos na linha de produção. O ano era propício a deslocalizações, e nós assistíamos a elas um pouco por todo o lado, do calçado ao têxtil das ameaças na GM (infelizmente concretizadas) à industria eléctrica e electrónica.

No grupo VW era época de atribuição de novos produtos e todas as fábricas se posicionaram para concorrer aos mesmos, nomeadamente as fábricas alemãs cujos sindicatos e comissões de trabalhadores fecharam um acordo até aí impensável. Depois de em 1993 terem reduzido os salários e os horários em 20%, para salvar empregos, posicionam-se nesta corrida, com o aumento do horário de trabalho em 5 horas semanais para 100 mil trabalhadores, sem aumentarem o salário, ou seja, disponibilizam à empresa 500 mil horas semanais de produção e com isso prepararam-se para receberem novos produtos e aumentarem a produção. Esta negociação, que nós através do concelho europeu de empresa estávamos a acompanhar, começa em Outubro de 2005 e termina no primeiro trimestre de 2006.
Na VW Autoeuropa, simultaneamente, somos confrontados com uma proposta da empresa subscrita pela casa “mãe”, que diz só colocar mais produtos em Portugal se reduzíssemos os custos do trabalho extraordinário, que no nosso país e sector, é pago a 200%, para valores de 50%.
De imediato a CT reuniu, discutiu com os trabalhadores e sindicatos esta situação tendo a certeza e os dados mostravam ser a ameaça bastante real, ao ponto de, sem este produto, a deslocalização ser um caminho a breve prazo, pois só com o MPV com tantos anos e um carro de nicho de mercado como o EOS, estávamos em perigo.

Ouvimos opiniões das mais dispares, desde as dos profetas da desgraça, dos do quanto pior melhor, dos que utilizam e se utilizam dos trabalhadores, e cuja propostas passavam pelo “chutem para o lado”, “isso é treta”, “vamos até ao fim logo se vê” “se deslocalizarem tem que devolver subsídios” (grande problema para uma multinacional) até aos que defendiam a luta no campo da negociação. Foi por aqui que fomos e negociámos o valor do trabalho extraordinário numa primeira fase apenas para 10 Sábados e para o valor de 100%. Porque não quisemos passar para os trabalhadores a pressão da pressa de decidir face ao acordo que se preparava na Alemanha, fomos mal sucedidos na primeira votação. por voto secreto tendo a proposta de acordo sido reprovada com 56% de votos contra.

Porque os trabalhadores da VW Autoeuropa sempre se mostraram conscientes na defesa do emprego como o mostrou o acordo de 2003/2005, ouvimo-los, informámo-los e retomámos as negociações, melhorando o acordo naquilo que os mesmos nos sugeriram, tendo nesta segunda votação o acordo sido aceite por secreto com 77% de votos sim, com uma participação superior a 80% do total dos trabalhadores da fábrica.
Com esta decisão, a casa “mãe” anunciou que a produção do SCIROCCO seria feita na Autoeuropa, e agora, dois anos depois, com o lançamento deste produto numa das maiores feiras da industria automóvel, podemos dizer que isto é o culminar da luta pela defesa do emprego a médio prazo e o triunfo sobre a deslocalização.

Na Autoeuropa, o emprego já começou a crescer, mas a nível nacional outras batalhas se seguirão, como a necessidade da introdução de mais fornecedores nacionais na produção deste e do(s) outros carros que no futuro iremos de certo produzir.
O aumento de fornecedores nacionais, é aqui, como foi nos países do leste, a âncora que falta para agarrar a muitíssimo longo prazo esta empresa, e trazer outras do sector e de igual dimensão para Portugal.
Outra batalha se seguiu em 2006 e com ela a garantia do trabalho a mais largo prazo, deixando agora aberto o caminho para melhorar salários e outras regalias sociais
O Futuro passou ao nosso alcance, e os trabalhadores da VW Autoeuropa souberam agarrá-lo com ambas as mãos.

Antonio Chora
Coordenado da CT da VW Autoeuropa

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