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Quotidianos

Política, Barreiro e Executivo Municipal (I)Por Jorge Paulo Carvalho

O Barreiro está a atravessar um período de grandes desafios, sendo importante que todos os participantes com responsabilidades, em particular os partidos políticos de maior expressão local, sejam capazes de estabelecer um diálogo frutuoso com a população, em particular com os eleitores, de forma a possibilitar a adopção de medidas e a assumpção de acções benéficas para o Concelho.

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Política, Barreiro e Executivo Municipal (I) Por Jorge Paulo Carvalho

Por Jornal Rostos

Tenho acompanhado, de tão longe quanto possível, aquilo que passa por discussão política, e que tem estado ligada à acção do executivo da CMB relacionada com trabalhos em curso ou verbas para futuros programas de acção.
Com a exclusão deste ou daquele apontamento, só não classificaria essa tal discussão como decepcionante por não estar à espera que, por milagre, no debate entre os intervenientes com peso institucional, se passasse de súbito da demagogia para a seriedade, da futilidade para o rigor, da incapacidade para a competência.
O Barreiro está a atravessar um período de grandes desafios, sendo importante que todos os participantes com responsabilidades, em particular os partidos políticos de maior expressão local, sejam capazes de estabelecer um diálogo frutuoso com a população, em particular com os eleitores, de forma a possibilitar a adopção de medidas e a assumpção de acções benéficas para o Concelho.
Em particular, numa recentemente frustrada candidatura ao QREN, a ênfase posta nos tais 12 minutos de que, espero, quase todos estejam saturados, é um bom exemplo de irrelevância. Corresponde a discutir a cor do termómetro com que se vai medir a febre ao invés de diagnosticar a doença e, assim, criar condições para o tratamento e eventual cura.

Estando as eleições autárquicas previstas para 2009, é altura de se começar a fazer uma avaliação do trabalho político que tem vindo a ser feito no Barreiro, nomeadamente pelo executivo da CMB e, assim, colocarmo-nos em boas condições para enfrentar os desafios presentes e futuros.
Não pretendo fazer um tratamento exaustivo deste assunto, o que excederia largamente o tempo (o meu tempo) e a energia (a minha energia) que estou disposto a disponibilizar, nesta altura, para este assunto. Gostaria, no entanto, de apresentar algumas pistas que penso serem importantes para uma análise com o máximo de objectividade e o mínimo de subjectividade.
Para que isto seja feito convém caracterizar as funções em causa, em geral consubstanciadas na figura do Presidente da CMB. Na realidade, a função do executivo tem pelo menos dois aspectos diferenciáveis: o da ligação a outras entidades na defesa dos interesses do Barreiro, de que o Governo da República, outros municípios e suas associações, organizações profissionais e investidores são exemplos, e o da gestão da CMB ou de entidades a ela ligadas, numa perspectiva, entre outras, de organização e prestação de serviços aos munícipes. Por outras palavras, um executivo do tipo “representante” e um executivo do tipo “empresarial”.
Obviamente, estas funções não são estanques. Por exemplo, a função “representante” abre caminhos, propicia oportunidades, estabelece critérios para a evolução da função “empresarial”; esta, por sua vez, é essencial nas actividades de preparação e suporte, indispensáveis a um bom desempenho da função “representante”.
Por outro lado, dado que o presente executivo camarário se apresentou como sendo o do trabalho, da honestidade e da competência, é razoável que seja avaliado nessa base.

Tenho, todavia, consciência que este tipo de vocabulário (trabalho, honestidade, competência…) está muito descaracterizado por via de uma utilização abusiva ou incorrecta, por um economês da moda. Aliás, o mesmo se passa com palavras como “objectivo”, que só refiro porque vem a propósito, em que sistematicamente se ignora que para poder falar em objectivos é preciso ter conhecimentos, ferramentas, metodologias e trabalhar muito: na maior parte dos casos, o máximo que pode dizer é que se têm desejos ou ambições. Por exemplo, comparando as frases “tenho o objectivo de ganhar o Euromilhões todas as semanas” ou “a nossa empresa tem o objectivo de aumentar os lucros em 500% até ao Natal” a maior parte das pessoas detectará o absurdo na primeira mas já não o fará na segunda, quando na maior parte dos casos (devido a falhas nos tais conhecimentos, ferramentas, metodologias e no trabalhar…) têm em comum a probabilidade baixa de serem verdadeiras.

Voltando ao trabalho, honestidade e competência, é frequente confundir-se trabalho com esforço, limitar honestidade a “não roubar” ou “não mentir” e pensar que se tem competência quando se tem aparentes qualificações ou vontade de fazer.
Começando pela honestidade, e no que toca à acção política, é preciso não esquecer que há aspectos, como a transparência ou a responsabilização, que se não forem respeitados são limitativos de uma relação verdadeiramente honesta com as pessoas.
Quanto ao trabalho, podemos correr muito para não sair do mesmo sítio, isto é, o esforço pode ser imenso mas o que se ganha com isso pode ser pouco: muito esforço e pouco trabalho origina baixa taxa de utilização dos recursos, baixa produtividade.
Finalmente a competência exige, entre outras coisas, conhecimento e capacidade de desenhar metodologias e formas de implementação que permitam o desempenhar de uma qualquer actividade. Trabalho e competência estão naturalmente muito ligados: quando as competências não são as mais adequadas, o esforço pode ser grande mas a realização ficar aquém do que se necessita ou planeia.
Com trabalho e competência podem-se atingir objectivos ou concebê-los. Com honestidade, com transparência, com responsabilização e com processos de avaliação correctos e fundamentados, pode-se pensar e implementar uma política ao serviço das populações.

(Fim da parte I)

Jorge Paulo Carvalho

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