A crise do imobiliário nos EUA e também em PortugalPor José Bastos
Nos EUA com a subida dos juros muitas famílias tiveram que entregar as casas aos bancos por valor insignificante. A ruína das famílias contribuiu para uma crise financeira a nível global de consequências ainda hoje imprevisíveis.
Por Jornal Rostos
Em Portugal a situação não é tão grave como nos EUA e na nossa vizinha Espanha, muitas famílias estão em dificuldade para pagar as prestações dos empréstimos e a oferta de andares é muito maior que a procura. O crédito hipotecário no nosso país só tem o próprio imóvel como garantia.
No ano de 2000 escrevi um artigo com o título “A importância da habitação na coesão social” que em três parágrafos dizia o seguinte:
“A desorganização é total e os órgãos de comunicação social anunciam que a totalidade dos PDM’s do país incluem zonas para urbanizar para 50 milhões de habitantes, quando no País há muito que se convencionou que não temos mais de 10 milhões de pessoas. É uma situação muito grave que devia merecer a atenção responsável de toda a classe política.
A situação que se vive no mundo da construção é de grande euforia. Tudo quanto se constrói está vendido e com grande lucro. Será que esta situação pode manter-se assim muito anos? Eu não acredito. A especulação e o mercado, seja qual for, tem os seus limites. Uma crise no sector económico com a importância da construção civil, poderá trazer grave consequências sociais na área do emprego. Portanto, é necessário que o poder político preste atenção especial para o que se está a passar de modo a que as consequências não sejam tão gravosas. É melhor prevenir do que remediar.
Numa situação destas com o código de expropriação que temos, como é possível às Câmaras Municipais construir habitação a preços controlados no interior das cidades? A continuar assim só há coesão social com a intervenção do poder político. Não pode tudo ficar dependente do mercado.”
Passados oito anos desde que escrevi este artigo de opinião, estamos com uma grave crise, no que se refere à política de habitação. No mercado existem centenas de milhar de casas novas e usadas para vender e poucas pessoas com posses para as comprar.
Os juros subiram e é impossível as famílias adquirirem ou arrendarem habitação que constitucionalmente têm direito.
Estamos num beco sem saída. No mercado existem muitos milhares de casas para vender e muitos milhares de pessoas que não têm uma casa nem rendimentos para as comprarem.
Existe um nicho de mercado muito grande que poderia comprar uma casa por 50.000,00 / 60.000,00 euros, onde estão as casas a este preço? E para arrendar por 300 euros por mês?
Existem no país muitos milhares de famílias especialmente jovens, com rendimentos líquidos inferiores a 900 € por mês, mesmo trabalhando o casal. O esforço já será muito grande se gastarem 1/3 com a casa 300 € por mês, mas não existem no mercado casas à venda por € 50.000,00 / 60.000,00 e o governo tem obrigação de criar condições para que estas pessoas possam adquirir ou arrendar casa.
É um problema muito grave na vida do país o facto de existirem cidadãos que fazem parte da nossa sociedade e não têm casa para morar.
Não estou a falar de pessoas muito carenciadas, refiro-me a cidadãos saudáveis, que trabalham todos os dias que são honestos e que estão impossibilitados de usar um bem que é essencial à sua qualidade de vida, que é a habitação.
Penso que a coesão social só é possível se todos tiverem uma casa que esteja devidamente integrada numa comunidade urbana organizada.
Se continuarmos a não dar atenção a este problema teremos no futuro graves problemas sociais e falta de seguranças nas cidades.
Tem que ser revisto o código de expropriações e a lei dos loteamentos urbanos para que o problema se comece a resolver. Se continuarmos a fingir que não percebemos vamos todos passar por um mau bocado num futuro próximo.
José Bastos














