A Ponte ComumPor Tiago Alves

Por Jornal Rostos
Parece que é mesmo verdade: a ponte partirá do Barreiro. Confesso que fui, até à data, daqueles que esperavam para ver. Sempre que alguns colegas ou amigos da outra banda me congratulavam com um “então a ponte sempre deve ir para o Barreiro!”, eu encolhia os ombros e deixava escapar um tão português “vamos lá a ver”.
De facto, e como provam os desenvolvimentos recentes, é comum as decisões e convicções do actual Governo mudarem com regularidade. Com demasiada regularidade. Não entrando em juízos de valor para com a bondade das ditas mudanças, não podemos encarar como normal a ligeireza com que a palavra do Governo, influente em todos os domínios da nossa sociedade, determinante na tomada de decisões correntes e crítica no processo de formação de expectativas, muda da noite para o dia.
Vou então aguardar serenamente o dia em que o primeiro pedregulho surgir ali em frente ao Lavradio. Como a maioria dos barreirenses, sempre concebi a travessia Chelas-Barreiro como a melhor alternativa não só pela maior facilitação do acesso à Capital para um maior número de pessoas mas principalmente pela abertura proporcionada aos dois Concelho “do meio”, algo esquecidos. As pontes são fonte de desenvolvimento e motores de um progresso económico e social que os concelhos de Almada e Seixal, primeiro, e Montijo e Alcochete, depois, beneficiaram. Penso ser agora a hora do Barreiro e da sua vizinha Moita. Tal como sucedeu há uma década e meia atrás, penso ter-se tomado a melhor decisão.
Haverá quem não concorde e haverá aqueles que, mesmo concordando, conseguem arranjar maneira de discordar. Não pude deixar de estranhar que, numa altura em que as forças políticas do Concelho se encontram coerentes na defesa da travessia, um jovem membro do PS Barreiro aproveite para fazer campanha e faça questão de atacar o PSD com algumas metáforas mais ou menos felizes e um conjunto de questões algo confusas. Embora faça referências a interesses “para além da filiação partidária”, a opinião de André Batista esfuma-se em alguns chavões típicos do debate político local, abordando temas nacionais onde o seu partido possui tantos telhados de vidro quantos os metros da já erguida Ponte Vasco da Gama. Aliás, numa altura em que o PS é Governo e há tanta obra a adjudicar, o que irá fazer um dos seus mais destacados militantes para a Presidência de uma das maiores construtoras nacionais? É, claro está, uma pergunta retórica.
Em jeito de conclusão, penso não adiantar muito alimentar querelas à volta de um tema onde existe, e deve existir, uma vontade comum: a de ver nascer a desejada nova ponte e com ela fazer avançar o Concelho.
Tiago Alves
Presidente da JSD Barreiro














