Saltar para o conteúdo
Quotidianos

A Ponte, Demagogias e outras DissertaçõesPor André Pinotes Batista

O PSD Barreiro manifestou-se, recentemente, sobre o tema da Terceira Travessia do Tejo e, mais especificamente, da sua construção no corredor Barreiro – Chelas. Ponderei bastante se valeria a pena responder a tal escrito. Faço-o agora por considerar indispensável que se esclareçam os leitores das incoerências e hipocrisias políticas que a referida nota de imprensa encerra em si.

5 min de leitura
A Ponte, Demagogias e outras Dissertações Por André Pinotes Batista

Por Jornal Rostos

Que o PSD Barreiro é um híbrido político estranho - que consegue ocupar simultaneamente a posição e a oposição no Executivo Camarário -, e que não tem um agenda política própria, pautando invariavelmente a sua conduta política pela vontade do seu eterno "Presidente" Bruno Vitorino, é facto público e notório.
No entanto, começa a ser deveras incómodo assistir à cortina de fumo que as forças da posição - PCP e PSD - pretendem instalar à volta do tema da Ponte.

Todos reconhecemos que agir pelo politicamente correcto é sempre mais fácil. Estou certo de que também ninguém se espantará com a crónica tendência de cair na tentação de defender o rumo que os ventos sopram. No entanto, exige-se responsabilidade e decoro. Quando se começa a querer transportar um desígnio, que deve ser de todos os Barreirenses, para o campo do ridículo, da pura demagogia e do aproveitamento político indevido, é nosso dever repor a justiça dos factos, e "quando o ruído é muito, alguém tem que fazer as perguntas certas."

Com efeito, e porque recordar é viver, gostaria de colocar um conjunto de questões?

• Não era o PSD Governo com maioria absoluta quando, em 1994, se "levou" a ponte do Barreiro para o Montijo?

• Para construir a travessia Barreiro-Chelas não tem o estado que indemnizar, num valor absolutamente obsceno, a Lusoponte, em virtude do acordo à data firmado pelo ministro do PSD, Ferreira do Amaral?

• E, actualmente, não desempenha Ferreira do Amaral as funções de Presidente do Conselho de Administração da Lusoponte?

• Afinal de contas, não é o Desenvolvimento sustentado do Barreiro um desígnio de todos os que no Barreiro habitam, independentemente da sua filiação partidária, ou da ausência dela?

Mas não é só a conduta do PSD que me gera incomodidade. Também a conduta da C.M.B. me merece um pequeno reparo.
Confesso que foi com muito agrado que registei que, no dia 14 de Março, a Câmara Municipal do Barreiro, restantes órgãos autárquicos e diversas entidades do Concelho marcaram presença, no Mercado 1º de Maio, com o objectivo de defender o interesse comum e afirmar, a uma só voz, a opção da edificação da nova ponte Rodo-Ferroviária no corredor Barreiro – Chelas.
Já com menor satisfação escutei o Sr. Presidente da CMB afirmar que “quiseram convencer-me de que a Ponte Barreiro-Chelas não se justificava”, ou mesmo que não entendia a necessidade de mais estudos, quando em relação ao Aeroporto havia dito exactamente o oposto. Pior só mesmo a organização do “Barreiro (uma) Chama pela Ponte”, e do aparato mediático montado em seu redor, um dia depois do LNEC ter dado parecer favorável à travessia divulgada por José Sócrates.
Meus amigos, sejamos claros: não é com velas que se apanham pontes nem se as perde porque um sinistro e desconhecido fulano disse ao Presidente da Câmara que esta era uma má ideia. Resta-me concluir que estamos perante a montagem de um enorme teatro político por parte de quem teme que este investimento e as suas consequências positivas para a cidade possam pôr em causa os seus pequenos poderes e mesquinhos interesses.
Resta-me confiar que os dirigentes do PSD, do PCP, mas sobretudo o Presidente da Câmara, tenham sido tão diligentes na real afirmação desta opção, como o foram na campanha panfletária que promoveram. Nomeadamente, através dos seus representantes na Assembleia da República, Junta Metropolitana de Lisboa (à qual Carlos Humberto preside) e dos seus diferentes órgãos.

Em contraste, o PS Barreiro elaborou dezenas de comunicados, tomou diversas posições públicas, levou os anseios dos Barreirenses às mais altas instâncias distritais e nacionais do partido e, dentro do possível, aos seus representantes governamentais. Assim, de forma serena, integrada e responsável prestámos o nosso humilde mas decidido contributo.
Parece-me pois da mais elementar justiça que fique claro: as pontes não têm pais, mas para quem prefere este prisma de observação, que se dê "o seu a seu dono" e, por muito que custe a alguns, é por decisão exclusivamente de um governo PS que a ponte virá para o Barreiro. Apesar de, pessoalmente, me preocupar apenas a consumação deste intento, esta é uma verdade insofismável.
Tenho a consciência de que muitos Barreirenses querem ver para crer. Apesar da minha inabalável crença de que “a ponte será nossa”, não os censuro. Peço-lhes apenas que não se deixem levar pela publicidade enganosa daqueles que parecem temer o desenvolvimento do Barreiro.

André Pinotes Batista
Membro da Comissão Política Concelhia do PS Barreiro

www.voxpolitica.blogspot.com
andrepinotesbatista@gmail.com

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção