A Democracia em Xeque…Por Humberto Candeias
os autores Hans-Peter Martin e Harald Schumann já nos tinham revelado como alguns ideólogos do neoliberalismo acreditam que a nossa sociedade não precisará de mais do que dois décimos do actual nº de trabalhadores.

Por Jornal Rostos
O desemprego tem vindo a ganhar um estatuto de normalidade a ponto de muitos considerarem que as modernas economias devem até não recear aumentar o desemprego. Trata-se de um custo aceitável e justificado pela necessidade de imperiosas restruturações do tecido económico, dizem certos especialistas na ciência económica. Frases como “ o pleno emprego é um mito.” adquirem o valor de conceitos absolutamente indiscutíveis.
Esta narrativa precisa urgentemente de ser combatida. Uma das formas é apresentar uma outra: a das pessoas em situação de desemprego.
Qual é a normalidade de não ter recursos para se alimentar a si e aos seus filhos?
Qual é a razoabilidade de não poder custear uma renda de uma habitação?
Qual é a lógica que sustenta que um jovem adulto e com qualificações esteja desempregado?
Que ganhamos enquanto comunidade quando muitos de nós não podem aceder aos seus direitos básico, são humilhados e não podem produzir para o bem geral?
A centralidade do emprego na vida das pessoas é um dado estudado e comprovado.
Quem perde um emprego, não perde apenas um recurso económico para a sua subsistência.
A qualidade da sua vida pessoal, familiar e social fica em risco.
As políticas de emprego não se podem ficar pelas intenções. A importância do emprego enquanto factor estruturante do desenvolvimento pessoal, social e comunitário com repercussões decisivas sobre um vasto conjunto de outros factores, transforma-o na melhor medida em que pode ser avaliada a intervenção dos poderes políticos.
Os propósitos do governo sobre a redução do desemprego e sobre o trabalho, como a promoção da cidadania social, acabar gradualmente com a pobreza e reduzir as desigualdades sociais ruíram completamente.
Os dados sobre as desigualdades sociais em Portugal e também sobre diferenças entre os rendimentos do trabalho mostram como Portugal não só não reduziu essas diferenças como as agravou.
Os dados sobre o Rendimento Social de Inserção revelam que cada vez mais entre o nº de pessoas apoiadas incluem-se trabalhadores. Trabalham e cada vez mais empobrecem.
O trabalho, ao invés do que PS prometeu e consignou no seu programa de governo, não tem promovido a cidadania social nem tão pouco afastado as pessoas da pobreza.
A situação das pessoas no desemprego agravada pela diminuição da protecção social nesse período, bem como a desvalorização do trabalho não colocam apenas o Governo em xeque, mas a própria Democracia. É por essa razão que este artigo não se intitula o PS e a fatuidade, mas “ A Democracia em xeque…”
Humberto Candeias
Bloco de Esquerda - Barreiro














