Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Obras no Centro do Barreiro - Faits divers?Por Rui Lopo

A cidade do Barreiro apenas iniciou o seu processo de transformação e modernização urbana. Será um esforço de todos, de alguns anos, mas para todos e por muitos anos, que compatibilizará certamente o legado histórico na medida do adequado à nova cidade de que ergue, aos espaços de convívio que promove e à mobilidade que se pretende.
Teremos uma nova avenida Alfredo da Silva, um novo centro de cidade, um eixo de vivencias, das muitas que se projectam no presente e no futuro do Barreiro.

5 min de leitura
Obras no Centro do Barreiro - Faits divers? Por Rui Lopo

Por Jornal Rostos

Dou por mim a pensar que muito do estado actual do país é atribuído à muitas vezes denominada passividade do povo português. Encontram-se um sem número de justificações, umas certamente aos olhos de cada um, mais ou menos plausíveis. Uma dificilmente explicável inacção, que talvez mais não seja que a combinação de um conjunto vasto de factores. Faits divers?
Ainda, dissertando sobre esse aspecto, a passividade nacional, ela revela-se surpreendentemente aleatória, na medida em que atravessa sectorialmente e de forma pouco previsível, a nossa sociedade das mais diversas formas e comportamentos. Vemo-lo nas empresas, com gestores muito dinâmicos mas que determinadas aprovações estão repletas de ambiguidades que não coloquem em causa quem as devia tomar, no desporto, em que um determinado treinador não opta por determinadas tácticas por conforto da posição, dos seus jogadores, dos adeptos ou dos dirigentes, etc.
Que teria sem dúvida sido mais fácil nada decidir, nada fazer, não ter ideias sobre o centro do Barreiro parece-me bastante evidente. As decisões já estavam tomadas pelo executivo anterior, o orçamento é parco e a responsabilidade das más decisões, da falta de orçamento tinham a folga de um mandato para serem imputadas, justamente, diga-se, ao executivo anterior. Para quê ter agora novas perspectivas de cidade? Porque pensar no novo espaço do mercado como um equipamento importante numa estratégia de desenvolvimento de cidade, de espaço urbano? Já se havia aplicado alguma cosmética nos passeios – que acabou por não correr nada bem a quem nele se meteu! Um arquitecto catalão que custa milhares de euros em consultoria e sem dinheiro nos cofres municipais! E agora, alargar os passeios, plantar uma catrefada de árvores na avenida pode ser uma chatice… cortar o transito durante o mês de Agosto… e se alguma coisa não ficar bem-feita?
Eu diria que este seria o registo de muitos portugueses, alguns barreirenses, quando confrontados com as perspectivas de executar num mandato de orçamento escasso, as medidas que perspectivem uma cidade que se projecte para o desenvolvimento e que contrarie a estrita perspectiva de crescimento.
Houve discernimento com a conjugação da obra necessária à melhoria das condições do centro da cidade, com as também necessárias obras de água e saneamento decorrentes da implementação da ETAR, com o maior enfoco de obra no mês de Agosto, mês de menor dinâmica quotidiana na cidade. Houve responsabilidade quando se troca um espaço vão de 400m2, espaço onde o executivo anterior acordou passar a existir as funcionalidades de mercado, pela avultada obra que reabilita e melhora substancialmente o mercado tradicional que, pelas informações tidas, já leva cerca de 3000m2. Houve muita sobriedade quando se opta por criar no projecto mais espaços de estacionamento no centro, a reabilitação do espaço envolvente, com valências diversificadas e a complementar melhoria de toda a avenida Alfredo da Silva.
A determinação e as ideias do actual executivo fazem-me acreditar que efectivamente teremos uma cidade mais homogénea, com perspectiva de futuro, que não se identifica marginalmente com Lisboa, mas que se afirma como um dos pólos de desenvolvimento da capital, com identidade própria. Quem faz o Barreiro, são também os barreirenses, mas para isso é preciso tê-los por cá aplicando para tal medidas concretas e não palavras promocionais de uma qualquer agência de comunicação. Um produto afirma-se pela sua qualidade e não apenas pela imagem que o promove.
A cidade do Barreiro apenas iniciou o seu processo de transformação e modernização urbana. Será um esforço de todos, de alguns anos, mas para todos e por muitos anos, que compatibilizará certamente o legado histórico na medida do adequado à nova cidade de que ergue, aos espaços de convívio que promove e à mobilidade que se pretende.
Teremos uma nova avenida Alfredo da Silva, um novo centro de cidade, um eixo de vivencias, das muitas que se projectam no presente e no futuro do Barreiro.
Não vão faltar aqueles que, da inacção sofrem ou da falta de perspectiva que dela advém e sem dos temas terem sequer uma ideia, um registo opinativo claro e exequível, vêem apontar o dedo à pedra que ficar fora do sitio, ao banco de jardim que mudar de sitio, aqueles cujo elemento a corrigir será sempre o prego que segura o quadro, porque do quadro, sobre esse, não tiveram nem têm a capacidade de o perspectivar, de o encomendar ao artista ou escolher e pagar a moldura.
Temos uma cidade com ideias e acções. Temos barreirenses determinados e capazes. Faits divers?

Rui Lopo, deputado municipal CDU na assembleia municipal do Barreiro

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção