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Quotidianos

O rei está morto! Viva o…. Presidente.Por Vasco Correia

Há qualquer coisa na Monarquia, em Portugal, que me fascina. Durante algum tempo não soube ao certo o quê, até que, muito recentemente, descobri. Está morta. E isso fascina-me. Claro que há pessoas que podem não concordar com esta afirmação. Permitam-me que reformule: e isso encanta-me.

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O rei está morto! Viva o…. Presidente. Por Vasco Correia

Por Jornal Rostos

Sou da opinião de que a Monarquia, em Portugal, não se deve levar muito a sério. Deve existir sim senhor, mas como hobby. Em vez de se enveredar pelo modelismo ou pelo alcoolismo, é-se monárquico. Uma causa da qual até fica bem confessar-se adepto, porque tem alguma tradição e é chique, mas que na prática não leva a lado nenhum. Um bocado como ser do Sporting.
Mas, de facto, é um regime político que me causa alguma inquietação. Desde logo porque acho que não daria grande súbdito. Sou mau nas reverências e pior na bajulação. Por outro lado, confesso que a possibilidade de ser armado cavaleiro do reino (sir), me seduz. “Sir Zé Carlos, é um folhado misto e um galão!” Mete respeito.
Não sou politólogo e não consigo enumerar as diferenças entre a monarquia constitucional e a democracia vigente. Consigo, no entanto, verificar algumas semelhanças que, actualmente, se podem comparar e que facilitariam uma, eventual, transição. Passo a enumerar: o discurso fleumático dos representantes máximos de ambos os modelos governativos; a possibilidade de, com os “casamentos” certos, se poder chegar a importantes lugares; e por último a quantidade de imbecilidades que, ao longo do tempo, podemos identificar nos dois sistemas.

Tenho para mim que a monarquia portuguesa não seria, nem de perto nem de longe, tão estimulante como a monarquia espanhola. As diferenças são muitas. Gostaria de pegar numa que me parece parva o suficiente e que, de alguma maneira, mantém a linha coerente do texto. O prestígio. Ser Filipe, Príncipe das Astúrias é muito mais interessante que ser Afonso de Santa Maria João Miguel Gabriel Rafael Zé Manel Tonel Carlos Zel Guarda Abel Famel Batatas a Granel, Príncipe da Beira. A carga dramática que o primeiro título atribui é bem mais atraente. Isto para não falar nos novos títulos nobiliárquicos que, em caso de restauração monárquica, poderíamos ver surgir no nosso país. Em Espanha o pior que pode acontecer é existir um Barão de Badajoz. Não sendo elegante, não é deprimente. Em Portugal, corríamos o risco de ter uniões matrimoniais entre um Conde da Cruz de Pau e uma Marquesa da Baixa da Banheira.

A vida de um pequeno infante, imagino, deve ser cheia de vantagens. Desde logo, com o sexo oposto. Que mulher, mais, ou menos, nova não gostaria de casar com um Príncipe? Vem nos livros. E é difícil competir com esta condição. Qualquer plebeu, em tenra idade aprende a jogar futebol, a tocar bateria, a estudar mais arduamente… faz trinta por uma linha com a única finalidade, queiramos admitir ou não, de impressionar as raparigas e basta o miúdo passar, “Oh! Ali vai o Príncipe Afonso de Santa Maria João Mig… ele, ali vai ele…”, e ficam de queixo caído! O único conforto que os miúdos podem ter é que, mais tarde ou mais cedo, o Príncipe da Beira vai ter que dar de caras com o rei do gueto…
Apesar de não ser, em nada, adepto da Monarquia, gostaria de um dia poder almoçar com a família real. Fá-lo-ia com agrado. Tenho a impressão que D. Duarte para além de bom garfo deve ser bom conversador. E acredito que seria um momento bem passado. Fluiriam conversas do tipo: “D. Duarte, pode passar-me a linbuíça?”, “Sim, já estive na Buíça… e na Buécia também!”, “Qual a minha opinião sobre a monarquia, em Portugal, D. Duarte? Fascina-me! Porquê? …hmm…”

Vasco Correia

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