ILAÇÕES, PRINCÍPIOS E CONCEITOS- a “guerrilha partidária” vs o “terrorismo político-partidário”
Por Carlos Pires

Por Jornal Rostos
Reputo o espaço do ROSTOS de relevante importância no âmbito dos meios de comunicação social do Barreiro, fundamentalmente por aberto ao contraditório dos pensamentos e dos conhecimentos. Não deixo por isso de meditar o tipo de intervenção que aqui faço, questionando-me sobre a sua validade, âmbito, nível e frequência. Julgo que a importância do contraditório, da afirmação dos conhecimentos, dos valores e das causas que tento registar, justificam esta intervenção. O aproveitamento de parte dos meus tempos lúdicos na reflexão sobre assuntos e matérias que interessam à comunidade a que pertenço, por humilde que seja a prestação que assim dê, se por um lado me dá prazer e assim nunca será tempo para mim perdido, por outro pode constituir uma contribuição para o acicatar de consciências e de atenções para conceitos e verdades que naturalmente tenho como meus, no pleno respeito pelas dos outros.
Fico um pouco perplexo quando julgo que algo não se encaixa nas posições e proposições que reconheço aos que aqui intervêm. E daquele modo não deixo de naturalmente participar na discussão das matérias que neste jornal se registam, comentando-as ou, pelas dúvidas que se me levantam sobre algumas das ideias que vêm sendo defendidas, inscrevendo em artigo a minha opinião sobre aquelas.
Hoje, permita-se-me, gostaria de questionar a tentativa de catalogação do que é “bom partidarismo” e “mau partidarismo” nomeadamente quando aquilo que se apelida indiscriminadamente de “guerrilha partidária” é carimbado como sendo exemplo deste. Penso que esse discurso, nesses termos e na minha opinião, pode abrir caminhos a ataques perigosos, não ao “mau partidarismo”, mas à acção dos partidos em geral, a qual é já de si fragilizada pela explorada mediatização das suas reconhecidas imperfeições, exploração essa que não tem igual em outras actividades humanas. Porque em democracia não há partidos bons e partidos maus: há partidos! E há partidos que no quadro das suas matrizes ideológicas e programáticas defendem os seus projectos e protagonistas contradizendo naturalmente os que, na democrática disputa do espaço político, se lhe opõem e neste âmbito podem ser assim avaliados pelos cidadãos.
Claro que me repugna a ofensa, a insinuação não provada, a presunção maniqueísta, as inferências tendenciosas, no fundo, a baixeza dos argumentos, a falta de respeito pelos outros. Isso não é “mau partidarismo”. Para mim é “terrorismo político”.Tenho contudo a certeza que tais procedimentos não são exclusivos da actividade partidária e que, não só constituem uma parte residual da mesma - pois há mais partidos para além das suas disputas internas e inter-partidárias (a que alguns chamam de guerrilhas) -, como também não são exclusivos de uma específica força partidária, embora mais evidentes numas do que noutras desde logo pela sua formulação estatutária ou ideário político.
Por outro lado recuso-me a aceitar a actividade partidária como tendo a exclusividade dos predicados para a acção política e assim subscrevo que haja, não só “mais Barreiro para além das guerrilhas partidárias”, mas fundamentalmente muito mais Barreiro para além dos partidos. Mal seria se a nossa terra, na criação e formulação de ideias e projectos se resumisse aos nossos 4000/5000 concidadãos que estimo aqui serem militantes de partidos ou organizações políticas. Por isso acredito na democracia participativa em que os cidadãos individualmente ou organizados noutras estruturas que não os partidos, participem activa e efectivamente na idealização, definição e materialização da vida da sua comunidade. E disso temos felizmente muitos exemplos.
Contudo tal postura não diminui a minha crença na validade da acção dos Partidos e muito menos na representatividade política que lhes é conferida pelos actos eleitorais, infelizmente em decrescente reconhecimento justificado no aumento da abstenção, facto que merece reflexão.
Também por isso repúdio que à nossa terra se queira hoje, por vezes incoerentemente e na minha opinião incorrecta, presunçosa e contraproducentemente, colar uma “cor”, como se de uma marca se tratasse. Assertivamente afirmando a sua história de luta pela liberdade, felizmente que o Barreiro é presentemente e também, contra a vontade de alguns que tal continuam a bramar, uma terra de muitas cores. E disso sim, importa realmente orgulhar-se, recusando liminarmente pretensiosos estigmas que hoje não concorrem para o seu desenvolvimento.
Carlos Pires
Cidadão do Barreiro, Arquitecto e militante e autarca do PS na AMB.














