Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Barreiro, Centralidades e DesenvolvimentoPor Jorge Paulo Carvalho

Penso que não deveríamos ter demasiada pressa em decidir, já, o lugar para onde a estátua deveria ir, sem antes saber o plano de desenvolvimento para as áreas da Quimiparque que se encontram em estudo.

Só lamento a actual situação financeira não permitir dar a Alfredo da Silva um monumento dele verdadeiramente digno, bem como da sua e da nossa memória, em substituição daquela estátua.

5 min de leitura
Barreiro, Centralidades e Desenvolvimento Por Jorge Paulo Carvalho

Por Jornal Rostos

Tem-se vindo a discutir de há uns anos para cá, com mais intensidade recentemente, a forma como se deve gerir e direccionar o desenvolvimento do centro do Barreiro e dos novos pólos aglutinadores que se adivinham. Esta discussão tem em conta quer a evolução que se espera do espaço Quimiparque quer a TTT, que por sua vez são elementos determinantes para o seu “aquecimento”.
Depois de várias abordagens mais ou menos detalhadas, de que foi exemplo o concurso de ideias, a CMB escolheu uma solução em parceria com entidades privadas e da autoria de Joan Busquets.
Assisti à apresentação desta visão, feita pelo autor e enriquecida por comentários de outros, e que me pareceu aceitável, boa, agradável ou qualquer outro adjectivo que se queira utilizar. Em particular agradou-me a existência do eixo Este-Oeste, ligando o rio a outros pólos de centralidade, e do eixo Sul-Norte, a possibilitar uma via de penetração no Barreiro Velho, com as virtualidades inerentes, e, finalmente, a existência de uma Praça, espaço público por excelência, como instrumento de desenvolvimento e usufruto da actividade urbana e de resistência ao abandono.

Partilho da concepção de que o monumento a Alfredo da Silva, no todo ou em parte, não tem lugar nesta visão.
Este monumento, a cuja inauguração assisti, sempre foi olhado por mim e por muitos dos Barreirenses de então de uma maneira pouco valorativa. Ora, e utilizando-me como caso-estudo, não sendo eu especialista na matéria, e no entanto me deixo ficar a contemplar os clássicos, Rodin, Botero, que gosto muito da estátua em Lagos de D. Sebastião, e que olho com a distracção normal de quem passa, mas com agrado, para as estátuas de D. José, do Marquês e até do Imperador lá no alto (dele ou de Maximiliano, tanto se me dá…), sou levado a pensar que eu e os meus conterrâneos coevos, equipados do ecletismo não demasiadamente crítico dos não especialistas, temos alguma razão nessa tal percepção.
O que penso da estátua não reflecte nenhuma falta de respeito ou menor consideração pela memória de Alfredo da Silva, capitalista e empreendedor importantíssimo para o País e para a região e a quem o Barreiro e muitos dos Barreirenses, de uma forma ou de outra, muito devem.
Também penso ser prejudicial entrar numa discussão, neste momento estéril e desajustada, sobre os malefícios do capitalismo: não tem nada a ver...

Espero que o executivo da CMB procure e consiga, em consonância com a família, encontrar um lugar digno para a estátua de alguém tão importante para todos nós, e onde haja um enquadramento adequado. Penso que não deveríamos ter demasiada pressa em decidir, já, o lugar para onde a estátua deveria ir, sem antes saber o plano de desenvolvimento para as áreas da Quimiparque que se encontram em estudo.
Só lamento a actual situação financeira não permitir dar a Alfredo da Silva um monumento dele verdadeiramente digno, bem como da sua e da nossa memória, em substituição daquela estátua.

Em relação ao Mercado tenho algumas preocupações, que têm a ver sobretudo com a relação entre a revitalização do espaço, a reafirmação da centralidade e o desenvolvimento das actividades tradicionais.
Há diversos factores que têm a ver, fundamentalmente, com o poder de compra, os hábitos (hipermercados…), o volume, qualidade e variedade dos produtos comerciados, a demografia e a formulação do espaço urbano.
Creio que não há (se houver era importante que fossem tornados públicos) levantamentos e estudos que possibilitem fazer análises estatísticas e desenvolvimento de modelos, tendo em conta os factores anteriormente referidos e outros com eles relacionados, bem como à sua interdependência.
Como ilustração, era importante saber-se se o volume de vendas tem vindo a decair, qual o perfil etário e económico dos compradores, se o perfil etário está relacionado com a proximidade e alternativas de transporte, e outros mais aspectos.
Só com uma modelação da realidade e das perspectivas de mudança nos dotaremos dos meios e do conhecimento necessários para poder escolher, para poder decidir, com economia, eficácia, eficiência e qualidade.

Receio que, e por exemplo, na ausência destes estudos, se enverede pelo caminho mais fácil da mera satisfação dos interesses e direitos, absolutamente legítimos e respeitáveis, dos mercadores e cidadãos agora existentes e presentes quando, com um pouco mais de conhecimento, se poderia a isto acrescentar a criação de uma dinâmica referenciada pelo aumento da qualidade nas diversas vertentes.
Na ausência de melhores alternativas atrevo-me a sugerir que, e pelo menos, a concepção do mercado contemple a fácil, eficiente e económica possibilidade de transformação naquilo que as dinâmicas sociais poderão vir a impor dentro de pouco tempo.
Sugiro também que se inicie um debate, neste Jornal, sobre este assunto específico, a que eu procurarei dar a minha melhor atenção e contribuição.

Jorge Paulo Carvalho

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção