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Quotidianos

ILAÇÕES, PRINCÍPIOS E CONCEITOS (III)- “saber fazer” (obra) e “saber estar” (na política partidária)
Por Carlos Pires

Não há partido nenhum que no poder, por mais que possa por isso pugnar, nada ou tudo faça e/ou tudo o que faça, o faça com ou sem toda a idoneidade e/ou sem ou com toda a proficiência. Não comungo dessa matriz de análise, pelo que também não subscrevo a de alguns responsáveis políticos, nomeadamente do PCP, quando querem fazer crer e mítificar a exclusividade dos seus méritos e as suas “superioridades morais, de competência e de trabalho”, muito menos hoje que são reconhecidas como caducas pela evidência da sua prática.

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ILAÇÕES, PRINCÍPIOS E CONCEITOS (III) - “saber fazer” (obra) e “saber estar” (na política partidária) Por Carlos Pires

Por Jornal Rostos

Como já tive oportunidade de registar, valorizo como espaço plural este jornal e quem assim o faz. Julgo que uma das formas de participarmos na idealização de um Barreiro melhor, poderá também ser contraditarmos justificadamente o que avaliamos diferentemente dos que aqui expressam opiniões e igualmente para isso estarmos disponíveis da parte de outros.

Ninguém esquece a necessária e inadiável obra de saneamento realizada nos iniciais mandatos do PCP (e ainda no tempo da Comissão Administrativa). Voltar contudo a fazer apelo a ela quando nem o próprio PCP já o faz e após 25/30 anos depois da mesma ter justificado a mistificação da exclusividade deste partido em relação ao “Trabalho, Competência e Honestidade”, agora para “justificar” a factual quase total “ausência” de obra nova, parece-me de todo rebuscado, e assim se me apresenta desajustado ao debate que hoje se impõe tendo em vista avaliar qual das forças políticas é que reúne mais e melhores condições para liderar nas autarquias o processo de desenvolvimento da nossa terra.

Quanto ao pioneirismo dos estudos realizados para o PDM-B também aqui registado como valoroso feito, não o revendo assim, eventualmente por formação profissional, permita-se-me que em contraponto apenas dê nota da forma como o mesmo foi autocraticamente construído e formatado, e como o seu conteúdo foi desde a sua génese amplamente reconhecido como castrador da iniciativa, da criatividade, da capacidade negocial dos competentes órgãos autárquicos. Aliás para este facto muitos chamaram a atenção na altura, nomeadamente na única (1ª e última) reunião da respectiva Comissão de Acompanhamento a que assim pertenci. Se mais não fosse, os seus resultados estão à vista, agora que há muito se extinguiu o seu “horizonte de vida” legalmente previsto. Tendo a sua relativa validade, não se sobrevalorize o que não é assim valorizável. Diria mesmo que, como exemplos de obra feita em mandatos do PCP, outros haveria mais felizes. E isto para afirmar sem complexos que quem disser que o PCP nada fez de bom no Barreiro, mente inquestionavelmente com todos os dentes que tem na boca. Mas igualmente assim o fará quem justifica os resultados eleitorais autárquicos com a falta de credibilidade dos projectos e dos protagonistas das outras forças políticas, que não os do PCP, recalcando mitos caducos, pois como se constatou no mandato do PS a falácia da exclusividade da “Competência, Honestidade e Trabalho” do PCP foi pela evidência da comparação, então desfeito. Porquê ressuscitá-lo insinuadoramente aqui e agora?

São inquestionáveis as dificuldades económico-financeiras com que as nossas autarquias hoje vivem, muitas, que não todas, decorrentes da conjuntura dos tempos que passam. Mas já não o eram no mandato anterior? Porquê dar-se hoje o beneplácito daí decorrente à actual maioria camarária que se não deu, nem se quer dar agora, à anterior? Ou só hoje é que “não há pão”?

Acresce que não deixo de concordar que não foi por mero acaso que Emídio Xavier, e bem, convidou Pedro Canário, para os actos inaugurais das obras iniciadas no mandato deste. Apesar de ser obra, não foi certamente por politiquice. Foi por uma postura política de “Fazer Cidade” que orgulha o PS. Agora, como não se lançou a 1ª fase das obras (foram os “outros”, mas sem conferência de imprensa), lança-se a 2ª fase das mesmas e faz-se uma conferência de imprensa. Acaba-se e inaugura-se a 1ª a fase de uma obra com outra conferência de imprensa. Do mesmo modo concordaria que, também não por mero acaso, Emídio Xavier tivesse sido para o efeito convidado. Mas não o foi e sabem porquê? Pela diferença entre o PS e o PCP no “saber fazer” cidade face ao reconhecimento do que é viver em democracia e ao “saber estar” no papel de cada um nesta, que assim não tem sido objectivamente registado.

Ampliar referências e posturas pontuais no exercício da sua liberdade de opinião inferindo da boca de simples militantes ou simpatizantes partidários, a posição de um partido que tem os seus órgãos e responsáveis que fazem sua orientação a opinião de todos os que neles democraticamente participam, pode objectiva ou eventualmente deturpar as reais posturas desse partido, pelo que não acho curial nem politicamente relevante a sua referência, por muito jeito que dê, por sistemática, para a sua diabolização.

Não há partido nenhum que no poder, por mais que possa por isso pugnar, nada ou tudo faça e/ou tudo o que faça, o faça com ou sem toda a idoneidade e/ou sem ou com toda a proficiência. Não comungo dessa matriz de análise, pelo que também não subscrevo a de alguns responsáveis políticos, nomeadamente do PCP, quando querem fazer crer e mítificar a exclusividade dos seus méritos e as suas “superioridades morais, de competência e de trabalho”, muito menos hoje que são reconhecidas como caducas pela evidência da sua prática. Muito menos quando comparativamente pretendem avaliar a credibilidade das suas propostas e dos seus protagonistas deste modo: nós somos os únicos “bons” porque os outros são todos “maus”. Os factos conhecidos de diversos âmbitos da governação autárquica ocorridos no actual mandato, alguns bem recentes, desmentem tal avaliação comparativa e contra factos não há argumentos!

O Barreiro não necessita de ídolos inconsistentes com as suas prementes necessidades, de sectários mitos inconsequentes com as suas reais motivações individuais e colectivas, de impostas e pouco abrangentes identidades incoerentes com as suas mobilizadoras ambições, mas sim de protagonistas políticos que satisfaçam coerentemente as necessidades da sua população, suportem causas abrangentes da sua comunidade e promovam ideias e projectos com base em objectivos que efectivamente concorram para a melhoria da qualidade de vida dos barreirenses. Temos direito a isso, saibamos pois estar e fazer por isso.

Carlos Pires
Cidadão do Barreiro, Arquitecto, militante e autarca do PS na AM-B.

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