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Quotidianos

ILAÇÕES, PRINCÍPIOS E CONCEITOS (IV)- a mistificação da credibilidade vs a insinuação da desqualificação
Por Carlos Pires

Tenho de dizer que discordo quando vejo caracterizar com falta de credibilidade candidaturas personalizadas em pessoas como António Sardinha, João Pintassilgo, Emídio Xavier (que posteriormente veio a ser credível e do mesmo modo voltou a não ser) e Leal da Silva, para apenas citar pessoas que ainda se encontram”no activo”, comparativamente e sem menosprezo pessoal para com os que eles confrontaram e que saíram ganhadores.

Tenho de dizer que discordo quando vejo sustentar tal credibilidade nos programas das respectivas candidaturas pois ou não se os conheceram ou não se os quiseram conhecer e assim foi e é mais “fácil” deles infundamentadamente desdenhar, pois a sua riqueza pede meças a quaisquer outros dos que saíram maioritariamente sufragados.

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ILAÇÕES, PRINCÍPIOS E CONCEITOS (IV) - a mistificação da credibilidade vs a insinuação da desqualificação Por Carlos Pires

Por Jornal Rostos

Recuso a caracterização realizada por alguma comunicação social que há santos na política e na disputa politico-partidária e que os “outros” são ali tenebrosos. Que uns por “trabalhadores incansáveis” tudo fazem, são de uma idoneidade a toda a prova irreparável, por tão bem fazerem, enquanto, comparativamente ou em contraponto, outros parcamente trabalham e, quando o fazem, são pouco honestos e/ou incompetentes. A avaliação política a preto e branco com objectivos claros “nesta fase do campeonato”: a venda da credibilidade de uns, em contraponto com a falta de qualificação de outros. Não vou, nem me deixo ir por aí, pois objectiva-se o endeusamento de pessoas, que naturalmente como seres humanos “pecados” têm, e/ou a mistificação da exclusividade de míticas proficiências que sabemos assim não se aplicarem como temos constatado, nomeadamente nas últimas semanas. Em minha opinião, foi estratégia que deu os seus frutos, que não certamente de há muito para o Barreiro, e assim importará questionar à luz quer dos seus resultados quer das evidentes necessidades da nossa terra.

Tenho de dizer que discordo quando vejo caracterizar com falta de credibilidade candidaturas personalizadas em pessoas como António Sardinha, João Pintassilgo, Emídio Xavier (que posteriormente veio a ser credível e do mesmo modo voltou a não ser) e Leal da Silva, para apenas citar pessoas que ainda se encontram”no activo”, comparativamente e sem menosprezo pessoal para com os que eles confrontaram e que saíram ganhadores.

Tenho de dizer que discordo quando vejo sustentar tal credibilidade nos programas das respectivas candidaturas pois ou não se os conheceram ou não se os quiseram conhecer e assim foi e é mais “fácil” deles infundamentadamente desdenhar, pois a sua riqueza pede meças a quaisquer outros dos que saíram maioritariamente sufragados.

Tenho de que dizer que discordo quando vejo suportar tal credibilidade na união de uns em contraponto com a divisão de outros, como se assim fosse: num lado não há discordâncias internas, nos outros são só divisões e no caso particular do PS até existem vários PSs; num lado são capazes de se apresentar enquanto partido uno (quando há exemplos do contrário), no outro lado não. Sei que todos percebemos a diferença de conceito de partido que assim pretendemos como iguais comparar, nomeadamente quando avaliamos o “centralismo democrático” do consenso à “democracia do voto” unipessoal livre e secretamente expresso. Também sei que o “controlo” da disciplina partidária é igualmente, por essa e outras vias, diferenciado. Mas porque se ampliará a discordância, por menos legítima que seja a sua exposição pública por quem se afirme militante, deste ou daquele militante do PS e se dê a isso um significado penalizador da sua credibilidade quando outras centenas assim não o pensam e corroboram com as posições democráticas dos órgãos do PS eleitos por sufrágio universal dos seus militantes locais?

Se tudo isto entendo à luz das disputas político-partidárias, não posso deixar de o contestar na análise política registada por uma comunicação social que, não tendo objectivamente de ser cínica, se deseja do mesmo modo isenta nos “pesos e medidas” em relação às matérias que edita e no seu contraditório, bem como fundamentalmente despida de preconceitos. Para que não se faça julgamentos precipitados, não me limito aqui à avaliação deste ou daquele órgão de comunicação social, pois defendo inequivocamente para todos eles, na defesa dos respectivos propósitos editorialmente registados, a objectividade, o rigor, a aplicação de critérios igualitários na disponibilização de informação e de espaços de opinião plurais.

A credibilidade de uma estrutura partidária advém da sua matriz ideológica, dos seus princípios programáticos e da forma como na prática os implementa face às condições que dispõe. No caso das autarquias, pela sua ligação mais próxima aos problemas mais específicos das pessoas, a sua credibilidade decorre da capacidade (identificação, modo e tempo) e pró-actividade na resolução das suas necessidades, ambições e motivações. Por isso os partidos se apresentam com Programas. No caso do PS Barreiro de há muito que o tem feito consubstanciando-o em propostas, na sua gestação abertamente enriquecidas com a promovida participação de quem para aquele quis contribuir na contínua auscultação às populações a que se tem obrigado, mas que na mesma medida tenho visto distorcida ou ignorada por alguma Comunicação Social.

Não se ponha tendenciosamente em causa a credibilidade de qualquer partido com base em argumentos comparativamente falaciosos, insinuantes e/ou inverdadeiros. Deixe-se que se dispute a intervenção partidária com base em ideias, projectos e causas que satisfaçam ou melhorem o dia a dia dos cidadãos barreirenses, não deixando naturalmente de confrontar seja quem for poder, seja quem for oposição, para que sustente as opções que assume. Desta forma a Comunicação Social, não deixando de ser interventora, mas sendo igualmente isenta e rigorosa, cumprirá a sua função social. Desta forma certamente ganhará a democracia e ganhará o Barreiro.

Carlos Pires
Cidadão do Barreiro, Arquitecto, militante e autarca do PS na AM-B.

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