Os irredutíveis de AlburricaPor Jorge Fagundes
Ora, nos nossos dias e no nosso Barreiro, por mais estranho que pareça, existe como que uma réplica da célebre aldeia habitada por irredutíveia gauleses.
No nosso caso não é habitada, mas sim frequentada, muito em especial entre Junho e Setembro de cada ano, por um grupo muito numeroso e diversificado de barreirenses.
Hoje, por exemplo, às dez da manhã ,estavam lá catorze chapéus de sol e setenta e quatro indivíduos, de ambos os sexos e de diversos escalões etários.
Referimo-nos, como o título o indica, à zona de Alburrica.

Por Jornal Rostos
Não está, como a aldeia gaulesa, protegida por uma paliçada, mas sim. do lado de terra, por uma vasta superfície coberta de feno e ervas. Por baixo há areia, claro!
Se formos para o lado do rio, uma muralha de cascas de ostras defende, ciosamente, o seu acesso.
Apesar disso e contra o édito do centurião local responsável pela saúde dos indígenas, muitos atrevem-se a molhar os pés e não só.
Questionados respondem que já o fazem há mais de meio século, como o faziam os seus pais e avós. Assim sendo, que mal fará aos netinhos dar um mergulho. Critérios ancestrais!
Quanto às toneladas e toneladas de cascas de ostras, obra e graça das novas galeras que rumam a Lisboa e vice-versa, asseguram-me que o governador que manda no estuário do rio já tem em aprofundados estudos, vai lá para dois anos, uma comissão de sábios na matéria. É ostra, ou melhor, é obra!
Valha a verdade que a nossa edilidade, como em anos anteriores, já colocou no local um chuveiro.
Os mais sonhadores pensam que um dia virá em que ali vão existir instalações sanitárias, pelo menos do tipo daquelas que aparecem nas festas do Barreiro.
Os menos sonhadores, mais realistas, afirmam que instalações sanitárias sempre existiram, bem à vista.
Tratam-se de uns simpáticos arbustros rebaptizados, sabe-se bem porquê, de salgacagadeiras.
Tempos houve em que, uma vez por semana, um veículo camarário limpava a área das cascas de ostras. Esta ano, nada! Seguramente, pelo aumento dos preços dos combustíveis.
Curioso, curioso, é que apesar de não existirem um mínimo de condições, de Junho a Setembro, bem somadinhos, temos uns milhares de presenças de barreirenses a tentarem usufruir daquela zona.
Em boa verdade, o sol ainda é de borla!
Quanto ao resto, por masoquismo, ou por solidariedade com os gauleses, esses barreirenses bem merecem ser denominados como os irredutíveis de Alburrica!
Jorge Fagundes














