Sobe, sobe, petróleo, sobe…Por Vasco Correia

Por Jornal Rostos
Hoje foi dia de ir meter gasóleo. Aparentemente um dia igual aos outros, se não fosse o facto de… hoje ser dia de meter gasóleo! Tenho um ritual cada vez que o faço. Primeiro vejo o preço por litro, depois tento acostumar-me e inevitavelmente tenho que abastecer. E assim fiz. Antes de ontem verifiquei e fiquei chocado com preço, ontem aceitei o valor e hoje, dia D, vou à NALP (por motivos comerciais, substituí, de forma inteligente, uma letra à conhecida marca) para abastecer e já estava mais caro.
Admito que haja algumas razões que façam o preço subir e até concordo. Mas como não pertenço, nem percebo nada, do mundo das finanças, custa-me aceitar aquelas razões de subida de preço que se baseiam puramente nas especulações. Não em factos. Em especulações. O preço não sobe porque um curdo do PKK matou um turco na respectiva fronteira. Não. O preço sobe porque o curdo parece que comentou na padaria da vizinhança que, hoje, se calhar era gajo para apontar a arma na direcção da fronteira com a Turquia. O sheik Al-Zé ibn Manel acordou com prisão de ventre? Sobe o preço do barril, de oito em oito horas, até que passe.
E depois nem o preço é fácil de ler. Como é que se lê 1.274€? Um euro, duzentos e setenta e quatro cêntimos? Um euro e vinte e sete…e quatro…? Não, caro leitor. Lê-se 20€. O preço do litro pouco importa. Mas, atenção, compreendo perfeitamente este anormal número de casas decimais. É o bicudo mundo da concorrência. Felizmente estou descansado pois a Autoridade da Concorrência está atenta. Entretanto, se me permitem, e só porque me apetece, queria lançar aqui de forma completamente aleatória, neste parágrafo em especial, uma palavra que nada tem a ver com este texto: cartel!
Esta estúpida subida de preços (juízo de valor, sei bem, e vou tentar voltar a não fazê-lo, no entanto qualquer outra adjectivação perto desta, seria idiota), mais cedo ou mais tarde, levará, inevitavelmente a outras formas de energia, pelo menos, de uma forma mais urgente, no que toca aos meios de transporte. O Futuro está, de facto, nas energias limpas: o hidrogénio (composto, em parte, por gás natural), o biocombustível (produzido a partir de um composto que inclui cereais), etc. Aqui a discussão também floresce e junto-me aos mais cépticos. Não me parece bem um carro movido a Chocapic. Até porque o Chocapic está a 2.25€ cada embalagem e não creio que a autonomia seja muita – se por esta altura, os inúmeros apartes e pequenas explicações técnicas levarem o leitor a achar que está num romance de José Rodrigues dos Santos, asseguro-lhe que está errado.
Mas eu lembro que há cerca de vinte anos (e muitos mais até) já existiam veículos que usavam uma das fontes de energia mais inofensivas para o ambiente, a propulsão humana. E refiro-me aos carrinhos de rolamentos. Eu sei que não é solução, até porque o Mundo, como provou Galileu, não é sempre a descer e eu já não tenho idade para andar com os joelhos e cotovelos constantemente esfolados e o rabo cheio de lascas da madeira. É um revivalismo impraticável, eu sei. No entanto não deixa de ser engraçado pensar na coisa. Resolver-se-iam dois graves problemas da nossa sociedade. Em primeiro lugar os problemas ambientais e em segundo lugar a vontade de todo o português ter um carro topo de gama sem recorrer a créditos de 120 meses. Bastava saber escrever na madeira. Seria um regalo ver o parque automóvel repleto de Audes, Mrcedez e Vôlvus.
Não sou optimista quanto à questão dos combustíveis. Penso que é “chão que já deu uvas”. Os preços vão continuar a subir. Seja por razões concretas, seja por especulações. Prova disso é que desde que iniciei o texto os combustíveis já subiram mais dois cêntimos… alguém tem que me parar aquele curdo!
Vasco Correia














