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Porque não Ricardo Quaresma?Por António José Ferreira

A experiência alheia, já velha, de mais de 30 anos, em França, por exemplo, devia ensinar-nos a não repetir os erros da "guetização" de populações; mas por cá, eles foram reiterados sem qualquer desculpa, abanando decisivamente o mito dos nossos "brandos costumes" e mostrando que nisto somos "tão maus como os piores".

Quando ao "caldo de cultura" de cultura mal semeado se junta o ingrediente da crise económica, dão-se estas explosões que depois ninguém assume com surpresa, dizendo que "já estava à espera", só não se entendendo como na altura em que poderiam ter sido evitadas, essas mesmas pessoas nada fizeram.

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Porque não Ricardo Quaresma? Por António José Ferreira

Por Jornal Rostos

Os recentes acontecimentos da Quinta da Fonte, só tornados evidentes pelo impacto mediático que tiveram devido à especial violência de que se revestiram (conflito inter-étnico com recurso a armas de fogo) só vieram confirmar os receios manifestados por muitos cidadãos, especialistas e não especialistas, aquando da concretização do PER (Plano Especial de Realojamento) durante os anos 90.
Muitos foram os que nessa altura levantaram a voz, quer nos meios de Comunicação, quer nos órgãos autárquicos, nos quais eu modestamente me incluo, como membro da Assembleia Municipal do Barreiro. Fui dos que alertei a Câmara para os problemas a decorrer da concentração em gueto de comunidades, problemas esses que mesmo no Barreiro já aconteceram por várias vezes, sem no entanto terem o impacto mediático dos da Quinta da Fonte, para além da estranheza no aparecimento de armas de fogo em profusão, sem que as autoridades pareçam muito preocupadas com o assunto.
Note-se que já durante a última passagem de ano, houve vítimas mortais, nomeadamente crianças, em bairros semelhantes na periferia de Lisboa e do Porto, devido aos "festejos" comemorados com "tiros para o ar" que alegadamente se devem a uma "tradição" étnico-cultural, na terminologia politicamente correcta que costuma eufemizar estas práticas. Não estando nós em Bagdade nem em Beirute, não sei se alguém entenderá as mesmas como razoáveis.

É um facto lamentável que a História não nos ensine nada, e digo "nos" mas refiro-me em especial aos decisores que, tal como no problema da construção em leito de cheia, teimam, e sabe-se bem porquê, em fazer "orelhas moucas" aos avisos que vão sendo feitos acerca das nefastas consequências de erros de Planeamento, que se podem qualificar como criminosos. A experiência alheia, já velha, de mais de 30 anos, em França, por exemplo, devia ensinar-nos a não repetir os erros da "guetização" de populações; mas por cá, eles foram reiterados sem qualquer desculpa, abanando decisivamente o mito dos nossos "brandos costumes" e mostrando que nisto somos "tão maus como os piores".
Quando ao "caldo de cultura" de cultura mal semeado se junta o ingrediente da crise económica, dão-se estas explosões que depois ninguém assume com surpresa, dizendo que "já estava à espera", só não se entendendo como na altura em que poderiam ter sido evitadas, essas mesmas pessoas nada fizeram.
Uma sugestão ainda que paliativa à Dra. Rosário Farmhouse: porque não solicitar os bons ofícios de Ricardo Quaresma para promover um evento festivo de reconciliação entre as comunidades desavindas, uma vez que ele tem ascendência em ambas e terá um natural ascendente sobre, pelo menos, a juventude do bairro.

António José Ferreira

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