"A Insustentável Leveza do Ser”Por Pedro Graça Lopes

Por Jornal Rostos
"A Insustentável Leveza do Ser”
Uma das frases mais acolhedoras para descrever, em certos pontos, o tortuoso caminho da nossa evolução individual, colectiva e comunitária.
A presente crise económica, na sua amplitude, representa não mais que um alerta para a configuração e enquadramento dos sistemas políticos à nossa extrema e constante necessidade, individual e comunitária, de nos superarmos ao tentar igualar e superar o nosso modelo de sempre.
Aquele ou aqueles (consoante a projecção, individual ou comunitária) que nos abriu os braços em tempos, de quem reivindicámos a nossa imagem própria. Assim é com os homens, assim é com a tradução prática dos seus sistemas. Não acrescentarei que, neste caso, é a democracia plena, que impõe uma cidadania consciente e pró-activa como pressuposto da realização do indivíduo e da sociedade, que permite e alavanca as interacções que promovem esse estado de constante transformação, ajuste e optimização em tempo real, do indivíduo, das sociedades em si e dos sistemas humanos.
O capitalismo não é um sistema em si, é um registo que permite a livre canalização de excedentes por parte, inclusive, do próprio indivíduo, numa economia de mercado. Esta possibilidade é accionada até quando é feito uma poupança "à moda antiga", sem dinheiro à vista. Qual a diferença, entretanto e quando se conjuga o interesse de muitos indivíduos com o interesse de um Estado, entre o resgate por parte de um Estado de uma instituição falida por má gestão administrativa (caso em que se verifica a extensão de compreensíveis e aclamados planos estatais que, na maior parte das vezes, incluem grandes subsídios e benesses fiscais para a manutenção de uma unidade fabril em funcionamento tendo em vista a salvaguarda da produção e dos postos de trabalho) e o resgate de uma instituição falida por má gestão ou elaboração dos seus produtos financeiros (a falha no cumprimento do Estado afectaria também a produção, dependentemente da estabilidade nos investimentos e da retirada de capitais que se devem de tomar por essenciais às empresas onde estão alocados; afectaria muitos postos de trabalho, directa e indirectamente)? A dimensão? O produto em si? A qualidade de vida dos accionistas (os da instituição ou os das empresas em que esta participa?) É a Liberdade. O que se censura nestes processos, num e noutro, é a Liberdade. É a prisão do eco, aquele que nos avisa silenciosamente para uma curva mal dada num despiste de automóvel. A negação do locus experimental, que revive a aurora a cada olhar para além, a cada trilho desafiado, a cada nova forma de gerar excedentes para, novamente, os canalizar. Assim é a nossa Caminhada.
Seria de esperar que uma sociedade produzisse um Estado conforme a sua meta imagem, e que esse Estado fomentasse uma sociedade conforme a sua capacidade de gestão. Impossível e, no mau sentido, paradigmático.
Somos tão intricadamente complicados que até para dar pontapés numa bola criamos regras, e as quebramos (ou fingimos que não). Sozinhos ou em grupo. Essa é a essência consensual de cada indivíduo social. É essa a essência consensual que transportamos em cada nossa acção, para o melhor e para o pior, para um colectivo que desejamos paritário com outros colectivos (os melhores, espera-se), para os sistemas interdisciplinares com outros sistemas, de tal forma que a coerência se torna o último e derradeiro baluarte das ciências em si e entre si, tal como as conhecemos actualmente. Tão grande se tornou o nosso mundo. Tão alvas as nossas mais profundas expectativas. Tão vincados os nossos receios. Na perspectiva de um individualismo que se receia não controlar, por ser novo e conceptual, a transferência para o Outro dos males descontrolados, a abnegação do nosso eu em favor de um eu maior, mas opaco, impreciso e sem pendor de culpa própria, individualizada, à partida. Basta nada querer e tudo desejar. Na antecipação da incapacidade geral, uma gota de compreensão geralmente atribuída à nascença. No temor da recompensa no mérito, a falha de ser o primeiro a chegar. O último que lá esteve."
Pedro Graça Lopes
Militante do CDS/PP














