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Quotidianos

E se os desalojados da expo tivessem vindo para Montijo?Por José Bastos

Há muitos anos que penso que a inclusão dos mais carenciados no território urbano da cidade, só é possível se nos loteamentos urbanos for determinada uma percentagem de fogos para habitação social e a preços controlados, entregues às Câmaras, no momento em que são entregues as áreas para equipamento.

No Montijo era uma questão pacífica e todos aceitavam.

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Por Jornal Rostos

Num texto que está publicado em livro, “Intervenção Política” 1998 a 2001, com o título A Segurança de uma Cidade, entre muitas coisas dizia o seguinte:

“A Câmara está a tomar decisões políticas importantes para melhorar a qualidade de vida das zonas onde vivem as pessoas mais carenciadas ao mesmo tempo que procura que as novas habitações sociais não sejam construídas na periferia da cidade.

É assim que estão a ser melhoradas as infra – estruturas e construídos equipamentos e espaços verdes nas zonas carenciadas da Caneira e Esteval na freguesia de Montijo e no Bairro das Descobertas na freguesia do Afonsoeiro.

Tanto as populações do Bairro da Caneira como do Bairro do Esteval deixaram de estar isoladas porque em redor estão a ser construídos prédios de habitação colectiva e unifamiliares para venda livre.

Os prédios para habitação social a construir ainda este ano pela Câmara vão ficar implantados mesmo no Centro do Montijo, a Poente da Circular, num terreno que uma Câmara do PS expropriou para esse fim, no final dos anos setenta.”

Há muitos anos que penso que a inclusão dos mais carenciados no território urbano da cidade, só é possível se nos loteamentos urbanos for determinada uma percentagem de fogos para habitação social e a preços controlados, entregues às Câmaras, no momento em que são entregues as áreas para equipamento.

No Montijo era uma questão pacífica e todos aceitavam.

Quem contacta frequentemente comigo sabe que muitas vezes falo deste assunto. Aliás sei de experiência vivida que se pobres e ricos viverem no mesmo território e frequentarem as mesmas escolas e os mesmos espaços públicos o nosso viver colectivo não será perfeito, mas viveremos muito melhor.

Políticas de condomínios privados para ricos e pobres na periferia conduzem a situações explosivas como aquelas que se passam no Bairro Social da Quinta da Fonte, em Loures e noutras zonas da Área Metropolitana de Lisboa.

É inadmissível que mais de 2500 pessoas carenciadas vivam num espaço urbano isolado onde a política tem dificuldade de entrar, os moradores não pagam as irrisórias rendas, nem a água, nem a luz, onde os táxis não fazem serviços e as empresas de electrodomésticos não fazem entregas ao domicilio.

Tudo isto sempre foi prevenido pelo PS de Montijo, a partir do final dos anos oitenta do século passado.

Em 1992 / 1993 houve uma grande polémica na Câmara de Montijo, por causa da aprovação de uma urbanização social de preços controlados a norte da circular, em frente ao supermercado “Modelo”, com 700 fogos, num terreno de 6 hectares que segundo os índices só comportava 360 fogos. Os Vereadores do PS sempre se opuseram à aprovação e o assunto só ficou, arrumado quando começou a constar que aquela quantidade de fogos se destinavam possivelmente às pessoas que iam ser desalojadas da zona da Expo e os Vereadores do PSD se puseram de acordo com os do PS.

Não fazia sentido que a empresa que ia construir estes 700 fogos ainda tivesse para vender, sem comprador, 207 fogos no Bairro do Esteval.

Vale sempre a pena lutarmos por aquilo que pensamos ser o melhor para a nossa Terra.

É evidente que foi de extrema importância o consenso a que chegaram os Vereadores do PS e do PSD, na altura em maioria, para votarem contra o projecto.

José Bastos

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