A interferêcia Partidária na AutoeuropaPor António Chora
A independência dos dirigentes sindicais e de CTd é necessária, e os trabalhadores cada vez mais a vem exigindo, veja-se os resultados na Autoeuropa das listas apoiadas por trabalhadores e as abertamente apoiadas pelo Sindicato, e a promiscuidade existente entre politica e sindicalismo não é benéfica para ninguém.

Por Jornal Rostos
Olá Manuel,
Numa resposta ao artigo do Daniel Bernardino sobre interferências partidárias na Autoeuropa e no parque industrial indirectamente envolves o meu nome mesmo sem o citar, afirmas a determinada altura que eu próprio já fui deputado do BE e é verdade, colocando ao Daniel a seguinte questão:
“Tu e eu, fazemos parte dos actuais Corpos Gerentes do SINQUIFA, certo? Enquanto sindicalistas recebemos orientações do PCP, e tu, enquanto Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia, não tens qualquer tipo de orientação do BE? És completamente independente! Desculpa, mas há qualquer coisa aqui de errado.”
Ora o que existe aqui de errado companheiro Manuel, é que tu não concebes um Sindicato sem Partido nem um partido que não tenha células, que como no caso da Autoeuropa, não esteja à porta das fábricas todas as quintas, a distribuir em pasquim de célula o que o sindicato distribui ás quartas, mais uns ataques à CT e isto acontece não só na Autoeuropa mas também no Parque Industrial, para além de que um dia por semana está alguém a arrebanhar os militantes para os levar para as instalações do partido e assim lhes fazer a cabeça, lhes dar cursos de luta de classes* , apresentando tal como em 1917 a empresa como o principal inimigo, mostrando as chefias e Directores como o principais alvos, esquecendo que hoje, no caso dos Directores, essas pessoas são assalariados, (com salários diferentes dos nosso é verdade) mas que cumprem ordens, ordens que não são dadas no caso concreto da Autoeuropa e Parque Industrial, por ninguém que esteja em Portugal, mas sim a mais de 2000 Km de distância, e onde para eles, Directores, existe sempre um posto de trabalho.
Este controleirismo do século XIX qleva a uma falta de autonomia incrível dos dirigentes sindicais no interior da (s) empresa (s) que leva a que muitas vezes qualquer nova proposta apresentada tenha que ter a aprovação do controleiro.
É isto que não existe no BE, ali não há células, não há controleiros, não há tendências sindicais de carácter politico, há confiança nas posições dos seus sindicalistas, e estes, apenas tem que se expressar segundo os sentimentos dos trabalhadores que representam, sem terem que prestar contas a niguem, a não ser a esses mesmos trabalhadores, ali ninguém é afastado das suas funções de dirigente sindical ou de CT, pelo simples facto de ter tido um resultado menos bom, não por não alinhar na demagogia e no populismo das promessas fáceis.
È aqui que a coisa “está errada”, é esta a grande diferença entre os dois partidos da esquerda, e no dia que assim não for no BE, eu serei o primeiro a dizer “para mim chega pois para ser igual, e andar a pôr o partido à frente dos interesses dos trabalhadores ficava onde estava”. A independência dos dirigentes sindicais e de CTd é necessária, e os trabalhadores cada vez mais a vem exigindo, veja-se os resultados na Autoeuropa das listas apoiadas por trabalhadores e as abertamente apoiadas pelo Sindicato, e a promiscuidade existente entre politica e sindicalismo não é benéfica para ninguém.
Tu resolvestes citar toda a CRP, mas omitiste a Lei no que diz respeito à proibição dos dirigentes sindicais serem dirigentes partidários exactamente para evitar a promiscuidade entre partidos e sindicatos e digo-te que a promiscuidade entre partidos e sindicatos é má, muito má mesmo, basta olhar para a resposta do Secretário de Estado do Trabalho em 1975, mais tarde secretario-geral do PCP, quando este recusou a proposta de redução do horário de trabalho para as 40 horas, com o argumento que estávamos a caminho do socialismo real, o que fizeram os sindicatos?
Aplaudiram, e com esses aplausos estivemos depois 21 anos á espera da dita redução, por fim, referes as praticas do PS em 1977 que levaram à criação da UGT, e tens razão, no entanto esqueces ou omites as tentativas da consagração da unicidade sindical, cópia integral dos sindicatos dos países do Leste os tais que implodiram na primeira hipótese de liberdade.
Tu resolvestes terminar de uma forma que não entendi com citações avulsas do grande professor e anti-fascista Bento Jesus Caraça, que dá o nome à escola Profissional da CGTP (onde boa parte dos professores estão a recibo verde ou a contrato temporário), eu, porque acho mais lógica, termino com a entrevista de João Batista Lemos – secretário nacional sindical do PCdoB, ao Secretário Geral do PCP Jerónimo de Sousa, publicado pelo jornal oficial do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) a 20 de Setembro de 2004**.
Durante a recente viagem que realizei a Lisboa, para participar da festa do jornal "Avante", órgão central do Partido Comunista Português (PCP), tive oportunidade de manter, no dia 7 de Setembro, uma longa e produtiva conversa com o camarada Jerónimo de Souza, secretário sindical do PCP e deputado nacional
Perguntei a ele quais foram os resultados e dificuldades que encontraram na acção do Partido. Souza me respondeu que essas acções fizeram com que a influência social do Partido seja maior do que a influência eleitoral, ressaltando as virtudes da organização comunista no interior das empresas. "Hoje temos hegemonia na maior central sindical dos trabalhadores de Portugal, a CGTP-IN, controlamos 70% de sua representação.
1 - Os comunistas da direcção da CGTP-IN se compõem em uma célula que é acompanhada directamente pelo Comitê Central, a célula discute todas as tarefas políticas e gerais do Partido.
2 - Um organismo de funcionários, que são quadros profissionalizados e ligados ao Comitê Central. acompanha os organismos de cada Federação Nacional, como metalúrgicos, professores, trabalhadores agrícolas, entre outros.
3 - Foi criada uma coordenação de estudo e elaboração de Políticas Públicas para os sectores e ramos como agricultura, energia, petróleo, saneamento, entre outros. Essa coordenação é composta por intelectuais, técnicos e trabalhadores do ramo ou empresa do sector.
4 - A Comissão Sindical, responsável pelo trabalho geral do Partido na frente sindical, é composta por 20 membros, representativos de diversas áreas em âmbito nacional. Recolhe e promove informações dos principais problemas, as mudanças que ocorrem na realidade e o estágio de organização do ramo de actuação. Elabora propostas para o CC e para a CGTP-IN.
António Chora
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da VW Autoeuropa
Por mais CRP que cites o Daniel não deixa de ter razão.
*Ver http://www.ofaisca.org/ as fotos dos cursos
** Não envio Link porque a mesma foi retirada da net a pedido do PCP.














