Todos temos que pouparPor José Bastos
Todos temos que ter consciência que a situação é difícil e que só a ultrapassamos com responsabilidade e determinação. As lamentações não resolvem problema nenhum.
E há muitos que passam a vida a lamentar-se.
Não podemos gastar mais do que aquilo que recebemos.

Por Jornal Rostos
O colapso do sector financeiro nos Estados Unidos e o aumento do custo do petróleo estão a contribuir para uma grande crise económica a nível mundial.
Na grande depressão de 1929 nos Estados Unidos a crise chegou a todo o lado e também ao Montijo: as fábricas de cortiça encerraram por falta de encomendas.
A firma M.S. Ventura & Filhos fundada em 1851, a mais importante empresa da nossa terra à época que se dedicava à importação / exportação, dos mais variados produtos, com escritórios em Lisboa e Paris dissolveu-se em 1931.
O Banco Central Europeu foi aumentando os juros para suster a inflação, isto obriga a uma maior despesa das famílias, das empresas, dos Estados e das Câmaras Municipais.
Na última década uma grande quantidade de portugueses compraram casa própria com empréstimo bancário a juros baixos. Hoje têm dificuldade porque os juros estão a subir, mas antes de entrarmos na União Europeia eram poucas as pessoas que podiam recorrer a empréstimos bancários para compra de casa.
As Câmaras Municipais nesta última década têm beneficiado de juros baixos nos seus empréstimos para investimento e a situação actual também se está a agravar com a subida dos juros.
A situação é difícil, mas não é alarmante, se todos nos preocuparmos em poupar, tendo em conta que os nossos rendimentos estão a diminuir. Uma crise só pode ser ultrapassada com alguns sacrifícios da população.
As classes médias que não estão muito endividadas têm muito por onde poupar: combustíveis, roupas e calçado (a classe média gasta muito dinheiro em roupas), viagens ao estrangeiro, estadias em hotéis de luxo, brinquedos para as crianças, telemóveis de última geração.
Temos que ser solidários e ajudar por intermédio do Estado aqueles cujos rendimentos estão no limite da sobrevivência. É preciso cuidado com os “xicos espertos” que tendo saúde e não sendo deficientes, nem idosos, passam a vida a viver à nossa custa.
O Estado e as Câmaras Municipais têm que atacar o desperdício e acabar com as facilidades que vivem muitos agentes do Estado.
Todos temos que ter consciência que a situação é difícil e que só a ultrapassamos com responsabilidade e determinação. As lamentações não resolvem problema nenhum.
E há muitos que passam a vida a lamentar-se.
Não podemos gastar mais do que aquilo que recebemos.
A OCDE diz que os portugueses estão a gastar acima das suas possibilidades, isto é gastam mais do que aquilo que produzem e por isso a nossa balança comercial é deficitária, importamos mais do que aquilo que exportamos.
Estamos totalmente dependentes do petróleo que consumimos do exterior e com o aumento do preço desta matéria-prima, nos mercados mundiais a situação tem vindo a agravar-se mês após mês.
As energias fósseis baratas utilizadas a partir do início do século XX têm contribuído imenso para o nosso bem-estar.
A minha já longa vida permitiu-me acompanhar o aparecimento dos mais diversos objectos movidos a energia que facilitam a vida do homem na terra.
Sem energia a nossa vida seria um sofrimento.
Também o aumento dos produtos alimentares têm contribuído para o défice da balança de transacções correntes, dado que o nosso país importa mais alimentos do que exporta.
José Bastos














