Será uma questão cultural?Por Jorge Fagundes
Embora alguém, que muito prezo, me diga que este hábito porcalhão é uma questão de cultura, permito-me aconselhar a nossa Câmara a perguntar à de Beja se o "motocão" resultou.
Se sim, e com urgência, venha pelo menos um para o Barreiro

Por Jornal Rostos
Nos já longínquos tempos em que frequentava a Escola Primária, e mesmo a "velha" Alfredo da Silva( anos quarenta e princípio dos anos cinquenta) não estavam na moda, como hoje, os cães de companhia. É claro que havia quem tivesse um cão, essencialmente para guardar os quintais onde existiam pequenas hortas, árvores de fruta, coelhos e galináceos. Um ou outro caçador também tinha o seu perdigueiro.
A alimentação base destes denominados fiéis amigos do homem era constituida pelos restos da comida dos donos.E, tanto quanto se apercebia, os bichos gostavam.
Além destes cães domésticos apareciam, às vezes, animais abandonados, oriundos de outra terras e que eram
metidos nos combóios de mercadorias que vinham parar ao Barreiro.
Embora, na altura, os cães já tivessem de ter licença, é certo e sabido que muitos não a possuiam. O que, por vezes, quando se escapuliam para as ruas, era um drama para os donos, muito em especial para as crianças, uma vez que a Câmara tinha uma brigada especializada na apanha de cães, devidamente equipada com ferramental para o efeito, e uma carroça para transporte dos infelizes bichos "caçados".
Quem, dos rapazes e raparigas desse tempo não se recorda da, para nós, "sinistra" figura apelidada de "Calafate", que apenas e em abono da verdade, se limitava a cumprir as suas funções? E dos esforços, às vezes coroados de êxito, que empreendíamos no sentido de evitar que os cachorros fossem apanhados?
Como dizia o poeta, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,e os hábitos, acrescente-se.
Hoje, ter um cão, pequeno, médio ou grande, tornou-se corriqueiro. Mas, desaparecidas as antigas casinhas com quintal para nos seus lugares se construirem prédios de vários pisos, onde ficam os câes? Nesses andares, claro!
Onde não há espaço para correr, saltar, brincar e, aqui é que a porca( ou melhor, o cão) torce o rabo: nem para satisfação das suas necessidades fisiológicas.
Para isso existem as ruas, as avenidas, os jardins.
E é ver os donos e donas dos bichinhos, com ou sem trela, a trazê-los para esses espaços públicos para o competente alívio.
E os dejectos, salvo honrosas excepções de pessoas, pelos vistos, fora de moda, ali ficam à espera dos menos atentos que os pisam (e sai cada palavrão!) ou dos serviços de limpeza camarários.
A quem, segundo tenho ouvido a donos dos canitos, quando interpelados, compete essa limpeza. Então não é que eles até pagam umas tais taxas de saneamento e/ou de resíduos?
Segundo em tempos li, a Câmara Municipal de Beja adquiriu um "motocão", ou seja, uma mota equipada com aspirador para recolha das "prendas" caninas. E aplica aos donos, que não apanhem os dejectos, uma coima variável entre os 25 e os 250 euros.
Embora alguém, que muito prezo, me diga que este hábito porcalhão é uma questão de cultura, permito-me aconselhar a nossa Câmara a perguntar à de Beja se o "motocão" resultou.
Se sim, e com urgência, venha pelo menos um para o Barreiro.
Jorge Fagundes














