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Quotidianos

Temos que adaptar a nossa vida ao preço do petróleo que não vai baixarPor José Bastos

Dir-se-ia que os países ocidentais se deixaram adormecer pelas políticas dos produtores de petróleo e das grandes petrolíferas que dominam no mundo o mercado dos combustíveis fósseis, que nuns períodos reduziam os preços noutros subiam, mas todos os especialistas sabiam que as reservas que são finitas estavam a diminuir.

4 min de leitura

Por Jornal Rostos

O mundo está alarmado dado que o petróleo sobe todos os dias e já atingiu nos mercados mundiais 135 dólares por barril.

Em Portugal o gasóleo e a gasolina atingiram preços inimagináveis: 1,4 € o gasóleo e a gasolina/95 1,5 € por litro.

Existe uma grande especulação internacional, mas uma coisa é certa, o petróleo cada vez tem mais procura e as reservas que são finitas continuam a diminuir.

Cerca de 90% do petróleo existente na Terra, pertence, hoje, aos estados que o produzem.

Portanto, o petróleo, tornou-se um bem escasso, do qual depende o desenvolvimento e o bem estar de todo o mundo ocidental com a agravante do nosso país importar todo o petróleo que necessita.

Quem tem um bem raro, que tem muita procura, ambiciona vende-lo pelo melhor preço e é isso que está a acontecer com o petróleo. Os países produtores procuram tirar o maior partido das suas vendas. É um produto que não se estraga e nos negócios, como todos sabem, não existem amigos. E aqui não existe a autoridade da concorrência, antes pelo contrário, os produtores estão organizados em cartel, na OPEP.

O petróleo ainda pode baixar, por uns tempos, para iludir os países desenvolvidos, mas, depois voltará a subir, ainda com mais força. Não tenham ilusões na baixa, porque se isso acontecer é porque os produtores têm interesse nisso para nos continuarem a adormecer.

As economias ocidentais, estão dependentes do uso de energias fósseis e até agora não conseguiram energias alternativas suficientes.

Em 1973, isto é um ano antes da Revolução de Abril, o preço do petróleo quadruplicou.

Este choque petrolífero nas economias ocidentais causou uma enorme crise e a inflação atingiu 25% na Europa e 10% nos E.U.A.

Foi por esta altura que os políticos ocidentais não tiveram uma visão estratégica de longo prazo e em vez de investirem fortemente nas energias renováveis continuaram a depender das energias fósseis, com os inconvenientes que todos sabemos que existem nas questões do ambiente e diminuição das reservas mundiais de petróleo.

Dir-se-ia que os países ocidentais se deixaram adormecer pelas políticas dos produtores de petróleo e das grandes petrolíferas que dominam no mundo o mercado dos combustíveis fósseis, que nuns períodos reduziam os preços noutros subiam, mas todos os especialistas sabiam que as reservas que são finitas estavam a diminuir.

Se por esta altura os países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento tivessem investido fortemente em energias renováveis como estão a fazer hoje, não estávamos tão dependentes de petróleo, pois existiam mais reservas e não tínhamos as alterações climáticas.

Tudo isto depende da política e dos políticos.

Os políticos ocidentais, depois do choque petrolífero de 1973, não tiveram uma visão estratégica de médio e longo prazo que levasse o mundo a investir nas energias renováveis, para não se deixarem dominar pelos países que têm petróleo.

O que se está a fazer hoje em Portugal, exigindo a instalação de energia solar nos prédios de habitação individual ou colectiva, permitindo aos particulares produzirem parte da energia que gastam, investindo nas barragens hidroeléctricas e na energia eólica, já devia ter tido início há pelo menos 30 anos.

Mais vale tarde do que nunca, mas vamos pagar caro a falta de visão dos políticos ocidentais que governaram o mundo e que tinham obrigação de saber o que se ia passar no futuro. Os políticos não servem só para governar, servem também para aplicar políticas que tenham em vista as gerações futuras.

Foi um erro estratégico de tal dimensão que hoje é completamente imprevisível saber o que se vai passar no mundo nos próximos anos. Estamos todos num beco sem saída e dependemos dos produtores de petróleo e das alterações climáticas provocadas pelo CO2.

Quando se diz que hoje os políticos na Europa são fracos e de plástico eu pergunto se os que nos governaram há trinta anos eram melhores? Penso que não.

José Bastos

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