O Arco RibeirinhoÉ importante o governo , em parceria com as autarquias , continuar com um olhar empreendedor no arco ribeirinho Sul
Por José Assis
Por Jornal Rostos
Já em funções enquanto Vereador na Câmara Municipal do Seixal participei na aprovação dos termos de referencia que balizam a elaboração desse Plano de Pormenor , expectante quanto á concreta soluçao de ordenamento para a zona e sugeri a revisão do PROTAML sobretudo depois de conhecidos os elevados investimentos recentemente anunciados pelo Governo para a Peninsula de Setúbal.
Tanto na Assembleia Municipal como na Câmara Municipal esta questão não foi pacifica no PS local, no seu entendimento e até na posição politica a tomar , com pluralidade saudavel de opinião. Certo é que o Governo actual veio criar as condições para que se desenvolva o que , entendo eu , poderá significar valor acrescentado para a margem sul , enquanto região integradora na Área Metropolitana de Lisboa, com a aprovação do projecto qualificarod do arco ribeirinho Sul,devendo manter-se o acompanhamento do processo no sentido do equilibrio entre os diversos usos do solo e as suas valências , contribuindo para a solução ambiental da ex siderurgia ,num quadro competitivo com outras regiões do país e não só. Mas só com um "pontapé de saída" se cpnseguiu chegar aqui .
Durante décadas a margem Sul do rio Tejo foi sendo olhada como um aglomerado suburbano de pessoas, com caracteristicas de dormitório , numa lógica de que de um lado , deste lado, estaria o "bairro operário " que , digo eu , foi orgulhosamente polo de trabalho acolhedor dos fluxos migratórios e , ao mesmo tempo , motor e factor de desenvolvimento nacional - com a Siderurgia Nacional em particular relevo - e de outro lado , a capital do pais com a carga inerente a essa qualidade . Chegados aos anos 2000 e com um Plano Regional de Ordenamento do Território para a Área Metropolitana de Lisboa em curso, desencadeado pelo Governo de António Guterres mas com origem em planos sectoriais como o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Peninsula de Setúbal ,na viragem do século , sentiu-se que a "outra banda" não poderia continuar a ser olhada como o eterno bairro operário, tristemente caracterizado por cronistas como uma zona deprimida.
Os fenómenos que levaram a que fosse imperativo mudar de paradigma e de perspectiva quanto a esta margem são da própria história ,contudo, desde logo, faço notar os impactos obrigatoriamente positivos do 25 de Abril de 1974 no que diz respeito á democrarização do acesso ao ensino e á cultura e necessariamente á multiplicidade e qualificação do emprego , ao investimento que o Estado realizou nas acessibilidades que levou a uma ligação mais rápida entre as duas margens do rio, ao surgimento de serviços públicos que marcaram o desenvolvimento e ao surgir de uma nova geração muitos filhos de operários e trabalhadores indeferenciados que com vontade de competir e de se afirmar foram ajudando a construir uma participação activa na vida colectiva, sentindo que o esforço dos que trouxeram a liberdade e as novas oportunidades deverá ser honrado. Pois bem . Poderá parecer uma narração novelesca dramatizada e um pouco old fashion de uma terra de provincia , mas foi assim . É assim a história . Além dos fenómenos históricos também as mentalidades mudaram . No entanto, ainda há resistências quanto á mudança . Há quem resista porque acredita no anterior paradigma , há quem resista porque não conhece o novo e , como em tudo na vida , haverá quem não quererá que o vizinho progrida. Coisas do passado.
Hoje, o desenvolvimento não pode assentar e muito menos fixar-se em questões de espartilho . A visão estratégica pode começar na sua execução com muitas imperfeições , durante o desenvolvimento do processo com algumas angustias , mas quando tem como pilares a mudança e a abertura o sucesso é seguro .
Ao nível do Seixal devem os seus habitantes perceber que estão a concorrer também com os outros concelhos do arco ribeirinho . Não devem ficar acanhados por isso e devem impor -se como habitantes de um concelho de gente de progresso . Hoje, as gerações filhas dos que vieram para a Siderurgia , Mundet , Lisnave , Setnave ,Sorefame e outras empresas trabalhar, dos que, filhos de pescadores e gente da terra já cá estavam quando os outros vieram de outras terras , devem estar orgulhosas das suas origens e do que conseguiram e vão continuar a realizar para que esta banda de um rio seja de pleno direito cosmopolita assumida , moderna e terra de bem estar com futuro .
É bom que o modelo de desenvolvimento autárquico consiga acompanhar os tempos , mudando também.
Nós, o povo desta terra ,não esqueceremos o bairro operário e estamos certos que esse bairro nunca irá para o mundo do nada, continuaremos a perpetuar o suor e o trabalho dos que o construiram , só queremos que os que vierem daqui a muitos anos e os que ficarem depois de nós possam continuar a honrar a margem de um rio que só pode ser testemunho da realização de um sonho: o da justiça social entre os povos, independentemente da margem em que ficarem.
Hoje a cidade já é de duas margens e eu quero assinalar positivamente isso como uma opinião muito pessoal e intima, mas não posso deixar de assinar esta peça como Autarca.
José Assis
Vereador Socialista na C.M.Seixal














