Associação Comunitária do BarreiroACB Revisitado – Cidadania
Por Jorge Paulo carvalho

Por Jornal Rostos
É raro dar seguimento a comentários de artigos, corroborativos ou não, até porque uma parte significativa dos que são conhecidos não merece relevância; imagino o que se passa com os que não são conhecidos…
Mas, às vezes, há comentários que, positivos ou negativos, abrem importantes pistas de análise e de discussão, até porque representam uma forma de estar de olhar corrente no meio social, quer a consideremos positiva ou negativa.
Este é o caso do comentário de João S. em relação ao meu artigo de opinião em que eu, no fim de contas, falo da minha experiência pessoal, da minha ligação, muito “verde” que ela é, em relação à ACB, e em que faço, para além do apelo à solidariedade, um apelo à cidadania. João S. diz:
“Caro autor O seu artigo deu-me a conhecer o ACB e fui lá ver ontem o que se passava. No caminho ouvi conversas a dizer que as pessoas do ACB só davam porcarias e que as coisas boas ficavam para os amigos. Também vi que algumas pessoas vinham de lá a fazer comentários do género de que já os tramámos e que deitavam coisas para o lixo. Afinal o ACB serve para alguma coisa? E os doutores que lá vão não é só para se promoverem? Ora explique lá isto.”
João S. traz a lume questões que devem ser analisadas sob o ponto de vista do exercício de cidadania solidária, voluntária e participativa.
Um dos problemas que se nos depara, em sociedade, é essa forma, muito voluntariosa e muito participada, de parasitar e de denegrir. Assim, não me espanta que muitos abusem dos sistemas de acção social e da boa vontade dos outros: o conto do vigário social é uma arte com muitos adeptos e em muito bom estado de saúde!
Não duvido haver pessoas que se inscrevem nestas organizações de solidariedade como beneficiários, e que têm bons carros, muitos telemóveis e plasmas ultra modernos. E também tenho consciência que algumas pessoas, embora necessitadas, têm propensão para não dar valor àquilo que lhes é dado, que eles não se esforçaram (leia-se trabalharam) para obter.
Temos de reconhecer que tem havido alguma dificuldade, por parte dos serviços públicos, de se equiparem para poderem garantir a veracidade das declarações que validam, em particular a de agregado familiar e de rendimentos, e que quem está na linha da frente do atendimento pode sentir não ter a “força” indispensável para controlar da maneira mais firme, situações interpretáveis como de pressão ou de ameaça.
E ainda há a que ter em linha de conta a demagogia ou a ligeireza que transparece nalguns órgãos de informação, desde locais a nacionais: não é raro aparecerem acusações de racismo ou insensibilidade a quem está simplesmente a fazer o que deve em defesa do bem público.
Isso é uma questão que completamente ultrapassa o funcionamento das IPSS, mantidas muito à custa da credibilidade, trabalho e até sacrifício pessoal, das pessoas que nelas se empenham.
Vale a pena abordar também uma questão, que transparece muitas vezes no pensamento e no discurso, acerca das razões que levam pessoas a colaborar nestas acções. Pergunta-se, com uma certa dose de cinismo, o que é que elas lucram com isso?
Há uma certa tendência, defensiva, para dizer que não se lucra nada. É claro que, quem colabora, “lucra” com o trabalho voluntário que faz: auto-gratificação, prazer do dever cumprido, promoção de ideias, um lugar no além… um nunca mais acabar de possibilidades. Cada um “lucra” aquilo que lhe dá mais prazer e satisfação! Como em todos os aspectos da vida, as pessoas fazem, dentro do que podem, o que lhes traz mais satisfação. Cínicos, desistam!
Há um ponto na nota de João S., importante e gratificante: João S. afirma ter sido alertado por esse tal artigo de opinião para o facto da existência desta específica IPSS, a ACB. É da maior importância dar conhecimento público, e fazê-lo frequentemente, destas organizações e do seu trabalho.
Gostaria de sugerir a este órgão de informação, o Rostos, mas estendendo esse desafio a outros, que fizesse uma série de artigos de reportagem sobre estas organizações e (porque não?) começando já pela ACB.
Seria muito interessante ter, no seguimento da opinião que expressei anteriormente (uma referência necessariamente parcelar), a visão dos reais responsáveis pelas acções de criação, lançamento e operação da ACB: os procedimentos, a burocracia, as dificuldades, os sucessos, a manutenção dos circuitos de abastecimento e dos procedimentos administrativos, um quase nunca mais acabar de actividade regular e constante. Com nomes, fotografias e tudo, para ter mais impacto!
Era justo, motivador e educacional que isso acontecesse.
E era um grande passo na luta pela cidadania, de que este jornal, o “Rostos”, tanto e tão bem se tem feito eco.
Muito mais há a dizer e a fazer e, juntos, em sociedade, sem cinismo e com perseverança, continuaremos a fazer o caminho!
Jorge Paulo Carvalho














